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Jornal diz que mãe de Mbappé é citada em investigação sobre jogadora do PSG agredida com barras de ferro

Kylian Mbappé e Kheira Hamraoui, atletas do Paris Saint-Germain EFE/EPA/Christophe Petit Tesson | ANP via Getty Images

Segundo informações do jornal LeParisien, Fayza Lamari, mãe de Kylian Mbappé, foi citada na investigação sobre a investigação sofrida por Kheira Hamraoui, da equipe feminina do Paris Saint-Germain


A noite de 4 de novembro de 2021 ainda segue rendendo desdobramentos em Paris. Foi neste dia que a armadora Kheira Hamraoui foi agredida após uma confraternização do time feminino do Paris Saint-Germain antes de uma partida diante do Real Madrid, pela Champions League. O caso resultou na prisão de Aminata Diallo, companheira da jogadora francesa e suspeita de envolvimento.

De acordo com reportagem publicada nesta quarta-feira (21) pelo jornal LeParisien, os novos elementos da investigação respingam, mesmo que indiretamente, em Kylian Mbappé.

Segundo o veículo francês, Aminata Diallo e um agente identificado como 'César M.' atuavam como uma organização nos bastidores do Paris Saint-Germain, e influenciavam decisões como demissões, saídas de jogadoras e até vazamentos de informações à imprensa.

“Era uma operação que visava desestabilizar a equipe feminina a fim de servir seus próprios interesses”, publicou o LeParisien, citando relatórios preliminares da polícia de Versalhes com base em escutas telefônicas e obtenção de mensagens de WhatsApp.

Estes recursos permitiram à investigação chegar a um contato entre Diallo e Fayza Lamari, a mãe e empresária de Kylian Mbappé, que teria acontecido através de um ex-jornalista que se relacionava facilmente com o entorno do craque do PSG.

Ainda citando a reportagem publicada pelo LeParisien, a polícia ficou sabendo que Lamari teve conversas com os proprietários do clube sobre a extensão de contrato da jogadora. O diário revela ainda que a mãe de Mbappé 'teria gostado de Diallo, a quem considerava injustamente acusada de ser responsável pelo ataque a Kheira Hamraoui'.

Fayza Lamari confirmou ao LeParisien que teve 'trocas informais e desinteressadas' sobre o tema com dirigentes do Paris Saint-Germain, mas negou que tenha exercido pressão e que a renovação de contrato de seu filho com o clube não esteve atrelada a este tema.

A reportagem indica ainda que Lamari planejava produzir um documentário sobre a vida e a carreira de Diallo através de sua produtora, a 'Zebra Valley', mas que as conversas esfriaram após as agressões a Hamraoui.

Aminata Diallo foi presa nesta semana acusada de envolvimento no caso de agressão a Kheira Hamraoui. Investigações indicam que a atleta de 26 anos é suspeita de tramar uma emboscada.

De acordo com informações reveladas pelo jornal L'Équipe, Hamraoui foi agredida por homens encapuzados após participar de uma confraternização organizada pelo próprio PSG. A meia de 31 anos estava acompanhada por Diallo e mais uma pessoa, mas que não teve a identidade revelada.

Segundo relatos, as jogadoras tiveram o carro cercado e Hamraoui foi agredida nas pernas com uma barra de ferro.

A detenção de Diallo foi confirmada pelo Paris Saint-Germain, que 'condenou veementemente a violência cometida'. O clube ainda garantiu que desde o último dia 04 'tem tomado todas as medidas necessárias para garantir a saúde, o bem-estar e a segurança das suas jogadoras', e que 'está trabalhando com a polícia de Versalhes para lançar luz sobre os fatos'.

Hospitalizada após o incidente, Hamraoui foi desfalque do Paris Saint-Germain na goleada por 4 a 0 diante do Real Madrid, pela Champions feminina. Diallo foi titular na partida.

Em conversa com o jornal L'Équipe, Hamraoui afirmou que os fatos ocorreram quando ela estava chegando em casa. Ao cruzarem com uma caminhonete, foram bloqueados. Ao mesmo tempo, dois indivíduos encapuzados desceram do veículo e gritaram: "Abram as portas! Abram as portas!".

A atleta, então, foi arrancada do veículo e caiu no asfalto. Enquanto tentava se levantar, ela começou a ser golpeada com as barras de ferro. A jogadora ainda ficou com as mãos muito machucadas, já que tentou usá-las para se proteger dos golpes dados durante as agressões.

Kheira Hamraoui precisou passar por um tratamento físico especial para reabilitação, além de ter recebido atendimento psicológico especializado por causa do trauma. A jogadora voltou a treinar com o elenco do PSG nesta semana, mas ainda está fora dos planos do técnico Gérard Prêcheur, segundo a imprensa local.

Em suas redes sociais, Hamraoui postou um desabafo sobre a situação.

“Depois de longos meses de sofrimento, decidi quebrar o silêncio.

Jamais vou esquecer o que aconteceu a 4 de novembro de 2021. É algo que me assombra dia e noite. A noite que mudou a minha vida pessoal e profissional, a minha vida enquanto mulher e futebolista. Forçaram-me a sair do carro e agrediram-me com barras de ferro, visando principalmente os membros inferiores. Naquela noite, o objetivo deles era simples: acabar com a minha carreira, tirando as minhas ferramentas de trabalho.

Após esta experiência traumática, que se tornou numa absoluta injustiça, fui vítima de uma cabala mediática com o objetivo de manchar a minha imagem e a minha vida privada. Eu sou uma vítima. Após vários meses das agressões, continuo a ser injustamente insultada. Este é, certamente, um dos períodos mais difíceis da minha vida enquanto mulher e enquanto desportista. Nunca esquecerei os momentos de dor por que passei, assim como aqueles pelos quais a minha família passou.

O meu objetivo sempre foi ser jogadora profissional de futebol, respeitando o público e as minhas colegas. Espero, com todo o coração, ser capaz de cumprir esse meu sonho de criança. É essa a minha ambição, por mim e pelo meu país.”