A Holanda mostrou que não será uma presa fácil para nenhuma equipe nesta Eurocopa, segurou a França (sem o Mbappé, é verdade) e continua na liderança do grupo D, agora com quatro pontos, o que praticamente lhe garante nas oitavas de final da competição.
Com o primeiro 0 a 0 desta Euro-2024, a seleção laranja pode avançar para o mata-mata mesmo se perder da Áustria na rodada final, pois os quatro melhores terceiros colocados se classificam. Para muita gente, a França é a grande favorita ao título deste ano, pois tem um elenco recheado de atletas de ponta. Mesmo bem desfalcada na Copa do Qatar, conseguiu ir à final e esteve a ponto de ser bicampeã mundial.
Deschamps se acostumou em sua gestão a bater na Holanda, inclusive chegou a golear a equipe dos Países Baixos por 4 a 0 em um desses últimos duelos. Só que nesta partida em Leipzig de agora, o jogo foi equilibrado na maior parte do tempo.
Na etapa final, os franceses tiveram mais volume, mas levaram nesse período um gol de Xavi Simons que foi bem anulado, na minha opinião. Houve interferência no goleiro Maignan na finalização do jovem jogador do RB Leipzig, que se sentiu em casa e quase resolveu o mais duro confronto para seu país nesta fase de grupos.
Em outubro do ano passado, a França venceu a Holanda por 2 a 1 mesmo jogando em Amsterdã. Vimos uma evolução na Laranja.
O técnico Ronald Koeman (que pode ser campeão da Euro como técnico e jogador, assim como Deschamps) começou com Frimpong adiantado pela direita. O destaque do Bayer Leverkusen vinha pedindo passagem no time e, como é muito ofensivo, pode muito bem jogar com Dumfries, que fecha a linha de defesa e avança mais na boa.
A primeira chance clara de gol do jogo foi justamente com Frimpong, que bateu meio mascado e quase surpreendeu Maignan. Pena que depois disso o ala direito holandês ficou mais tímido, tanto que seria substituído por Geertruida.
Em alguns momentos, Frimpong recuou para a lateral e Dumfries foi para o centro da defesa, fazendo um papel de terceiro zagueiro pelo lado direito. Esta variação tática permite à Holanda se defender com linha de cinco. Gostei dessa opção também, pode ser usada em outros momentos nesta competição.
Foi um primeiro tempo equilibrado em Leipzig. Os franceses só ficaram mais perigosos na etapa final, mas todos os defensores da Holanda, com destaque para Van Dijk e Aké, estão bem firmes e sólidos. A proteção à defesa que é o problema. Veerman não foi bem na estreia contra a Polônia e deu lugar a Frimpong.
Só que no meio quem cuidou mais do combate foram Schouten e Reijnders. Acho que o volante do PSV tem se comportado bem, mas seu parceiro ideal ainda é uma incógnita na contenção. Poderia ser Wijnaldum, veterano que entrou mais uma vez no segundo tempo, mas ele não está mais no auge de sua forma, sabemos.
Os desfalques da Holanda foram concentrados nesse setor de meio-campo, então a equipe de Koeman vai sofrer em alguns momentos para ter o controle das partidas. A França criou pelo meio mesmo algumas situações perigosas, mas acabou pecando na conclusão. Xavi Simons foi mantido no time, armando pelo centro e chegando à frente com frequência para se aproximar de Memphis Depay.
Se Frimpong está brigando por um espaço na direita, Gakpo continua dono da ala esquerda. Autor do primeiro gol da Holanda nesta Eurocopa, o jogador do Liverpool arriscou algumas de suas jogadas partindo da canhota para o meio, porém não teve a felicidade que encontrou na estreia. Obrigou Maignan a fazer boa defesa na etapa inicial, mas caiu de produção (como quase todo o time) no segundo tempo. Ele ao menos ajudou muito na recomposição defensiva.
Tenho dito que a chance de sucesso da Holanda nesta Eurocopa passa muito pela marcação e pela aplicação tática. Os atletas com mais qualidade técnica ainda não brilharam como se espera.
Memphis Depay teve seu melhor momento no lance do gol anulado de Xavi Simons. Ele fez bom giro e finalizou para defesa parcial de Maignan. O gol seria um grande estímulo para Xavi Simons, que tem buscado jogado, tentado alguns lances mais agudos, porém passa em branco na hora de balançar as redes. O jovem acabou saindo logo depois de o VAR anular seu gol de rebote.
Tanto o Koeman como a torcida holandesa esperam com ansiedade a explosão do talento de Xavi Simons com a camisa laranja. Frágil na parte física, ele tem sofrido também com algumas entradas e divididas. Se ele e Memphis Depay conseguirem subir o nível e fizerem gols, a Holanda pode sonhar mais alto.
O empate com a França foi o primeiro da seleção laranja desde o famoso 2 a 2 com a Argentina na Copa do Qatar, lembrando que a Holanda foi a única equipe que saiu invicta no Mundial.
Pensando na tabela e na classificação, o resultado pode ser considerado bom. Se não perder da Áustria, a equipe avançará em primeiro ou em segundo lugar no grupo D, e o chaveamento da Euro não é ruim em nenhuma das duas situações.
Caso fique em primeiro, a Holanda tende a enfrentar nas oitavas de final Turquia ou República Tcheca (essa um algoz histórico da Laranja, inclusive foi assim na última edição do torneios nas mesmas oitavas).
Se passar em segundo lugar, pega logo o vice do grupo E, que tem a irregular Bélgica (perdeu na estreia), a Eslováquia, a Romênia e a Ucrânia. Um desses quatro times pode ser o adversário da Holanda nas quartas de final se a Laranja ficar em primeiro lugar em seu grupo e superar também as oitavas.
Passando em segundo, tudo indica que haveria um confronto pesado contra Portugal (outro algoz histórico da Holanda) nas quartas de final. Sendo assim, a melhor coisa a se fazer é mesmo vencer a Áustria na rodada final e buscar a primeira posição da chave. Se conseguir isso, há uma chance real de o time laranja chegar às semifinais, o que seria ir além do que muita gente imagina para esta equipe de Koeman que tem suas limitações.
