Confusão ocorreu após confronto entre Arema e Persebaya Surabaya, pelo Campeonato Indonésio, no último sábado (1º)
No último sábado, o futebol da Indonésia viveu uma triste tragédia sem precedentes, com mais de uma centena de mortos.
Segundo informações da polícia, uma invasão de campo ocorrida após partida entre Arema e Persebaya Surabaya, pela liga local, deixou 125 vítimas fatais.
Os fatos aconteceram no estádio Kanjuruhan, na cidade de Malang, que fica na ilha de Java.
A invasão de campo aconteceu após o Persebaya Surabaya vencer o Arema por 3 a 2. Depois do jogo, uma gigantesca invasão de campo resultou em confrontos com a polícia e pisoteamentos.
A tragédia foi testemunhada de perto por quatro jogadores brasileiros: um trio do Persebaya (zagueiro Léo Lelis e atacantes Higor Vidal e Sílvio), além do goleiro Adílson Maringá, do Arema.
Em entrevista ao GE, os atletas do time visitantes relataram os momentos de terror vividos durante a tragédia.
"No vestiário, comemoramos a vitória, mas a polícia veio e disse: 'Não, não... Corre, senão a gente não sai'. Aí já começamos a trocar de roupa todo mundo rápido, sem tomar banho mesmo e a polícia nos apressando. Aquela correria, loucura... Aí conseguimos sair correndo, entrar no blindado e ficar esperando", contou Sílvio.
"Ficamos umas duas horas ali ainda vendo aquela cena. Era surreal. Eu passei pelo Azerbaijão na época da guerra com a Armênia e eu não vi as coisas que eu vi ali", seguiu.
"Nós olhávamos pelo vidro da frente do blindado. Parecia cenário de guerra mesmo. Eles arremessando as coisas. Arremessaram alguma coisa que trincou o vidro do blindado. Coisa de doido. Maluquice. Eles jogando pedra... Acabaram com o carro da polícia. Tinha um carro da polícia do lado da gente. Eles quebraram tudo", afirmou.
De acordo com Higor Vidal, os jogadores ficaram muito preocupados com a segurança.
"A gente comentou entre os brasileiros que, se a gente estivesse de ônibus lá, a gente morria. Com certeza. Teríamos sido queimados vivos dentro do ônibus. Que loucura! Nem dá para imaginar um negócio desse no Brasil", ressaltou.
Em informações atualizadas neste domingo (2), o chefe da Polícia da Indonésia, general Pol Listyo Sigit Prabowo, informou que 125 pessoas morreram na tragédia em Malang.
Ainda de acordo com Prabowo, 323 ficaram feridas.
Vale ressaltar que as autoridades revisaram e reduziram o balanço de mortos de 174 para 125, explicando que algumas vítimas haviam sido contabilizadas mais de uma vez.
"O balanço no momento é de 125 mortos. 124 corpos foram identificados, falta identificar um. Alguns nomes foram registrados duas vezes porque algumas pessoas foram levadas para outros hospitais e tiveram os nomes incluídos duas vezes", reportou o vice-governador da província de Java Oriental, Emil Dardak.
A confusão
No último sábado, a polícia afirmou que havia cerca de 40 mil torcedores na arena, sendo que aproximadamente 3 mil invadiram o gramado na sequência do jogo para agredir os jogadores do Arema depois da derrota para o clube rival.
Os policiais, então, usaram gás lacrimogênio para conter o tumulto, mas a situação piorou, já que isso criou pânico nas arquibancadas, com corre-corre, pessoas pisoteadas e asfixia.
"Por causa do gás lacrimogêneo, os torcedores correram para a saída. Com isso, houve um tumulto e as pessoas acabaram se asfixiando, tendo falta de ar", explicou o chefe da polícia de Java Oriental, Irgen Pol Nico Afinta.
As partidas da Liga Indonésia que foram marcadas para domingo (2) já foram adiadas. Ao mesmo tempo, a Federação indonésia informou que o Arema não mandará mais partidas em casa na temporada.
