Neste domingo (14), a seleção da Argentina se despede de um de seus maiores ídolos: o meia-atacante Ángel Di María.
O craque, que deve ser titular na grande final da Copa América, contra a Colômbia, às 21h (de Brasília), fará no Hard Rock Stadium, em Miami, seu último jogo com a camisa da Albiceleste, encerrando assim uma passagem de 15 anos, 10 meses e oito dias como atleta da seleção.
Já não há mais chance para recuar. Como o próprio camisa 11 disse na última terça-feira (9), após a vitória por 2 a 0 sobre o Canadá, a decisão está tomada.
"Será minha última batalha", reforçou o astro, na zona mista do MetLife Stadium, ainda com os olhos marejados pela emoção da despedida que se aproxima cada vez mais.
O técnico Lionel Scaloni, por sua vez, admitiu que está comovido com a despedida do atacante, mas não quis garantir que ele começará como titular na finalíssima da Copa América.
"Contra o Equador [nas quartas de final], poderia ter sido a última partida ele... E, com erro meu ou não, considerei que ele não tinha que jogar naquele dia. No final, deu certo, permitindo a ele jogar na semifinal e, por que não, na final...", discursou, fazendo mistério.
"Sabemos que será sua última partida, mas a equipe tem que estar sempre à frente. Se entendermos que ele tem que jogar, começará jogando. Senão, a partida ficará à frente", seguiu.
"Como treinador, esse é o básico. Temos que pensar primeiro na partida, que tem muitos condicionantes. Vamos torcer para tudo ir bem e para que Ángel possa se despedir da melhor forma", complementou.
A expectativa, porém, é que Di María seja, sim, titular, formando o trio de ataque com o velho amigo Lionel Messi e com o matador Julián Álvarez.
Se isso de fato acontecer, o Fideo, como é conhecido por seu corpo esguio, completará sua 146ª partida com a camisa da Albiceleste.
Já faz tanto tempo que ele joga pela Argentina que, ao todo, somou quase 170 horas em campo pelo time, sendo comandado por oito treinadores diferentes.
Somando as seleções de base e principal, são cinco grandes títulos: Mundial sub-20 e medalha de ouro dos Jogos Olímpicos de Pequim-2008, nos tempos de base, e Copa América, Finalíssima e Copa do Mundo, já pela seleção principal.
Além disso, ele é o único jogador da história da Albiceleste a marcar em quatro finais: balançou as redes em Pequim 2008, na Copa América 2001, na Finalíssima 2022 e na Copa do Mundo 2022.
Di María participou ainda de vários vices, como os da Copa do Mundo 2014 e das Copas América 2015 e 2016, vivendo dramas pessoais nesses torneios.
¡Gracias de corazón, 'Fideo'! 🫶🏼🇦🇷#CreeEnGrande pic.twitter.com/0cWvzF7H4g
— CONMEBOL.com (@CONMEBOL) July 12, 2024
Abaixo, elencamos os cinco momentos-chave de Di María pela Argentina:
1. O primeiro chamado
Sensação das seleções de base da base da Argentina, Di María recebeu de forma inusitada a notícia de sua primeira convocação para a equipe principal.
Isso aconteceu no dia 23 de agosto de 2008, horas antes da final do torneio de futebol dos Jogos Olímpicos de Pequim-2008.
Di María recebeu a notícia de que o técnico Alfio Basile havia lhe chamado para os próximos compromissos das eliminatórias para a Copa do Mundo-2010 quando estava no ônibus a caminho do Ninho do Pássaro, estádio que recebeu a decisão da medalha de ouro.
Como "agradecimento", ele fez o gol da vitória por 1 a 0 sobre a Nigéria, que deu o 1º lugar do pódio à Albiceleste no futebol das Olimpíadas.
Duas semanas depois, o jovem craque fez sua estreia pela seleção principal num empate por 1 a 1 com o Paraguai, começando como titular e saindo no 2º tempo para a entrada de Sergio Agüero.
2. "Di María matou quem?"
Em 1º de abril de 2009, a Argentina sofreu sua maior derrota na história das eliminatórias sul-americanas.
Comandada por Diego Armando Maradona, a equipe foi massacrada por 6 a 1 pela Bolívia, na altitude de La Paz, em um resultado que até hoje é lembrado pelo time azul e branco.
