"Pé esquerdo, pé direito, cabeçadas, ritmo, agressão, intuição... Não há fraqueza óbvia em seu jogo. O que eu amo nele? Tudo".
A fala de Alan Shearer, um dos maiores artilheiros da história da Premier League, sobre o jovem Evan Ferguson, do Brighton, pode soar exagerada. No entanto, o jogador da Irlanda é visto como prodígio e futuro grande nome de sua seleção, que enfrentará a Holanda pelas eliminatórias da Eurocopa neste sábado (18), às 17h (de Brasília).
Nada mal para quem tinha como plano trabalhar com algo bem menos badalado caso o futebol não desse certo: ser carteiro.
"Comece às seis, termine à uma, pronto", disse Ferguson em entrevista ao jornal inglês Daily Mail sobre a rotina menos desgastante dos entregadores de correspondência no país.
Aos 19 anos, o atacante, que era torcedor do Manchester United na infância, é considerado bastante humilde fora de campo e sem grande afetações pela repentina fama no Reino Unido. Dentro das quatro linhas, porém, ele se transforma.
Evan Ferguson vem de uma família que tem futebol no sangue. Filho de Barry, ex-zagueiro do Coventry e da seleção irlandesa, e sobrinho-neto de Damien, ex-atacante do United campeão da Champions em 1968, ele também tem uma irmã que joga nos Estados Unidos.
Após começar em equipes de menor porte, o atacante chegou à base do Bohemians, clube mais antigo de Dublin. Ele estreou na equipe principal com apenas 14 anos em um amistoso de pré-temporada contra o Chelsea, em 2019. Era também a primeira partida de Frank Lampard como treinador dos Blues.
Ferguson entrou no segundo tempo da partida e deixou uma boa impressão no empate por 1 a 1. Pouco tempo depois, um mês antes de completar 15 anos, ele se tornou o mais jovem a disputar uma partida oficial pelo clube irlandês.
"Nessa idade, você não compreende em sua cabeça o que fez. Só agora, olhando para trás e vendo meus primos de 13, 14 anos, é que sei que foi uma loucura", disse Ferguson, na mesma entrevista ao Daily Mail.
Depois disso, o garoto fez mais três jogos na temporada seguinte antes de ir para o Brighton, em janeiro de 2021. O clube inglês venceu a concorrência de peso de outros dois times da Premier League para ficar com o jogador: Everton e Liverpool.
"Fui a Liverpool algumas vezes. É um bom clube, mas você vê tantos garotos no Liverpool desaparecendo e não há chance de entrar no time titular. Eu estava pensando: 'Será que quero jogar apenas dois anos no sub-18 e depois ir para os 23 e daí para onde?”, disse ao The Athletic.
Esperança da Irlanda
Ferguson conseguiu o principal objetivo na nova equipe. Depois de passar um tempo no time sub-23, ele começou a ganhar mais tempo no segundo ano.
Na temporada passada, ele marcou 11 gols e deu quatro assistências em 28 partidas pelo Brighton, uma das sensações do Campeonato Inglês. Foi o primeiro adolescente a balançar as redes mais de dez vezes na liga desde Wayne Rooney nos tempos de Everton.
Sandro, ex-volante do Tottenham e da seleção brasileira, que faz estágio com o técnico Roberto de Zerbi desde agosto no Brighton, se impressionou com o irlandês.
"Ele é muito jovem e tem tudo para chegar no mais alto nível. É um jogador forte e tem o estilo do Harry Kane, mas o Ferguson não volta para armar as jogadas. Mas ele tem a vontade, a força e o poder de finalização muito bom. Ele precisa jogar mais próximo do gol e pode fazer o pivô, mas não pode atuar como um camisa 10 como faz o Kane", disse ao ESPN.com.br.
Apesar do jornal Daily Mail relatar sobre o assédio dos principais clubes do país, entre eles Chelsea e Manchester City, Ferguson assinou um novo contrato até junho de 2029 com o Brighton.
Apesar de poder jogar pela Inglaterra por causa de sua mãe inglesa e de possuir o passaporte britânico, Ferguson optou por defender a Irlanda desde as seleções de base. A esperança dele é conseguir fazer o país disputar uma grande competição, o que não ocorre desde a Eurocopa de 2016.
A última Copa do Mundo da seleção foi em 2002, na Coreia do Sul e Japão, quando caiu nas oitavas de final para a Espanha.
