Quando Pelé explodiu pelo Santos nos anos 60 dizia-se na imprensa que Corinthians e Palmeiras perderam a chance de trazê-lo de Bauru. Não foi bem assim...
Pelé jogou quase 19 anos pelo Santos, onde chegou menino, com 16 anos, e despediu-se veterano, aos 33, com todos os títulos possíveis. Mas essa história poderia ter tido outro rumo não fosse a recusa de dois clubes em negociação iniciada pelos santistas.
Em 1957, antes de Pelé explodir, antes mesmo de chegar à seleção brasileira, ele participou de uma excursão com o Santos para o Sul do Brasil entre fevereiro e março.
Ainda reserva, ele entrou no segundo tempo do amistoso contra o Brasil de Pelotas, no estádio Boca do Lobo, em Pelotas, substituindo Pagão e mostrou bom futebol.
Mas naquele dia, um empate por 2 a 2, quem impressionou foi Joaquinzinho, apelido de Joaquim Gilberto da Silva, meia-atacante do time da casa.
Depois da partida, a diretoria do Santos tentou negociar com o Brasil de Pelotas a contratação de Joaquinzinho, oferecendo Pelé em troca.
Só não deu certo porque Clovis Gotuzzo Russomano, presidente do clube gaúcho, exigiu também uma compensação financeira para fechar o negócio.
Ao longo das décadas essa história ganhou outras versões e valores.
Uma delas diz que o Santos considerou a pedida de Cr$ 400 mil (cerca de R$ 268 mil hoje, segundo o IGP-DI) muito alta. Outra é o técnico Lula não admitiu ceder o talento mais jovem do elenco, dizendo que o menino ainda surpreenderia o Santos.
Uma terceira versão coloca o Brasil de Pelotas e não o Santos como o responsável por propor a troca de Joaquinzinho, seis anos mais velho que Pelé, pelo jovem craque.
De qualquer forma, Joaquinzinho não veio. Depois ele defenderia as camisas de Internacional, Corinthians e Fluminense, mas sem jamais se igualar a Pelé.
Também em 1957, quase Pelé foi parar no Sport. Carlos Roma, filho de Modesto Roma, diretor de futebol do Santos, chegou a tratar um empréstimo do jovem por quatro meses para que ele pegasse experiência. Não se sabe até hoje porque o clube pernambucano foi escolhido, mas há registros de troca de telegramas entre as diretorias como prova.
Pelé só não deixou o Santos porque um diretor do Sport considerou que o meia-atacante era muito magro e muito jovem e poderia não se adaptar. Sorte do Santos.
Corinthians e Palmeiras?
Onde entram Corinthians e Palmeiras nessa história?
Quando Pelé já começava a fazer sucesso no Santos surgiram histórias de tanto o Corinthians como o Palmeiras tiveram a chance de contratá-lo antes.
Isso teria ocorrido ainda nos tempos em que o garoto morava em Bauru, jogava futebol pelos campinhos da cidade (inclusive futebol de salão), e olheiros da dupla da capital teriam alertado os clubes que havia uma joia preciosa no interior de São Paulo.
Mas a história real não foi essa. Os próprios amigos de Pelé em Bauru trataram de corrigir ainda em entrevistas nos anos 1970.
A versão certa é que quem realmente teve chance de jogar por Corinthians ou Palmeiras foi Tiãozinho, o camisa 10 do time infantojuvenil do Bauru Atlético Clube (Pelé era 8).
Naquela época, Pelé chegou a ser alvo do Bangu, mas não deu certo porque a mãe do craque, dona Celeste, não aprovou a ida do filho para o Rio de Janeiro tão jovem.
Quem chegou a contar com Pelé antes da ida dele ao Santos foi o Noroeste. O menino fez três amistosos com o time profissional do “Norusca”, mas não assinou contrato.
Ao longo da carreira, não faltaram times atrás de Pelé. Na Europa, Juventus, Milan e até o Real Madrid quiseram o camisa 10. Mas a única agremiação que ele aceitou defender além do Santos foi o New York Cosmos, dos Estados Unidos, já numa fase diferente da vida.
O adeus ao Rei do Futebol
O Rei do Futebol morreu na última quinta-feira, 29 de dezembro de 2022, às 15h27. Em comunicado, o Hospital Israelita Albert Einstein confirmou falência múltipla de órgãos.
Aos 82 anos, Pelé lutava contra um câncer que teve origem no cólon (parte do intestino grosso) e se espalhou em metástase por fígado, um dos pulmões e restante do intestino.
Ele teve complicações cardíacas, respiratórias e renais e estava internado desde 29 de novembro. Lutou pela vida durante um mês de internação.
No currículo, destaque para o tricampeonato mundial com a seleção brasileira em 1958, 1962 e 1970 e o bicampeonato mundial e da Libertadores pelo Santos.
Mineiro de Três Corações, onde nasceu em 23 de outubro de 1940, ele deixa a esposa, Márcia Aoki, e teve oito filhos (uma de criação) - três deles com Rosemeri dos Reis Cholbi, a primeira cônjuge (de 1966 a 1982) - Kely, Edinho e Jennifer; 'três' com Assíria Seixas, a segunda (de 1994 a 2008) - os gêmeos Joshua e Celeste, além de Gemima, esta criada em conjunto com ele desde que tinha apenas oito meses de vida; e outros dois de relações extraconjugais - Flavia Christina e Sandra Regina.
