Presidente de clube que cobra PIX milionário do Grêmio detona e explica dívida: 'Coisa mais ridícula do mundo'

Meia brasileiro Bitello durante partida do Dínamo de Moscou na Copa da Rússia Mike Kireev/Getty Images

Nesta sexta-feira (22), o Cascavel, clube da Série D do Brasileirão, cobrou publicamente o Grêmio por uma dívida pelo meia Bitello, negociado com o clube em 2019 e que atualmente defende o Dínamo de Moscou, da Rússia.

Em uma publicação nas redes sociais, o clube paranaense alegou que ainda não recebeu o "PIX" do Grêmio, referente à venda do jogador ao futebol russo, concretizada em 2023.

Bitello foi vendido ao Dínamo por 10 milhões de euros (R$ 52 milhões na cotação da época), e pouco mais de R$ 15 milhões deveriam ser repassados ao Cascavel, detentor de 30% do atleta.

A reportagem da ESPN entrou em contato com Valdinei Silva, presidente do Cascavel, que explicou a cobrança feita ao Tricolor e ironizou o fato de ainda não ter recebido tudo o que é de direito com a venda de Bitello.

O mandatário ainda revelou ações junto à CBF e citou a dívida, hoje na casa dos R$ 8 milhões, pelos valores não repassados pelo Grêmio ao Cascavel após a transferência do meia.

A venda do jogador foi feita em duas parcelas. Segundo o Cascavel, a primeira foi paga com atraso, sem juros e correção, e por isso a ação movida pelo clube paraense ainda continua ativa. Além disso, o Grêmio ainda não depositou 750 mil euros (quase R$ 5 milhões) referentes à segunda, que também teve uma ação movida.

"Nós vendemos o Bitello para o Grêmio em 2019. Ficamos com 50% (do passe) na época e eles com 50%. Eles tinham dois anos para exercer (a compra de) mais 20%, exerceram com dificuldade, parcelaram. Aí ficou 70% a 30%. Eles venderam o Bitello, já usaram a grana e não nos pagaram. Pagaram uma parte da primeira parcela que nós levamos até a CBF, nos pagaram sem juros, sem correção, devendo um pouco", disse.

"Nós entramos contra eles de novo na CBF pela diferença, exigindo multa e juros. Venceu a segunda parcela no ano seguinte, eles não nos pagaram. Eles nos devem em torno de R$ 8 milhões. Está na CBF", disse.

Valdinei ainda revelou que o valor que o Cascavel tem direito no negócio seria usado, inclusive, para a reforma do CT do time. E citou a postura do Grêmio em meio à dívida não paga.

"Eles (Grêmio) não justificam nada, justificam que não têm dinheiro e que o Grêmio é um grande clube que um dia vai pagar. É a coisa mais ridícula do mundo", disparou.

"Vamos usar parte (do dinheiro) para custeio e parte para reforma, melhorias e adequações nos nossos CT's."

O presidente do time paranaense ainda citou a "cara de pau" do Tricolor, que mesmo com dívidas segue gastando em reforços na janela.

"Estão nos devendo, e na maior cara de pau, tentando comprar novos jogadores. Isso é um absurdo", finalizou.

Em 2023, o clube gaúcho alegou ter repassado ao Cascavel os valores referentes à transferência de Bitello.

"O Grêmio informa que já realizou o repasse ao Futebol Clube Cascavel referente à venda do jogador Bitello ao Dínamo Moscou, da Rússia", disse em comunicado oficial à época.

A reportagem entrou em contato com o clube gaúcho, que respondeu: "O caso está no CNRD (Câmara Nacional de Resolução de Disputas). Grêmio aguarda a definição da Câmara pra dar o devido encaminhamento", explicou o Imortal.

Também em contato com a ESPN, Nixon Fiori, advogado do Cascavel, falou sobre a disputa e citou a Câmara Nacional de Resolução de Disputas, o CNRD, órgão da CBF que surgiu para que as decisões judiciais aconteçam de forma mais rápida no esporte, mas que na prática está sendo um "parceiro" dos clubes devedores na sua visão.

"A CNRD tinha a finalidade de resolver isso com urgência, dar transfer ban, travar os clubes. Infelizmente, a CNRD está pró-devedor, o clube não está sendo punido, já recebeu, já trabalhou com o dinheiro. Um clube (Cascavel) que precisar, que talvez poderia ter feito uma campanha melhor na Série D agora, por um acesso, sem dinheiro", disse.

"O Grêmio, os grandes times, Corinthians, que teve problemas com o Cuiabá, não pagou e está fazendo um pedido de parcelamento. Os grandes times estão se utilizando da Câmara para fazer o parcelamento, a Câmara foi criada com o intuito de aniquilar esse tipo de parcelamento. Não os grandes fazem esse tipo de transações e matarem os pequenos. A indignação do Cascavel é essa, um clube pequeno poderia ter feito uma trajetória maior", complementou.

Sobre a possibilidade de o Cascavel ir à Fifa por uma resolução do caso, Fiori explicou que essa medida não é cabível, uma vez que a transação internacional foi feita pelo Grêmio, e os paranaenses receberiam diretamente do Tricolor os valores a serem repassados.

"Quem fez a transação internacional foi o Grêmio. Se tivesse algum problema com o Dínamo, cobraria perante à Fifa. O Dínamo pagou o Grêmio, e o Grêmio tinha um contrato nacional com o Cascavel. A competência é exclusiva da CNRD. O Cascavel não fez transação internacional, recebeu de uma outra transação que um clube do exterior pagou", finalizou.

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