Vivendo uma seca de mais de 60 anos sem títulos continentais, a Fiorentina tem a chance de - pela segunda temporada seguida - levantar a inédita taça da Conference League, em decisão contra o Olympiacos, nesta quarta-feira (29), em Atenas, com transmissão ao vivo pela ESPN no Star+, a partir das 16h (de Brasília). E a final também pode marcar a "redenção" de um brasileiro.
Campeão da CONMEBOL Libertadores com o Grêmio em 2017, o volante Arthur se transferiu para a Europa no ano seguinte e para vestir a camisa do Barcelona, uma das mais pesadas do Velho Continente. À época, o jogador era considerado um dos melhores da posição no Brasil, mas a lesões acabaram por atrapalhar a sua empreitada no Velho Continente.
Depois do Barça, Arthur foi negociado em definitivo com a Juventus, mas também não conseguiu se firmar na Velha Senhora. E mesmo emprestado ao Liverpool na sequência, o brasileiro seguiu sem engrenar no exterior - e novamente por conta de lesões.
Porém, desde que chegou à Viola, em novo empréstimo pela Juve, Arthur vem conseguindo jogar com regularidade e é um dos destaques do clube de Florença. Em entrevista exclusiva à ESPN, o camisa 6 revelou os bastidores de como deu a volta por cima - nesse que ele aponta como o melhor momento da carreira - e também indicou o seu próximo destino na janela de transferências.
Sobre as lesões, o brasileiro confidenciou como a melhora de sua saúde mental foi um diferencial que o ajudou a mudar de panorama: de passar um longo período no departamento médico a voltar a jogar com regularidade. E também deu créditos à Fiorentina e seu técnico, Vincenzo Italiano.
"Sofri algumas lesões. Eu até falo, talvez um pouco de má sorte, porque foram lesões que eram porradas, eram os males do ofício. Não tinha muito como fugir disso, mas tive uma preparação muito boa. Acho que todo o estafe da Fiorentina me ajudou muito, desde o treinador me dando confiança. Sabia que eu vinha de algum tempo sem jogar, me dando minutos, que era importante, inclusive esta temporada aqui na minha carreira é a que eu fiz mais minutos. Então é importante ter essa confiança do treinador. Mas, claro, todo o trabalho por trás também. Fisioterapia, alimentação, a parte psicológica também, que até nisso eu comecei a trabalhar. Acho que que eu aprendi bastante com as lesões também. Sempre que eu olho pra trás vejo como aprendizado, no que eu poderia fazer melhor para voltar ao meu nível. Eu acho que hoje eu estou no melhor momento da minha carreira, então agradecer a todos que me ajudaram, desde de estafe, médico, alimentação, enfim, acho que que essa temporada está sendo muito boa", começou por dizer.
"Sinceramente, eu nunca fui uma pessoa que tinha me importado muito com a saúde mental, eu nem conhecia esse termo. Para mim, eu tinha que estar bem fisicamente e podendo treinar e jogar. Eu nunca tinha parado para pensar o quanto era importante nossa saúde mental. E eu sou a prova viva disso. Comecei a fazer um trabalho e descobri muitas coisas que me ajudaram. Eu tinha muita ansiedade, porque nos meus momentos que eu tive lesões, eu queria voltar a jogar o mais rápido possível. E a gente sabe que precisa de um tempo para se recuperar. E foi aí onde eu comecei fazer esse trabalho psicológico, que me ajudou muito. Sinto a diferença hoje, quando eu entro em campo, sinto que estou muito melhor hoje. Eu tenho que agradecer os psicólogos, a psicóloga que me que me ajudou a ter essa saúde mental para assim estar bem em campo também fisicamente para jogar legal", prosseguiu.
"Até por isso eu comecei um tratamento psicológico. Eu tive uma lesão muscular, as outras foram todas por porrada. Você está no campo, ali você não vai tirar o pé. Não vai. Se você vai se machucar, machucou... Mas você não vai tirar o pé. Você vai dar seu sangue, porque é assim, males do ofício. Ainda mais eu que, quando entro em campo, sou competitivo e, se tiver que colocar o pé, eu vou colocar. Infelizmente, em algumas, acabei me machucando e tive alguns momentos ali que são duros, de lesões graves, que ficam muito tempo sem jogar. E aí quando você volta, você fica com um pouco de receio. Não vou falar medo, mas receio. 'Pô, não é possível, não posso machucar mais'. E aí onde entrou o trabalho psicológico. Talvez eu estava com um pouco de traumas e me ajudou. Desde quando eu comecei fazer, graças a Deus, não tive mais lesões. Não vou falar que foi só por causa do psicólogo não, claro que não. Tem todo um trabalho por trás disso também, mas foi uma coisa que me ajudou, que agregou. Então, hoje me sinto muito bem. É a temporada que eu fiz mais minutos na minha carreira até hoje, então não vou mudar o que está dando certo".
Desde que chegou à Fiorentina, Arthur já disputou 47 jogos - algo que só superou em 2017 pelo Grêmio, com 50 partidas - e registrou 2 gols e 3 assistências. Destas aparições, 31 foram como titular, totalizando 2.810 minutos em campo.
Arthur também falou sobre o futuro e garantiu que, apesar do bom desempenho pela Viola, não permanecerá em Florença. De acordo com o volante, que tem contrato com a Juventus até junho de 2026, ele retornará a Turim para dar sequência à carreira, mas, claro, não sabe se ficará ou não.
"Eu tenho contrato de mais dois anos com a Juventus, então tenho que cumprir esse contrato. Esse é o futuro. Eu vim para a Fiorentina e agradeço muito pela oportunidade que me deram. Acho que aqui voltei a estar no meu melhor momento, tecnicamente, fisicamente. Mas são contratos, tem um contrato com a Juventus. A temporada que vem, eu volto para a Juventus, e veremos se eu sigo na Juventus ou se não", disse.
O meio-campista brasileiro ainda comentou sobre a possível chegada de Thiago Motta, ex-jogador brasileiro naturalizado italiano que levou o Bologna à Champions League, para treinar o clube alvinegro a partir da próxima temporada.
"É um grande treinador, fez um trabalho brilhante no Bologna, levou o Bologna para a Champions. Não sei quantos anos eles estavam sem jogar a Champions. Então é um grande treinador e espero ter a oportunidade de trabalhar com ele. Mas vamos ver o que acontece", finalizou.
Onde assistir a Olympiacos x Fiorentina?
Olympiacos x Fiorentina terá transmissão, ao vivo, pela ESPN no Star+, nesta quarta-feira (29), às 16h (horário de Brasília).
