Há um mês, o 'planeta futebol' ficou chocado. Até o apresentador da cerimônia, o ex-jogador Thierry Henry, parecia incrédulo ao fazer o anúncio: Lionel Messi foi eleito o melhor jogador do mundo de 2023 na premiação da Fifa, o The Best. Não é possível questionar o argentino, claro, um gênio do esporte e simplesmente o condutor da atual seleção campeã do mundo. Mas desta vez ele foi mesmo o número 1 da bola?
É a partir disto que a ESPN provocou 12 de seus talentos de sete países diferentes e fez uma espécie de eleição para se chegar a um veredito após reunir os apontamentos de todos. Veremos o resultado final já, já.
Antes, é importante detalhar que uma das coisas que mais serviram de argumento para se questionar o novo troféu dado a Messi é que o próprio regulamento da honraria era claro: não valia para avaliação dos votantes (saiba quais foram mais abaixo) o período da Copa do Mundo de 2022, no Qatar.
"O período de avaliação para os prêmios masculinos The Best -- Melhor Jogador, Melhor Goleiro, Melhor Treinador – foi de 19 de dezembro de 2022 a 20 de agosto de 2023", reforçou o site da entidade que rege o futebol em 14 de janeiro, em notícia que tinha como objetivo divulgar a premiação do dia seguinte, em Londres (Inglaterra), e elucidar ao público as regras da mesma.
E por que este período não valeu para o prêmio referente a 2023? Simples: porque a edição anterior do The Best teve como tempo válido para avaliação de 8 de agosto de 2021 a 18 de dezembro de 2022 (data da final da Copa). Duração maior, sim, justamente para englobar o primeiro Mundial disputado no Oriente Médio.
Quem vota no The Best?
A eleição de melhor jogador do mundo funciona em etapas. Primeiro, um colegiado da Fifa elege os pré-selecionados. Esses nomes, então, vão para a votação final. Nessa fase, são colhidos votos dos técnicos de todas as seleções associadas à entidade, dos capitães de cada uma das seleções, de jornalistas de cada país e do público. Cada um deles vota nos três melhores do mundo. O primeiro leva 5 pontos, o segundo fica com 3 e o terceiro, 1. Os três finalistas, claro, são os mais votados.
A escolha ESPN
Foram 12 os especialistas da ESPN chamados para a missão de escolher o seu melhor jogador do mundo de 2023: 2 da Argentina, 2 do Brasil, 2 da Espanha, 2 dos Estados Unidos, 2 da Inglaterra, 1 da Holanda e 1 do México.
Ao todo, foram cinco os atletas citados como número 1, curiosamente, todos estavam entre os indicados do Fifa The Best. Spoiler: Mbappé, do Paris Saint-Germain, entrou no top 3 de vários dos especialistas, mas não foi o primeiro colocado de nenhum deles.
Outro dado importante: quatro dos cinco jogadores colocados como número 1 são do Manchester City, comandado pelo técnico Pep Guardiola e ganhador da Tríplice Coroa no período da premiação: Copa da Inglaterra (FA Cup), Premier League e Champions League.
Vamos ao pódio?
Terceiro lugar, cada um com 1 voto
- Bernardo Silva, português, 29 anos, meia-atacante do Machester City-ING
- Kevin de Bruyne, belga, 32 anos, meia do Manchester City-ING
- Rodri, espanhol, 27 anos, volante do Manchester City-ING
Quem votou em Bernardo Silva? - Leo Gabes, ESPN Argentina
Quem votou em Kevin de Bruyne? - Moises Llorens, ESPN Espanha
Quem votou em Rodri? - Rob Dawson, ESPN Inglaterra
Segundo lugar, com 2 votos
Lionel Messi, argentino, 36 anos, meia-atacante de Paris Saint-Germain-FRA e, depois, Inter Miami-EUA
Quem votou em Lionel Messi?
- Esteban Edul, ESPN Argentina
- Roberto Gómez Junco, ESPN México
Primeiro lugar, com 7 votos
- Erling Haaland, norueguês, 23 anos, centroavante do Manchester City-ING
Quem votou em Erling Haaland?
1 - Cesar Hernandez, ESPN Deportes/EUA
2 - Gustavo Hofman, ESPN Brasil
3 - Marc Ogden, ESPN Inglaterra
4 - Marciano Vink, ESPN Holanda
5 - Rafael Ramos, ESPN Deportes/EUA
6 - Rodrigo Bueno, ESPN Brasil
7 - Rodrigo Fáez, ESPN Espanha
Haaland x Messi: veja e compare o que eles fizeram no período do Fifa The Best?
Como se viu acima, Haaland destruiu a concorrência na avaliação dos analistas ESPN, ganhou a disputa com sobras e foi o melhor jogador do mundo. Com 7 votos dos 12 possíveis, o atacante do City teve 5 a mais que Messi, vencedor do prêmio da Fifa.
Logo, vale relembrarmos o que argentino e norueguês fizeram pelos campos entre 19 de dezembro de 2022 e 20 de agosto de 2023.
Messi jogou com o 'carimbo' de campeão mundial, algo inédito até então em sua carreira, causou um alvoroço absurdo com sua chegada a um novo centro do futebol, defendeu dois clubes e a seleção, fez muitos gols, distribuiu assistências e ganhou mais títulos.
Ao todo, no período, o argentino participou de 32 partidas, anotou 24 gols e deu 8 assistências. E levantou duas taças, do Campeonato Francês, com o Paris Saint-Germain, e da Leagues Cup, sua primeira competição pelo Inter Miami, dos Estados Unidos.
Messi no período The Best
- Pelo PSG - 22 jogos (por Ligue 1, Copa da França e Champions League), 9 gols e 6 assistências
- Pelo Inter Miami - 7 jogos (todos pela Leagues Cup), 10 gols e 1 assistência
- Pela Argentina - 3 jogos (todos amistosos), 5 gols e 1 assistência
Haaland, no período, empilhou taças e foi uma máquina de fazer gols, gols e mais gols. Desta forma, acabou simplesmente como artilheiro isolado da Champions League, com 12 tentos, e da Premier League, com absurdas 36 bolas nas redes, tornando-se o maior goleador da história de uma edição da disputa, que começou em 1992/1993, e quebrando uma marca de 28 anos da competição - ele superou Andy Cole (1993/94, pelo Newcastle) e Alan Shearer (1994/95, pelo Blackburn), ambos com 34 gols.
No período considerado pela Fifa, o atacante participou de 41 jogos, anotou 33 gols e deu 7 assistências, além de conquistar incríveis quatro títulos com o City: Champions League, Premier League, Copa da Inglaterra (FA Cup) e Supercopa da Europa.
Haaland no período The Best
- Pelo Manchester City - 41 jogos (por Supercopa da Europa, Copa da Liga Inglesa, Copa da Inglaterra, Premier League e Champions League), 30 gols e 6 assistências
- Pela Noruega - 2 jogos, 3 gols e 1 assistência o Inter Miami - 7 jogos (todos pela Leagues Cup), 10 gols e 1 assistência