O jogo ainda ficou marcado pela expulsão "relâmpago" de Di María, que entrou em campo aos 12 do 2º tempo e levou vermelho direto apenas seis minutos depois.
O meia-atacante acabou sendo suspenso por quatro jogos pela Conmebol, o que fez Maradona se posicionar de forma forte em entrevista coletiva.
"O Di María matou quem?".
3. As lesões e o choro
Di María vinha fazendo uma grande Copa do Mundo em 2014, inclusive decidindo o difícil duelo das oitavas de final contra a Suíça com um belo gol.
Nas quartas contra a Bélgica, porém, ele sofreu uma grave lesão muscular, que o tirou de combate na semifinal contra a Holanda e depois da final contra a Alemanha.
Posteriormente, o então técnico da Albiceleste, Alejandro Sabella, revelou que o atleta o procurou antes da decisão do Mundial e, com lágrimas nos olhos, disse que estava disposto a fazer uma infiltração para jogar a final, apesar de o Real Madrid, seu clube à época, ter enviado uma carta pedindo para que ele se poupasse.
Sabella não quis arriscar e colocou Enzo Pérez para jogar. Nunca se sabe se com Di María teria sido diferente, mas a Argentina amargou o vice no Maracanã.
Um ano depois, ele voltou a se lesionar antes da final da Copa América 2015, contra o anfitrião Chile, que os argentinos perderam nos pênaltis.
A situação ainda se repetiu de forma quase idêntica na decisão da Copa América 2016: Ángel até começou jogando, mas saiu no 2º tempo depois de se machucar. Mais uma vez, a Albiceleste perdeu a taça nas penalidades, no 3º vice seguido da equipe.
"Meu problema é que, na seleção, muitas vezes eu exagero e tento fazer as coisas a 110% da minha capacidade. Meu corpo não aguenta", reconheceu o próprio Di María.
4. Rompendo a parede
Em 2021, finalmente Di María e a "geração Messi" conseguiram o 1º título com a camisa da Argentina, acabando com um jejum que já durava décadas.
Na final da Copa América daquele ano, a Albiceleste bateu o favorito Brasil, que jogava no Maracanã, por 1 a 0, com um golaço por cobertura de... Di María.
Após a partida, que foi disputada com público extremamente reduzido e diversas proibições devido à pandemia de COVID-19, Ángel sentou sozinho no gramado do Maracanã e fez uma chamada de vídeo com seu pai, Miguel.
Chorando muito, ele relembrou todos os dramas que viveu e as tristezas que passou até alcançar aquela glória no Maracanã.
"Viu só, pai? Algum dia a parede ia ser derrubada... E nós derrubamos!", festejou, emocionando também o papai do outro lado da ligação.
"Eu pedi muitas vezes, mas segui aqui. Nunca desisti, papai, como você e a mamãe sempre me ensinaram. Sempre insisti e consegui", comemorou.
E a parede de fato caiu... Na esteira da Copa América, vieram os títulos da Finalíssima 2022 e da Copa do Mundo 2022, com Di María marcando nas duas partidas.
5. O pedido de Messi
Antes da semifinal da Copa América 2024, contra o Canadá, Lionel Messi colocou a braçadeira de capitão, reuniu todos os jogadores da Argentina no vestiário do MetLife Stadium e fez um pedido: que a equipe conquistasse a vaga na final como "presente de despedida" para Di María.
A "estratégia" funcionou, com a Albiceleste vencendo por 2 a 0 e confirmando a ida à grande decisão no Hard Rock Stadium, dando a possibilidade do Fideo conquistar mais um grande troféu pela seleção antes do adeus definitivo.
Em entrevista depois do triunfo sobre os canadenses, Di María, que é totalmente avesso às conversas com a imprensa, atendeu aos jornalistas e confessou que ficou emocionado com as palavras de Messi, agradecendo ao velho amigo.
"Fico muito agradecido do melhor jogador da história dizer isso de alguém que esteja pensando em alguém que vá se aposentar da seleção. É algo único. Por isso ele (Messi) é tão especial", afirmou.
*com EFE
Próximos jogos da Argentina
Colômbia - 14/07, 21h (de Brasília) - Copa América
