Ademir da Guia e Rivaldo fizeram parte dos Palmeiras vitoriosos da Academia de Futebol e da Era Parmalat, respectivamente. Para eles, a equipe de Abel já está nesse patamar
Ninguém contesta que Ademir da Guia, 80, e Rivaldo, 50, estão eternizados no Palmeiras como representantes de duas eras vitoriosas. Para eles, o time de Abel Ferreira, que precisa de uma vitória por dois gols contra o Athletico-PR para chegar à terceira final de Conmebol Libertadores, também já entrou neste panteão alviverde.
“Acho que o Palmeiras jogando da maneira que tá jogando, conseguindo fazer os gols e vencendo é tudo o que a torcida almeja. A fase é muito boa, o técnico acertou a equipe. Joga um futebol que vence. A gente está acreditando que vamos longe”, disse Ademir à reportagem durante evento da Betfair, patrocinador do clube, em agosto.
“A gente sabe que o Abel está fazendo um bom trabalho pelos títulos, pelo futebol competitivo. Iniciou [o ano] mal e está em primeiro no Campeonato Brasileiro. Saiu na Copa do Brasil, mas está forte nas outras duas [Libertadores e Brasileiro]. Tem grandes jogadores e é unido com eles. Ele soube fazer um time onde todo mundo corre, todo mundo entende o sistema. Acredito que o Palmeiras pode chegar mais longe”, disse Rivaldo, no mesmo evento.
Com Abel Ferreira, o Palmeiras conseguiu um título paulista, uma Copa do Brasil, uma Recopa Sul-Americana e duas edições da Conmebol Libertadores, torneio que virou um divisor de águas na história dele no clube.
É por esse histórico vitorioso que Ademir da Guia, apelidado de Divino quando jogava, chegou a falar em maio que o time de Abel deveria ser considerado a terceira geração da Academia de Futebol.
As duas gerações anteriores tiveram ele como camisa 10, e time foi assim apelidado pelo jornalista Thomaz Mazzoni, nas páginas de “A Gazeta Esportiva”, pela qualidade técnica, troca de passes constantes e perfeccionismo.
O elogio de Ademir da Guia, recordista absoluto de jogos pelo Palmeiras (902), acabou levando torcedores, jornalistas e fãs de esporte a uma curiosa questão: Qual geração do Palmeiras foi melhor?
A Academia do Divino
A Academia de Futebol obteve seis títulos nacionais, seis paulistas e um Rio-São Paulo, alguns torneios internacionais de muito prestígio à época e dois vices da Libertadores. Ademir só não esteve no primeiro nacional e no primeiro vice continental, em 1960 e 1961, respectivamente, porque ainda defendia o Bangu.
Aquela equipe dava orgulhava ao palmeirense também por ser uma das poucas a encarar o Santos de Pelé.
“Nós tínhamos Luiz Pereira, Leivinha, César Maluco.... A minha preferência seria essa”, disse Ademir sobre a melhor geração do Palmeiras, sem menosprezar a atual.
“O que é importante é que o Palmeiras teve na minha época equipes que conseguiam as conquistas, os campeonatos. Inclusive, 1972 foi um ano espetacular. Foi quando chegou o [técnico Oswaldo] Brandão e conseguimos ganhar os cinco torneios daquela temporada”, completou.
A reportagem propôs ao Divino imaginar um embate entre a geração dele e a atual para avaliar como seria o jogo. Ademir gostou da ideia, apesar de ponderar que são times de preparos físicos e perfis táticos distintos.
“Eu entendo que nós jogaríamos um 4-2-4, e os atacantes não iriam voltar para marcar. Teríamos apenas eu e o Dudu no meio de campo, mais quatro [defensores] atrás. O nosso futebol seria mais técnico, não tão rápido, mas os pontas buscariam muito a linha de fundo. Os laterais dificilmente iriam passar [a risca do meio de campo]. Seria diferente. Mas, é aquele negócio, se a gente jogando dessa maneira levasse o primeiro gol, o segundo gol... aí teríamos um técnico para mexer. Futebol é assim. Você as vezes consegue fazer os gols e tudo fica mais fácil”.
Para quem pensa que ele apostou em derrota da Academia, enganou-se.
“Eu imagino que esse jogo terminaria com um placar com muito gols. Assim como acredito que a nossa defesa saberia dificultar muitos contra-ataques do time do Abel. Luiz Pereira, Alfredo e o próprio Eurico seriam jogadores que no momento certo iriam entender que o perigo é o contra-ataque e iriam neutralizar essa jogada”, finalizou.
A Era Parmalat e Rivaldo
Rivaldo ficou pouco tempo no Palmeiras. Foram quase três temporadas, com 128 jogos e três títulos: o Brasileiro de 1994, a Copa Euro-América de 1996 e o Paulista de 1996, torneio no qual a equipe fez 102 gols.
Ele chegou ao clube vindo do rival Corinthians pouco mais de dois anos após o início da Era Parmalat, um período rico em investimento pelo trabalho de cogestão com a companhia italiana.
Antes de Rivaldo chegar, o Palmeiras venceu um Rio-São Paulo, um brasileiro e dois paulistas. Depois que ele foi vendido ao Deportivo La Coruña, da Espanha, em 1996, por 10 milhões de dólares, o clube ainda conquistou a Copa do Brasil, a Copa Mercosul, a Libertadores, o Rio-São Paulo e a Copa dos Campeões.
Questionado se a geração da era Parmalat foi mais forte do que a atual de Abel Ferreira, Rivaldo pensou em se esquivar com medo de criar polêmica. Depois, entendendo o desafio, topou fazer sua análise.
“Era outra época, né? Tinha grandes jogadores. Fico feliz de ter jogado naquela época, com aqueles grandes jogadores, mas não ganhamos títulos tão importantes quanto esse grupo. Eu sempre acho que o melhor é quem ganha. A gente fica feliz por aquela época, pelos torcedores que se animaram nos jogos. Eles vinham para os jogos e viam goleadas, viam os jogadores fazendo coisas de outro mundo em campo. Isso é gostoso. Mas o que marca é quando você conquista vários títulos. E o grupo de hoje está de parabéns porque conseguiu vários títulos”, disse.
Rivaldo ainda topou analisar um possível encontro entre o Palmeiras da época dele contra o atual. Deu risada e arriscou um empate. Afinal, disse que o foco seria dar espetáculo ao torcedor.
“Ia ver muito espetáculo. Ia ser sensacional. Se a torcida está feliz agora, ia ficar muito mais feliz. Tem grandes jogadores hoje como naquela época tinha. É difícil ficar fazendo comparação de coisas que não vão acontecer. Arrisco um 3 a 3. Está bom para você?”, concluiu, aos risos.
