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Osmar Santos, 30 anos depois de acidente, ganha exposição no Museu da Inclusão

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Vida e história de Osmar Santos, um dos maiores locotures esportivos, ganha exposição no Museu da Inclusão (10:21)

Em 1994, Osmar sofreu um acidente de carro e perdeu a fala e parte dos movimentos do lado direito do corp (10:21)

Uma história que não pode cair no esquecimento. A trajetória de um dos mais incríveis locutores esportivos do Brasil, um país cheio de talentos da comunicação. Um nome: Osmar Aparecido dos Santos.

Hoje aos 75 anos, ele nasceu em Osvaldo Cruz, cidade no interior de São Paulo. Filho mais velho entre quatro homens, sendo três locutores, Osmar, acredite, quando criança, era gago.

Inconformado com a falta de desenvoltura na voz do filho, Romeu, o pai benzedeiro, resolveu a gagueira do filho com uma mandinga, uma reza que contou com a ajuda de um pássaro noturno, que tinha que passar o bico na boca de Osmar... E não é que deu certo?

A verdade é que, depois do ato de fé, Osmar disparou a falar e nunca mais apresentou gagueira. Pelo contrário, começou uma paixão que descobriu no rádio e colocou na cabeça que iria virar narrador. Arrumou então, aos 14 anos de idade, emprego na Rádio Clube da Cidade, mesmo contrariando a mãe Clarice.

Logo que soube do sonho do filho, o pai entrou mais uma vez em ação. Pegou um lápis e fez Osmar mordê-lo, sem deixar cair da boca. O menino começou a narrar para o próprio Romeu.

Antes da estreia na rádio local, Osmar pegava uma latinha, ia para a arquibancada do estádio de Osvaldo Cruz e narrava os treinos do time da cidade. Logo iniciaria sua trajetória ao lado do amigo Pedro Panvéchio, em jogo contra o Batatais.

Todos os detalhes dessa saga estão contados em detalhes em documentário produzido pelos canais ESPN em 2015, o “Vai Garotinho que a Vida é Sua”, disponível no Disney+.

Dos grandes feitos na Rádio Jovem Pan, passando pela Rádio Globo, onde ficou conhecido nacionalmente, o “Pai da Matéria” sempre foi um ser diferente. Destemido, criativo...

30 anos do acidente

Em 1994, Osmar vivia o auge de sua carreira como comunicador. Aos 45 anos, o locutor já era um empresário também de sucesso.

Mas, no final de dezembro, ele saiu à noite de Marília, para onde voltaria para passar o fim de ano, rumo a Birigui, para uma festa de confraternização de seus funcionários em uma concessionária de carros. No caminho, na rodovia Transbrasiliana, na altura de Lins, um motorista embriagado decidiu fazer uma manobra em plena pista.

Com a baixa visibilidade, devido à chuva, Osmar não viu a carroceria do caminhão e acertou a quina esquerda de sua Mercedes contra o último gancho da carroceria do caminhão, que acertou a cabeça do locutor. Ele perdeu 17 centímetros de massa encefálica.

Osmar foi encontrado desacordado dentro de seu carro em um matagal, ao lado do acostamento. O terrível acidente, à época, gerou comoção nacional. Como uma estrela que encantou o Brasil poderia ficar, da noite para o dia, entre a vida e a morte em um leito de hospital? Como ele poderia sobreviver sem a voz, sua principal ferramenta de trabalho?

Mas Osmar mostrou a todos sua capacidade de se reinventar, mesmo perdendo a fala e parte dos movimentos do lado direito do corpo.

Adeus, fama

Osmar Santos era celebridade daquelas que mal poderiam sair nas ruas sem causar reboliço entre os fãs. Viveu intensamente o mundo da fama, mas, como se pode imaginar, em um Brasil que pouco valoriza quem não está brilhando na mídia, aos poucos o “Pai da Matéria” foi caindo no esquecimento. Até os “amigos” foram se afastando...

A família praticamente desmoronou com a separação, mas Osmar não se entregou. No início, encontrou na arte de pintar uma terapia para vida, mas com o tempo se aprimorou na arte dos quadros, dando cores e novo sentido a uma vida que não é fácil para nenhum deficiente físico.

Com as pinturas, Osmar tornou-se um novo artista. Faz mais de duas décadas que ele agora é o “pai dos quadros”, símbolo de uma incrível força de superação.

Cada quadro pintado por Osmar é vendido pelo próprio artista por valores que vão de R$ 600 a R$ 1000.

E assim ele segue a vida, mesmo sendo esquecido por muitos – inclusive aqueles que ele ajudou a transformar a trajetória no passado...

Resgatando Osmar

Esquecido pela mídia, Osmar foi abraçado pelo mundo da arte. Nesses últimos anos, tem participado de várias exposições. Mas a mais recente é diferente e muito emblemática.

Ela está acontecendo no Museu da Inclusão, no Memorial da América Latina, na Zona Oeste de São Paulo. Por lá, o visitante tem a oportunidade de, além de ver parte das obras de Osmar, mergulhar também na história do comunicador.

São obras que retratam o presente e o passado do artista com quadros, alguns acessíveis de alto relevo para deficientes visuais, fotos, áudios com narrações históricas e o próprio documentário “Vai Garotinho que a Vida é Sua”, dos canais ESPN.

No dia da inauguração da exposição, que vai até o final de setembro, vimos de perto a alegria e o entusiasmo do artista ao receber familiares, poucos amigos e muitos visitantes portadores de deficiência. A exposição idealizada pela Secretaria Estadual da Pessoa com Deficiência só não tirou nota 10 porque o Museu da Inclusão só abre as portas para os visitantes de segunda à sexta das 10hs às 17hs, ficando fechado aos sábados e domingos.

Se você quiser ver de perto as obras, narrações, fotos, artes e vídeos da Exposição Osmar Santos, de forma gratuita, anote aí o endereço: Av. Mario de Andrade, 564, Barra Funda, São Paulo.