Quem não se lembra do comentarista de arbitragem Arnaldo Cezar Coelho, em sua épica parceria com Galvão Bueno e uma coleção de bordões criada pela dupla... “A regra é clara” e o “Pode isso, Arnaldo?” são apenas alguns que ficaram para a história da crônica esportiva.
Arnaldo se aposentou tanto da arbitragem, quanto da televisão, mas se engana quem pensa que ele abandonou completamente o esporte. Hoje, 81 anos, ele joga beach tennis orientado pela medalhista de prata no vôlei de praia em Atlanta 1996, Mônica Rodrigues.
O ex-árbitro, que é formado em educação física, desfila seu talento e disposição nas areias da praia de Ipanema, no Rio de Janeiro. Mais precisamente, no Posto 10, na quadra de beach tennis do local, todos os sábados e domingos com amigos muito mais jovens que ele.
"Eu me aposentei do mercado financeiro. Eu sempre mexi com corretoras de BM&F. Hoje eu tenho uma afiliada da Globo, que eu dirijo lá em Resende, no sul do Rio de Janeiro. Procuro trabalhar para encher a cabeça, porque o dia que você parar de trabalhar e parar de pensar, aí complica um pouco porque você tem que estar sempre pensando", contou, à ESPN.
Em quadra, Arnaldo se apresenta mais ágil e disposto do que muitos garotos de 18 anos. As provas são vistas em cada saque, smash, paralela ou bola curta que ele vai buscar – dando até peixinho na areia. Disposição que vem desde os tempos em que apitava, ainda muito jovem, nos campeonatos de futebol de areia nas praias de Ipanema e Copacabana...
"Apitei muitas partidas em um campo lindo que tinha aqui em Ipanema. E, quando o pau quebrava, eu saia a nado para fugir da briga", recordou ele. Arnaldo diz que hoje seu escritório é a praia, onde é só atravessar a Avenida Vieira Souto e dar de cara com o "quintal" onde sempre se preparou fisicamente. Desde as corridas na areia, onde fortalecia os músculos até as partidas de frescobol, aliadas aos jogos de tênis que, segundo ele, desenvolviam ainda mais seu reflexo como árbitro.
Aliás, coincidência ou não, Arnaldo hoje pratica o beach tennis que nada mais é a junção do frescobol e do tênis, criado em 1987, em Ravena, numa província da Itália.
"Aqui eu tenho grandes amigos e converso sobre finanças, sobre o mercado financeiro. Estou com 81 anos e tenho o direito de me divertir. E, com o beach tennis, é mais do que um esporte, é uma oportunidade de encontrar os amigos, conversar e se divertir nessa maravilha de praia que temos aqui."
Arnaldo é um homem de sorte. Além de bem-sucedido na vida financeira e esportiva, o professor aposentado conta com a orientação de uma treinadora de luxo, uma medalhista olímpica de prata nos Jogos Olímpicos de Atlanta em 1996 que conhece tudo sobre os esportes de areia.
Mônica Rodrigues, além de dar aula do esporte que a consagrou, o vôlei de praia, também é professora de beach tennis de Arnaldo e de vários alunos no Posto 10.
Ela assumiu o espaço depois da morte de seu marido, há seis meses, o Jorjão, outra lenda do vôlei, auxiliar de Bebeto de Freitas na fantástica campanha do vôlei nos Jogos de Los Angeles em 1984, quando o Brasil conquistou a medalha de prata.
"O esporte é minha vida, eu respiro esporte. Estar na praia, vir dar um mergulho, uma corrida, tudo isso é benéfico. E depois que parei de jogar, porque eu quis, operei o ombro e achava que, com 39 anos, eu não ia conseguir mais pular, né? Mas eu era muito exigente comigo e com as parceiras, então eu resolvi ser técnica", contou Mônica.
"Eu fui treinadora da seleção brasileira junto com a Letícia Pessoa, depois vieram outras duplas, e hoje eu dou treino de vôlei de praia e beach tennis."
Mônica se reinventou como treinadora, sabe que o beach tennis é um esporte que, além de agregar pessoas, tornou-se uma febre em todo o Brasil. Segundo ela, é uma das modalidades mais democráticas, sem preconceito de idade ou classe social.
"Virou uma febre. Acho que porque todo mundo pode jogar, você forma um grupo, é bacana, é social, você está ali ao ar livre, normalmente pegando um sol, curtindo uma praia, estando com os amigos e fazendo esporte. Aqui no nosso grupo, a maioria jogava tênis e, no fim de semana, vinha me ver jogando. Então passou a fazer parte do nosso grupo, que só aumenta."
"Não tem idade. Você vê, além do Arnaldo com 81 anos, eu dou aula para a minha mãe, que tem 84, ela treina todas as terças e quintas comigo. O importante é começar. Claro, sempre com a orientação de um profissional de educação física", segue.
Em quadra, Arnaldo parece mesmo um garoto, cheio de vigor e humor. O agora empresário não perde a oportunidade para cornetar a treinadora medalhista olímpica, que, além dele, orienta também sua esposa. "A Mônica é muito exigente", brinca ele.
