Na madrugada deste sábado (6), o futebol brasileiro e mundial se despediu de um de seus maiores ícones: aos 92 anos, Zagallo morreu no Rio de Janeiro, deixando um enorme legado dentro e fora das quatro linhas. Nas últimas horas, o Velho Lobo recebeu muitas homenagens das mais diversas personalidades, entre elas o jornalista Galvão Bueno.
Durante participação no programa "É de Casa", da TV Globo, Galvão se emocionou ao se despedir de Zagallo, com quem cultivou uma grande amizade. Profissionalmente e também no dia a dia. O jornalista ainda afirmou que o ex-jogador e técnico deixou um enorme legado para o futebol.
"Muita dor, muita tristeza. Eu sempre tive um ótimo relacionamento com o Zagallo. Não é aquela amizade de ser ver sempre, mas aquele tipo de amizade que, quando se vê fora do ambiente de trabalho, era uma coisa muito gostosa. E no ambiente de trabalho também. Sempre tive uma admiração gigantesca pelo Zagallo, e o Zagallo sempre teve um respeito muito grande por mim", começou por dizer.
"Ele tinha uma capacidade de fazer as coisas, fazer um bem pro futebol... inigualável. Se nós voltarmos para a Copa de 58, o Zagallo era um ponta esquerda, ele sabia driblar, sabia fazer gols e fez um belíssimo gol na final contra a Suécia. Mas ali em campo ele criou um novo desenho para o futebol mundial: o formiguinha. Ele fazia o papel de atacante, mas preenchia o meio-campo. Isso mudou a história do futebol a ponto do Guardiola, o técnico do momento, já ter dito mais de uma vez: 'meu avô e meu pai falavam como o Zagallo fazia a seleção brasileira jogar. Meu futebol é inspirado naquilo que o Zagallo criou no futebol", prosseguiu.
"Como ser humano era admirável. Ele era ranzinza, mas ele chegava na emoção. Eu fiz uma entrevista em um treinamento na Copa de 98, na França, e ele foi as lagrimas de uma forma, lembrei da vida, das derrotas, das vitórias. Encontrei o Zagallo em um dia desfile da escolas de samba, o filho dele me viu e disse: 'Papai tá aqui e quer falar com você'. Cumprimentei, abracei e choramos juntos", disse, antes de concluir.
"O Zagallo pegou cinco camisas 10 e botou todos eles na seleção de 70. Ele criou uma seleção, sem nenhum questionamento, o maior time que já foi montado na história de futebol. Do meio pra frente foi como ele conseguiu juntar um monte de camisa 10 e botou todo mundo pra jogar. Zagallo é eterno."
