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Lugano diz que criticar Neymar por ida para a Arábia é 'hipocrisia' e revela o que faria no lugar do atacante brasileiro

Após dez temporadas na Europa, Neymar está a caminho da Arábia Saudita. O astro trocou o Paris Saint-Germain pelo Al Hilal e vai receber cerca de 200 milhões de euros (R$ 1,8 bilhão) em dois anos de contrato.

Mas, afinal, o atacante fez um bom negócio ao deixar o Velho Continente para se aventurar no mundo árabe? O assunto foi tema de debate no Resenha da Rodada desta segunda-feira (14) e, na visão de Diego Lugano, comentarista da ESPN, criticar o brasileiro por ter tomado tal decisão é ''hipocrisia''.

''A gente vive um mundo muito hipócrita. Há mentiras bonitas que todo mundo quer escutar e verdades mais grossas que ninguém quer ouvir. Criticar Neymar por esse movimento faz parte da hipocrisia. Qualquer um de nós, pelo dobro de salário, mudaria de emprego, mudaria de empresa, de canal de televisão. O principal é que o mundo do futebol está tendo hoje um movimento absurdo'', afirmou o uruguaio.

''O movimento da Arábia supera o que fez a China no passado. É obviamente diferente do dinheiro genuíno que o futebol gera, como na Inglaterra e em outros países, que a indústria gera esse recurso. É uma loucura, de um fundo soberano de um país que tem dinheiro de sobra. É muito melhor pagar um jogador de futebol do que financiar guerras, terrorismo, doenças ou armas. E ainda mais fenômenos como Cristiano, Messi, agora Neymar. Não tem como rejeitar. A gente nunca viveu isso, ninguém viveu isso'', completou.

O ex-zagueiro não titubeou ao dizer o que faria no lugar no lugar de Neymar.

''O que eu faria realmente, e já pensei isso quando foi o Cristiano para lá. O (Oscar) Tabárez, nosso maestro, sempre falou para a gente: futebol não é a coisa mais importante do mundo, mas é o caminho mais rápido para atingir a coisa mais importante do mundo. Eu não quero 700 milhões de dólares. Para que quero isso? Eu diria: vem cá, Arábia, subsidie petróleo para o meu país, um contrato por cinco anos. Não tem nada mais que possa mudar a matriz de um país do que isso. Se você negocia o petróleo a preço de custo, deixa todo mundo feliz, baixa o custo de vida, as indústrias vão se instalar, vai ter emprego para todo mundo e vira uma Noruega da América. Me daria mais alegria mais alegria que ser campeão do mundo'', pontuou.

''É impossível criticar um jogador que vai para lá, porque ninguém viveu isso e acho que ninguém mais vai viver'', concluiu.

Luís Fabiano e Fernando Prass também opinaram sobre o assunto. E, assim como Lugano, também entendem o motivo de Neymar ter aceitado o desafio.

''Não precisa nem pensar. 31 anos... Iria depender das minhas opções. Primeira opção era me manter na Europa. Se ninguém me quer, se não consigo o que eu pensava para a minha carreira, vou para a segunda: encher os bolsos'', disse o ídolo são-paulino.

''Acho que tem algumas coisas que a gente tem que pontuar. 'O Neymar escolheu ir para lá'. Não sei se ele escolheu, mas foi o que se apresentou. Não é o Neymar falar que vai para o Barcelona ou para o Chelsea. Tem que pagar. Tem outro aspecto. Neymar óbvio que decide o futuro, mas tem muito dos bastidores, porque ele não é um jogador livre'', pontuou Prass.

Por fim, quem também não ficou em cima do muro foi Fábio Luciano. O ex-zagueiro destacou ainda que o próprio PSG fez força para que Neymar não continuasse no Parque dos Príncipes.

''A gente pode separar a questão econômica da esportiva. É difícil cravar 'eu não iria' olhando para os valores. Se olhar, vai ter uma dúvida gigantesca. Mas tem a questão esportiva. A sociedade cria muita expectativa em cima do Neymar, pelo potencial que ele tem. Sempre olhou como possível postulante a melhor do mundo, sendo figura principal do time. Mas nem ele mesmo se olhou assim em alguns momentos. É o que se apresentou. O PSG fez força para ele sair, e essa briga veio se arrastando e ele permaneceu outras vezes. Tem os clubes que não abriram as portas e o caminhão de dinheiro'', avaliou.

''Não tem um projeto em cima dessa contratação. Quando o Cristiano foi, se olhava um cenário, uma movimentação da competição. Quando o Messi foi, entende a presença dele na liga. O Neymar agora faz um movimento com outros jogadores. O que fica é que ele foi junto com outros. É difícil apontar o dedo se ele está certo ou errado porque vários jogadores tomaram essa decisão'', completou.

Desde que se mudou para a França em 2017, Neymar conquistou cinco títulos da Ligue 1 e 13 títulos nacionais no total, além de terminar como vice-campeão na final da Uefa Champions League de 2020.

Com o acerto de fato com o Al Hilal, Neymar será companheiro de algumas estrelas que também deixaram a Europa, como o volante Rúben Neves, o meia Sergej Milinkovic-Savic, o zagueiro Kalidou Koulibaly e o atacante Malcom. Outro brasileiro do time é Michael, ex-Flamengo.