Gabriel Pirani não esperava sair do Fluminense neste ano, mas uma tentadora oferta do DC United o fez mudar de ideia. O meio-campista estava feliz e vivia um dos melhores momentos da carreira nas Laranjeiras antes de ir para os Estados Unidos e ser comandado pelo ex-atacante Wayne Rooney, lenda do Manchester United.
"Foi tudo muito rápido, mas entendi que seria melhor sair. Sou muito grato ao Fluminense e optei por um planejamento de carreira que me cativou. Eles mostraram as condições do clube, como poderia me desenvolver sendo protagonista um pouco mais rapidamente", disse ao ESPN.com.br.
"Trabalhar com o Rooney foi um dos motivos que me fez vir para cá. Ele foi um jogador extraclasse e acompanhei muitos vídeos da carreira dele. Toda a comissão técnica e o elenco tentam falar comigo em português".
A equipe norte-americana tem uma parceria com o simulador Football Manager para procurar por talentos na América do Sul.
"Nós temos um acordo onde cedemos publicidade em troca do acesso aos olheiros, cerca de onze ou doze, que eles usam em diversos lugares ao redor do mundo para ajudar na criação do game", confessou Rooney ao jornal The Times.
Curiosamente, o brasileiro tem uma nota alta no jogo, o que pode ter influenciado na sua contratação.
"Estou curioso para descobrir isso, mas chegando aqui já treinei três dias e fui treinar. Mas se o Rooney falou, não tem como duvidar (risos). Meu irmão é apaixonado por esse jogo e eu sempre ficava como auxiliar dele na montagem de treinos. Desde que estava na base do Santos pedia para ele me contratar (risos)".
Desde chegou ao DC United, ele fez três partidas como titular.
"Converso muito com os latinos e procuro entender bem o inglês, mas ainda não falo tanto. A parte de dentro de campo me ajuda na adaptação. Aqui é tudo muito moderno, mas em termos de jogo não muda tanto".
Emprestado pelo Santos - com opção de compra - até o meio de 2024, Pirani prefere não fazer planos para depois do final do vínculo. "Coloco as coisas na mão de Deus e tenho que trabalhar".
"Rooney é um cara que observa bastante e dá alguns conselhos pontuais. Procuro escutar bastante porque é uma referência. Vi poucas vezes ele brincando de acertar o travessão e dando umas viradas de jogo. Dá para ver como ele era acima da média".
Mudança de carreira com Diniz
Revelado pelo Santos, Pirani foi emprestado ao Cuiabá no ano passado antes de ser cedido ao Fluminense, no começo de 2023. Sem muito espaço na Vila Belmiro, o jovem recebeu um convite do técnico Fernando Diniz, que o comandou no Peixe, para mudar-se para as Laranjeiras.
"Ele me explicou como seriam as coisas e aceitei. Foi muito importante porque depois de 2021 foi o momento que mais evolui na carreira. Nunca tinha perdido contato com o Diniz, que é um ótimo treinador é uma pessoa excelente. Fiquei feliz em poder voltar a trabalhar com ele".
"Era um novo começo e precisava recuperar meu espaço porque havia jogado poucas vezes nos últimos meses. Sabia que teria uma oportunidade e precisava ir bem porque a concorrência era muito grande. Fui muito bem recebido pelo grupo e um dos meus ídolos no futebol, o Ganso, me deu muito apoio".
Em seis meses no Rio de Janeiro, ele venceu o Campeonato Carioca e fez gol na final da Taça Guanabara. Além disso, esteve em campo contra o River Plate no Maracanã pela fase de grupos da CONMEBOL Libertadores.
"Acho que fui muito bem. O Diniz sabe como gosto de trabalhar. Quando saí vivia meu melhor momento no Fluminense. Atuei em outras funções e até como lateral-esquerdo. Precisei mudar meus comportamentos dentro de campo".
Agora, ele ficará na torcida pelo Flu na semifinal da Libertadores contra o Internacional.
"Para mim não é surpresa nenhuma. Sabia que chegaria longe e falei isso para os companheiros. Vou estar sempre na torcida por terem aberto as portas quando muitas pessoas tivessem dúvidas sobre o que poderia render. Não perco um jogo do Flu.
"Além de ter muitos craques juntos e fazer muitas jogadas bonitas, é um grupo sem vaidade. Isso parte do Diniz de conhecer como lidar com os jogadores, que são muito unidos".
