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Sensação da Copinha, técnico que eliminou São Paulo superou câncer de pulmão: 'Maior vitória da minha vida'

Apenas um ano depois de vencer a maior batalha de sua vida, Rafael Stucchi tem impressionado na atual edição da Copinha. O técnico do Novorizontino, que enfrentará o Athletico-PR pelas quartas de final nesta quinta-feira (18), já eliminou os gigantes Botafogo e São Paulo durante o torneio.

Em agosto de 2022, ele foi diagnosticado com um agressivo câncer no pulmão após passar mal durante um final de semana. Enquanto tomava soro na veia no hospital em Presidente Prudente, onde sua esposa trabalha, o treinador descobriu a doença.

"No meu primeiro dia de férias dei entrada para fazer exames e no ultrassom constou que tinha um líquido no coração que estava derramando para outros órgãos. Tinha um medo por causa da COVID e no raio-X viram que meu o pulmão estava mais de 90% tomado", contou Rafael ao ESPN.com.br.

Com a oxigenação muito baixa, o treinador foi encaminhado diretamente para a UTI (Unidade de Terapia Intensiva). Foi retirado cerca de um litro de líquido do coração do técnico, o que impressionou até mesmo o médico.

"Ele me disse que o comum era ter 35ml e o máximo que ele tinha visto era de 100ml. O médico me falou que eu poderia ter morrido com uma parada cardiorrespiratória se estivesse trabalhando em campo. Eu iria me apresentar no profissional, mas pedi um dia a mais de descanso para ficar com a minha esposa. Foi o que me salvou".

"Essa notícia foi um choque e ninguém estava preparado para isso. Recebi muito apoio do clube, da minha família e dos meus amigos. Eles me ajudaram a tornar mais fácil encarar tudo isso. Por mais grave que fosse, eu estava confiante".

Depois de três dias na UTI, Rafael começou a fazer o tratamento, que consiste em uma dieta restritiva de alimentos, exercícios físicos regulares e a ingestão de um medicamento diário - para o resto da vida - contra a doença.

"O câncer tinha uma mutação e comecei a fazer a terapia-alvo (que é uma droga que ataca especificamente as células cancerígenas). Preciso ter muita disciplina para seguir a vida normalmente".

Após três meses afastado do serviço, Rafael ficou como uma espécie de coordenador técnico do Novorizontino e não sabia se voltaria a ser técnico. No entanto, o incentivo da esposa foi fundamental para que ele não desistisse da carreira e retornasse ao campo.

"Acordar e poder viver é o maior presente de Deus. Recebo muitas mensagens de pessoas com câncer, que é uma palavra que está muito relacionada a sofrimento e morte. O tratamento é bem desgastante, mas encarei como uma superação e me aproximou muito mais de Deus e das pessoas que gosto".

A grande notícia veio em dezembro do ano passado. Após refazer os exames, foi detectado que o pulmão estava limpo.

"Foi a maior vitória da minha vida. Muita gente enfrenta problemas e precisamos ter muita fé para não desistirmos. A grande lição que aprendi disso tudo foi viver um dia de cada vez. Sempre fui muito ansioso e queria controlar tudo e pensava no futuro o tempo todo. O dinheiro é importante porque te traz facilidade, mas naquele momento na UTI não tinha qualquer valor. Ele não poderia comprar a minha vida".

"As pessoas hoje em dia atropelam muitas coisas em busca de sucesso incansável, poder e dinheiro. Mas isso não tem valor nenhum. Meu maior sonho é ter saúde para continuar trabalhando e realizando os objetivos desses meninos. Quando eles conseguem vencer as batalhas, eu também me sinto realizado".

Sensação da Copinha

Rafael tentou a carreira de jogador e atuou na base da Ferroviária, mas resolveu aos 20 anos seguir fora das quatro linhas após se formar em educação física. Ele passou um período de estudos nos Estados Unidos, antes de trabalhar em times como Américo-SP e São Carlos-SP.

Ele chegou ao time sub-17 do Novorizontino como preparador físico, mas depois assumiu como técnico pelas equipes sub-15 e sub-17 até chegar ao sub-20.

No ano passado, o treinador foi semifinalista do Paulista sub-20, sendo eliminado pelo Palmeiras. Com a mesma base do Estadual, chegou confiante para a disputa da Copinha.

"É o time todo de 2023, menos o lateral Tutu, que foi o primeiro jogador do clube chamado para a seleção brasileira, que teve uma lesão. Foi uma grande perda".

Na fase de grupos, o clube paulista se classificou após vencer o Comercial, empatar com a Chapecoense e empatar com a Jacuipense com um gol nos acréscimos do segundo tempo.

Na segunda fase, o Novorizontino eliminou o Botafogo, que tinha 100% de aproveitamento, com um triunfo por 2 a 0. Depois disso, passou por Tiradentes-PI antes de vencer o favorito São Paulo - de virada - por 3 a 2 na última terça-feira.

Com isso, o Novorizontino faz a sua melhor campanha na história da competição.

"Foi a terceira vez seguida que o clube chegou às oitavas. É um grupo muito trabalhador e sério, que gosta de treinar. É uma equipe muito inteligente que sabe se adaptar aos jogos. Nós sempre jogamos de forma mais ofensiva, mas contra o Botafogo e o São Paulo soubemos ser mais marcadores".

"Não foi uma surpresa por tudo que fizemos no ano passado, fomos o único time a vencer o Palmeiras no Paulista. Fomos coroados nesta Copinha vencendo duas equipes gigantes, que têm um trabalho muito sério na base. Esse grupo já enfrentou muitos desafios".