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Conheça o clube que tem ex-atacante do Botafogo de treinador, foi amador por quase 50 anos e chegou à Série B

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Conheça o Athletic Club, time de Minas Gerais que foi da última divisão à série B em seis anos (6:03)

Veja a trajetória do time de São João del-Rei que acumulou acessos nacionais de 2018 a 2024 (6:03)

Menos de uma semana depois do Athletic Club conquistar o acesso inédito à Série B do Brasileiro, a ficha ainda não caiu para os moradores de São João del Rei. A reportagem da ESPN esteve na histórica cidade de Minas Gerais para conhecer um pouco mais do clube que teve uma ascensão meteórica no cenário nacional.

"Gratidão pela oportunidade que estamos vivendo, algo que por muitos anos a gente sonhou. Um time que era amador e agora chegou na final da Série C. Um sentimento de gratidão", afirmou a torcedora Camila Teixeira.

Fundado no dia 27 de junho de 1909, o Athletic Club teve suas atividades profissionais interrompidas em 1969 (motivo). Foram 49 anos de espera para que o torcedor pudesse ver o Esquadrão de Aço novamente em campo em uma competição profissional: a Segunda Divisão do Campeonato Mineiro (equivalente a Terceira Divisão).

Logo na sua volta, o Athletic garantiu o acesso ao Módulo II do Mineiro com o vice-campeonato da Segunda Divisão. Depois de não chegar à fase final em 2019, o Esquadrão de Aço subiu para a elite no ano seguinte. A primeira missão era se manter entre os melhores de Minas Gerais para depois alçar voos maiores.

Mas o clube acelerou sua ascensão ao se tornar SAF (Sociedade Anônima do Futebol) em dezembro de 2021. Foi justamente a partir daí que os caminhos de Roger Silva e Athletic se cruzaram.

Recém aposentado, o ex-atacante de Ponte Preta, São Paulo, Palmeiras, Sport, Fluminense, Vitória, Guarani, Internacional, Botafogo e Corinthians chamou a atenção da diretoria do Athletic após bom trabalho na Inter de Limeira - seu primeiro como treinador - e foi o escolhido para iniciar a temporada de 2022. E não decepcionou.

Sob seu comando, o Athletic perdeu a semifinal do Mineiro para o Cruzeiro e foi campeão do Mineiro do Interior, garantindo as vagas inéditas na Copa do Brasil e na Série D do Brasileiro. Após o Estadual, Roger Silva foi para a Inter de Limeira, mas retornou no início de 2023 para mais um grande trabalho.

Pelo segundo ano seguido, o Athletic chegou na semifinal do Mineiro - dessa vez perdeu para o Atlético-MG - e foi campeão do Interior. Após o Estadual, Roger Silva deu lugar para Cícero Júnior, que levou o Esquadrão de Aço ao surpreendente acesso à Série C logo em sua primeira participação em Campeonatos Brasileiros.

Em 2024, o Athletic Club ficou de fora da semifinal do Mineiro e a diretoria trocou Rodrigo Santana por Roger Silva. Em sua terceira passagem no Esquadrão de Aço, o treinador chegou ao ápice com o acesso à Série B do Brasileiro conquistado no último final de semana, ao vencer o Londrina, por 2 a 1, em São João del Rei.

"Acho que esse é o grande momento da minha vida de treinador. É um momento especial, de retorno, de tudo aquilo que eu tenho plantado. Que, humildemente, fui aprender com outros treinadores. Fiz pré-temporada com Roger Machado, Mano Menezes, Eduardo Baptista, Jair Ventura... Foram meus mentores", lembrou Roger Silva.

"Eu costumo dizer que, apesar de muito querido no futebol, não tenho padrinhos. Tive convite para ser auxiliar de um treinador muito bom de Série A, no começo do ano, depois de dois bons trabalhos aqui. Mas não, eu quis fazer esse caminho. Eu quis entender como é a Série D, como é jogar a Série C, como é gerir um clube que está em ascensão. O Athletic está crescendo, vai ser uma potência no Brasil, não tenho dúvida. Mas eu entendi que para a minha criação, para a minha formação de treinador, era essencial eu ter essa experiência. E ela tem sido ótima, está sendo proveitosa, tenho maturado como líder e melhorado minha gestão, melhorado meus treinamentos. O Athletic tem me formado como treinador", completou.

No Athletic, Roger Silva encontrou liberdade para implementar sua filosofia de jogo, que no início foi colocada em xeque até mesmo por alguns jogadores. O futebol ofensivo surtiu efeito e o Esquadrão de Aço tem o melhor ataque entre os clubes que disputam as quatro divisões do Brasileiro, com 50 gols.

"Teve dias que eu fiz alguns trabalhamos, que chamamos de 10-0 ou 1-10-0, com o goleiro e sem time adversário no campo. Alguns dos meus atletas diziam: 'Professor, isso não funciona'. Eu falava 'funciona, acredita, as grandes equipes fazem os treinamentos 10-0 e a gente vai treinar as nossas ideias'. Independente de quem for nosso adversário, as nossas ideias vão sobrepor. Perdeu a bola? Faz a falta, arruma as linhas. Mas para frente a gente precisa ter carinho com a bola, entender onde o companheiro está. A gente conseguiu. Estamos em uma final de campeonato com uma equipe que tem 8 anos de vida", comemorou Roger Silva.

Projeto ousado

Se engana, porém, quem acha que o Athletic se dá por satisfeito com a vaga inédita na Série B do Brasileiro. Idealizador do projeto que recolocou o Esquadrão de Aço no futebol profissional e hoje presidente da SAF do clube, Fábio Mineiro almeja a CONMEBOL Libertadores.

"Quando eu comecei a planejar o projeto, uma pessoa disse: 'São João del Rei não está dando nem futebol amador, quem dirá profissional'. Eu guardei aquilo para mim. Hoje nós estamos entre os 40 clubes do Brasil, vamos jogar a Série B. É muito gratificante olhar para trás e ver tudo o que aconteceu, ver que a gente sonhou e realizou. Mas eu falo que ainda falta. O meu sonho é chegar na Libertadores. Para quem saiu da C do Mineiro e chegou na B do Brasileiro em seis anos, falta pouco para a Libertadores né", disse Fábio Mineiro.

Inspirado em clubes do interior de São Paulo que estão ganhando espaço no cenário nacional, como Mirassol e Novorizontino, o Athletic sabe que o resultado em campo é fruto do que acontece fora das quatro linhas.

Para o próximo ano, a diretoria do Esquadrão de Aço está construindo um novo Centro de Treinamento. O terreno de 52 mil metros quadrados vai dar lugar a quatro campos e dois prédios de performance - um para as categorias de base e um para o profissional. Já o Estádio Joaquim Portugal, que hoje tem capacidade para apenas 6 mil pessoas, será ampliado.

"Nós vamos aumentar nosso estádio, vamos acabar nosso CT. São João del Rei está na rota do futebol brasileiro daqui para frente, assim como Mirassol e Novorizontino, que são SAFs organizadas e são potências no futebol brasileiro. Nós somos a próxima potência. Não tenho dúvida que o Brasil vai ouvir falar muito ainda do Athletic", garantiu Roger Silva.

Se o sonho do presidente da SAF de ver o Athletic disputando a Libertadores vai se tornar realidade só o tempo irá dizer, mas o caminho está sendo construído pedra por pedra.