Atual jogador da Ponte Preta, Paul Breitner Villero Arevalo teve uma guinada na vida no final do ano passado. Logo após o encerramento do Campeonato Paraguaio de 2022, ele estava sem receber salários no modesto Rubio Ñú, que jogava a segunda divisão. Durante as férias, o colombiano resolveu trabalhar lavando carros na empresa do pai de um amigo.
Com uma filha de um ano à época, o atacante precisava pagar as contas de casa.
O problema é que Paul não sabia como fazer o serviço em um lava jato.
"Eles disseram que isso não importava e me ensinaram como fazer. Foi uma experiência legal porque aprendi bastante e isso me encheu de força. Obviamente, estava tranquilo porque estava ganhando dinheiro para que não perdesse nada para a minha família", disse ao ESPN.com.br.
O período fora dos campos fez o atacante refletir sobre a própria condição de atleta.
"Nós, jogadores de futebol, fazemos o que gostamos e recebemos para isso. É uma vida que muitos gostariam de ter, mas a realidade é bem diferente porque as pessoas precisam trabalhar o dia todo para levarem o pão para casa. Hoje, valorizo muito mais o que tenho".
"Cada vez que me lembro disso, me dá vontade de chorar porque sinto que Deus estava me preparando para algo muito bom que viria na minha vida".
A novidade veio apenas um mês depois de começar no serviço. Um analista de vídeo brasileiro que trabalhava no Paraguai foi contratado pelo Náutico e sugeriu o nome de Paul Villero, que foi aprovado pela diretoria.
Após os primeiros contatos, o atacante admite que ficou em dúvida porque já tinha quase tudo acertado com um time da 1ª divisão paraguaia, mas aceitou mudar-se para Pernambuco.
"Depois de conversar sobre isso com a minha família resolvi vir. Acho que foi a melhor decisão da minha vida vir jogar aqui no Brasil".
Vendedor de sapatos
Vindo de uma família humilde, o jovem recebeu o apoio dos pais para seguir na carreira no esporte e começou a jogar em escolinhas. No entanto, precisou trabalhar vendendo sapatos nas férias escolares para ajudar em casa até ver a carreira decolar.
Assim que virou profissional, Paul Villero defendeu os clubes paraguaios Ovetense e Rubio Ñu, no qual jogou por três temporadas. No começo deste ano, ele foi contratado pelo Náutico.
"Minha passagem pelo Náutico foi algo único e maravilhoso para a minha vida. Aprendi muitas coisas e conheci muitos jogadores experientes que me ajudaram no meu crescimento. Fui muito bem acolhido e dei o meu melhor em campo".
O colombiano fez 40 partidas pelo clube pernambucano e anotou quatro gols antes de ser contratado pela Ponte Preta para a disputa da Série B do Brasileiro.
Em três meses na equipe de Campinas, o jogador sofreu um pouco para conseguir se adaptar, mas foi premiado com um gol na última rodada da competição. A vitória contra o CRB por 3 a 0 livrou o time do rebaixamento.
"Amadureci tanto no sentido futebolístico quanto na parte mental graças aos meus companheiros que me ajudaram. Conseguimos alcançar aquele objetivo de nos mantermos na Série B e terminei o ano marcando gols e ajudando o time".
Paul Villero, que tem contrato com o clube alvinegro até o meio de 2025, espera disputar pela primeira vez a Série A1 do Campeonato Paulista no ano que vem.
"Minha intenção é jogar aqui para poder ter boas atuações e depois ver o que o destino nos traz, mas hoje estou focado na Ponte", finalizou.
