Chegou ao fim a Copa América de 2024, que coroou novamente a Argentina de Lionel Messi.
A Albiceleste derrotou a Colômbia por 1 a 0 com um gol salvador de Lautaro Martínez já na prorrogação e levantou a taça no Hard Rock Stadium, em Miami.
A competição, no entanto, ficou marcada pelas fortes reclamações de jogadores e treinadores que disputaram a Copa América sediada nos Estados Unidos. E os motivos foram diversos.
A principal reclamação foi direcionada à organização pelos estádios escolhidos para sediarem os jogos da edição 2024.
Esse foi um alvo do técnico Lionel Scaloni na coletiva de imprensa após a conquista do título em Miami.
“Aqui (nos Estados Unidos) será o próximo Mundial, e imagino que, para começar, os campos serão maiores e dentro do regulamento (da Fifa), porque dos que jogamos (na Copa América) não me lembro se algum tinha as dimensões (da Fifa). Sabemos que há dimensões mínimas e máximas. Mas, normalmente, um campo desse nível (de Copa América) costuma ter dimensões maiores do que estas (da edição 2024)”, seguiu.
“Dois metros para cada lado é bastante, acredite... Espero que o Mundial (de 2026) seja jogado em campos de futebol, e não de futebol americano. Pelo menos é o que eu entendo. Não tenho muitas informações de como vai ser (na Copa do Mundo), mas imagino que será diferente (da Copa América), porque tem que ser assim. É o que todos esperamos”.
E os campos reduzidos geraram mais críticas à organização
O padrão adotado pela Fifa em relação aos campos é de 105 metros de comprimento por 68 metros de largura, enquanto os da Conmebol no torneio são de 100 metros de largura e 64 metros de comprimento. Ou seja, 5 metros mais curtos e 4 metros mais estreitos.
As dimensões menores nos gramados dos Estados Unidos são 'culpa' da NFL. 11 dos 14 campos dos estádios utilizados na Copa América são sedes de jogos da principal liga de futebol americano, e a entidade que rege o futebol sul-americano precisou adaptar os campos, já que a maioria dos locais não conseguiria ampliar seus tamanhos.
Apesar de reduzidos, os gramados dos Estados Unidos atenderam os padrões mínimos pela Fifa. A entidade máxima do futebol mundial ordena que os campos tenham entre 100 e 110 metros de comprimento e 64 e 75 metros de largura.
Imagem abaixo: Em amarelo, dimensões adotadas pela Fifa; em vermelho, as dimensões adotadas pela Conmebol na atual edição da Copa América.

Dimensões irritaram craques da seleção brasileira
Estrelas da seleção brasileira, como Danilo, Vinicius Jr. e Rodrygo, já criticaram as dimensões menores adotadas pela Conmebol na Copa América, fizeram até comparações com os campos da Eurocopa e analisaram como a 'novidade' prejudica o estilo de jogo da equipe comandada por Dorival Júnior.
Veja abaixo o que cada um disse durante a competição:
Danilo
"Sobre as dimensões dos gramados já falamos bastante, mas é uma coisa que, na minha opinião, prejudica muito o evento. A gente tem visto os jogos da Eurocopa, as pessoas vêm fazendo essa comparação e é nítido o quanto isso prejudica o jogo taticamente. Não fazemos parte dessa definição, e esse é um grande problema do nosso futebol: nunca somos perguntados sobre esse tipo de decisão."
"Quando ao gramado em si, acho que está OK... Se estiver irrigado, acho justo. Vai ser uma qualidade de gramado que vai propiciar um jogo melhor, mais técnico, que, em teoria, beneficia a seleção brasileira. Mas, com essas dimensões, esperem muito combate, guerra, jogos de muito choque. Estamos preparados para isso também, porque é o que vai pedir a competição nesse momento."
Vinicius Jr.
"Complicado jogar num campo diferente. Já entendemos como serão os campos (reduzidos). A gente não tem desculpa, mas o campo atrapalha, a qualidade da Eurocopa é diferente da Copa América, ainda diminuíram o tamanho para nos dificultar ainda mais."
Rodrygo
"Acho que não dá pra ficar colocando desculpa do campo ou da linha baixa deles. A gente sabe que isso atrapalha muito as dimensões do campo, todo mundo é acostumado a jogar no campo normal e diminuir o campo do nada. É muito ruim, mas não é hora. A gente empatou (contra Costa Rica), um empate que vem com gosto de derrota para a gente, então é melhorar, sem desculpa."
"É realmente difícil. Não é uma desculpa, mas as dimensões do campo atrapalham bastante, e os adversários vêm muito fechados. Realmente foi difícil, mesmo assim, a gente teve muitas oportunidades. Se a gente tivesse caprichado um pouco mais, tivesse feito os gols, seria diferente, seria outra conversa agora. Mas é isso, não tem muito o que ficar falando, não tem desculpa para dar, a gente sabe que precisa melhorar, vamos descansar agora, treinar e já estar pronto para o próximo jogo."
