Quando morava no Panamá, Yavir Kadir viu muitos amigos de infância se perderem no crime por falta de oportunidades. No entanto, o jovem resolveu seguir um caminho diferente e agora tem na Copa São Paulo de futebol júnior uma grande chance para mudar de vida. O atacante defende a Portuguesa, que está classificada para a segunda fase da competição.
Abandonado pelo pai na infância, o jovem foi criado pela mãe em uma favela na cidade de Colón. Aos 10 anos, ele abandonou a escola e apostou tudo no sonho. Por ser natural de um país onde o futebol não é um dos esportes mais populares, ele teve dificuldades para conseguir se estabelecer.
O garoto começou em projetos sociais locais por incentivo da mãe e se destacou. Descoberto por empresários brasileiros que moraram no país, ele foi trazido ao Brasil.
“Cheguei ao Grêmio com a ajuda dos meus empresários Rubens Romano e João Henrique de Oliveira. Eles tinham um projeto de captação de atletas no Panamá e me levaram para fazer um teste no Grêmio".
A passagem pela capital gaúcha, porém, não durou muito tempo.
"No começo foi difícil, com o falecimento da minha mãe. Mas, minhas irmãs sempre me apoiaram e não me permitiram desistir. Então me mudei para o Brasil, fui aprovado no Grêmio, mas fiquei por dois meses apenas, por questões burocráticas”.
Depois disso, ele passou três meses no Rondonópolis, do Mato Grosso, antes de ser aprovado no time sub-20 da Portuguesa. Depois de passar uma primeira temporada sem jogar muitas vezes, atacante se firmou no ano passado.
“Sinto que estou no caminho para realizar meu sonho. Sei que é um caminho demorado para isso, mas foi dando um passo de cada vez que cheguei até aqui e essa é minha mentalidade. Sou grato à Portuguesa pela oportunidade e retribuo isso dentro de campo. Sei que quando jogo, represento todos os meninos que vieram do mesmo lugar que eu e que também sonham em vencer na vida. Eu venci, quero que outros vejam que é possível!”, afirmou.
Na atual edição da Copa São Paulo, Kadir já balançou as redes e espera se destacar para chegar ao time profissional, que disputa a Série A1 do Paulistão.
“A Copinha é a maior competição da base. É uma honra poder jogar e ter marcado gols em um campeonato em que grandes jogadores passaram e fizeram história. Representar a Lusa, sua tradição na competição é o meu foco. Sinto que podemos surpreender, como fizemos no Paulista ano passado. Mas, é um passo de cada vez”, finalizou.