Argentinos também criticaram estilo do gramado
Se pelo lado brasileiro a dimensão foi o ponto negativo destacado, os argentinos, atuais campeões da competição, não gostaram nada da qualidade apresentada pelos gramados dos estádios norte-americanos.
Veja abaixo:
Lionel Messi
"Nós tentamos o mesmo, independentemente do estádio do gramado. Foi muito complicado porque fecharam os espaços, e com esse gramado você precisava de um tempo maior para controlar a bola", disse Messi ao Olé.
Lionel Scaloni
"Foi parecido com o jogo contra a Arábia Saudita, mas com a diferença de que lá jogamos em um gramado decente. Menos mal que ganhamos, caso contrário teria parecido uma desculpa. Sabíamos que íamos jogar aqui há sete meses e trocaram o gramado tem dois dias. O campo não estava à altura desses jogadores", disse Scaloni durante a coletiva de imprensa.
Dibu Martínez
"Era um campo que era um desastre. Nos complicou bastante. Um desastre. A bola ia correndo e pulando. Quando a gente não mata o jogo, eles vem para cima, não tem o que perder. Di Maria teve um lance que saiu cara a cara e teve que chutar de direita porque não conseguia dominar a bola que só quicava. Temos que melhorar isso ou a Copa América sempre vai ser um nível mais baixo que a Eurocopa", reclamou Dibu à TyC Sports.
Cuti Romero
"As condições do campo eram horríveis. Ter que jogar uma competição com um gramado desse é lamentável. Nos prejudicou no jogo, mas não é desculpa. Fizemos uma boa partida e mostramos que estamos bem e seguimos com a mesma fome de levar a seleção ao posto mais alto e arrancar com o pé direito é muito bom", disse o zagueiro à TYC Sports.
Após a primeira de 'adaptação' a campos reduzidos, oito times estão classificados para as quartas de final. O Brasil terá pela frente o Uruguai, neste sábado (6), às 22h (de Brasília), em Las Vegas. Quem passar encara o vencedor de Colômbia ou Panamá. Do outro lado, a Argentina mede forças com o Equador, enquanto a Venezuela encara o Canadá.
Quem mais criticou o gramado?
Marcelo Bielsa, técnico do Uruguai, sobre gramado e organização
"(A Copa América) foi uma festa extraordinária: estádios cheios, equipes competitivas, arbitragem que permitia jogar. Não há nada do que se queixar, mas não pode seguir enganando que os campos estão perfeitos. Fazem uma coletiva de imprensa para mentir explicitamente. A chefe dos campos de jogo, que sei quem é e o mal que faz, dá uma entrevista para dizer que é uma questão visual [a qualidade dos gramados]. Que Vinicius (Junior) não vê, que Scaloni não tem que falar, que os campos de treinamento estão perfeitos. Eu tenho uma coleção de fotos que mostram que a grama não está unida. Deveriam ter ido aos campos de treinamento e nos dizer: 'Desculpem, rapazes, isso não está apresentável, não se pode treinar aqui e entendemos".
"Como isso afeta os organizadores, não se pode dizer uma palavra, senão nos ameaçam. A Scaloni disseram: 'já falou uma vez, não fale mais', porque senão vamos pagar as consequências. Os jogadores não podem falar. Estão todos ameaçados. Ameaça esportiva, dizem que vão nos suspender. Mas peçam desculpa, poxa. O único que deveriam dizer é: cometemos tantos erros, somos os responsáveis. E se acabou isso."
"Os jogadores foram obrigados a fazer isso. Nos deixaram sem opção. E agora temos que ter medo às possíveis sanções. Isso é uma vergonha. Uma vergonha! Tudo em um país que, como organizador, tem a responsabilidade também. Nunca disse nada, mas já passei por situações que são muitíssimo mais graves que essa. Trabalhei seis anos na Argentina. Isso não é nenhum problema. O que não é certo é condenar os jogadores. E eu sei de uma coisa: quando virem isso, vão me tirar a razão. É um energúmeno, um louco".
O que mais foi criticado na Copa América?
Néstor Lorenzo, técnico da Colômbia, sobre segurança
“Nós estávamos no vestiário aquecendo e nos avisaram que iria atrasar meia hora. Creio que demorou uma hora, certo? Uma hora e quinze, um pouco mais. Imagine só. Estávamos tentando nos comunicar com familiares e amigos, ver se estavam com problemas ou não. Isso atrapalhou um pouco tudo. Foi caótico”.
“Tentamos manter a calma, mas havia muita ansiedade. Imagine a programação do dia para jogar uma final, é tudo planejado minuto a minuto. Aí chega a hora de jogar e tem que esperar 30 minutos, 45 minutos, uma hora. Claro que afetou os dois times. Não é uma queixa, mas uma reclamação”.
Messi sobre a temperatura
"A verdade é que foi uma Copa (América) difícil, campos bem ruins, a temperatura muito alta, foi difícil de jogar"
