<
>

De 'coringa' a atacante 'padrão Guardiola': veja o raio-x de Gabriel Jesus no City e o que esperar no Arsenal

Veja como foi o desempenho de Gabriel Jesus na Inglaterra desde a sua chegada ao Manchester City, em 2017


Depois de cinco anos e meio no Manchester City, Gabriel Jesus vai viver um novo capítulo em sua carreira na Premier League, agora no Arsenal - o negócio foi fechado em 45 milhões de libras (R$ 289,8 milhões, pela cotação atual).

Ele chegou no Etihad Stadium como um atacante energético, versátil e ativo, marcando 26 gols em 67 partidas pelo time principal do Palmeiras antes de ir para o City. Agora, ele deixa o segundo clube de sua carreira profissional com 95 gols em 236 jogos (também deu 46 assistências) tendo boas participações nos quatro títulos da Premier League, uma FA Cup, e três Copas da Liga Inglesa e uma final de Champions League em 2021.

Entretanto, o brasileiro foi titular em apenas 20 partidas no campeonato na última temporada, e mesmo ainda tendo marcado oito gols e nove assistências, o momento era obviamente certo para ele buscar um novo desafio em outro clube - especialmente porque o City contratando Erling Haaland do Borussia Dortmund.

Em seu início no Manchester City, Gabriel Jesus era visto como um goleador mais centralizado. Ele era sem dúvidas eficiente, e rapidamente adquiriu o hábito de marcar gols à curta distância com apenas um toque na bola. Na verdade, apenas um de seus primeiros 14 gols na Premier League foram marcados com mais de 7 metros de distância, e foi um pênalti contra o Leicester City em maio de 2017.

Desde então seu jogo evoluiu e Gabriel Jesus se adaptou para se tornar muito mais completo, o estilo de atacante que Pep Guardiola gosta, jogando pelos lados do campo ou um pouco mais recuado no centro do ataque quando fosse preciso. Ele também melhorou seu passe, toques na área, assistências e passou a fazer mais gols de fora da área.

Aos 25 anos, ele vai para o Emirates Stadium, e aqui estão alguns dados de Gabriel Jesus e análise de suas temporadas que compravam sua evolução em campo.

Temporada 2016/17

Com 19 anos, Gabriel Jesus começou no City atuando principalmente como um clássico camisa 9, especialista em usar sua velocidade, dribles à curta distância do gol e finalizações de um toque.

Seu primeiro gol no clube deixa isso claro, com o atacante abrindo sua contagem ao marcar o terceiro de quatro gols do City contra o West Ham, em Londres, no dia 1 de fevereiro de 2017 - um toque a 5 metros do gol em uma jogada com a assinatura de Guardiola.

No primeiros seis meses na Inglaterra, Gabriel continuou na mesma linha e terminou a temporada 2016/17 com sete gols em seus primeiros 11 jogos pelo City. Dois desses gols vieram do pé esquerdo, quatro do direito e um de cabeça, todos os sete foram marcados de dentro da área.

Temporada 2017/18

Em sua primeira temporada completa no City com Guardiola, Gabriel disputou 42 partidas em todas as competições, atuando como centroavante em 34 delas.

Demonstrando uma grande eficiência na cara do gol, Gabriel marcou 17 gols em todas as competições que disputou. Mais uma vez, todos os 17 gols aconteceram na área (oito deles na pequena área). Ele teve a média de 4,2 toques na bola na área a cada 90 minutos - o menor número em uma temporada de sua carreira no City.

Além de voltar a sua menor taxa de conclusão de passes em uma temporada (80,3%), o brasileiro também completou menos dribles por jogo (0,8) e registrou menos assistências (três) em 2017/18 do que em qualquer outra temporada que passou no Etihad Stadium demonstrando a forte inclinação em marcar gols em vez de criar gols.

O melhor momento de Jesus na temporada 2017/18 aconteceu aos 94 minutos do último jogo da temporada, quando ele marcou nos acréscimos para garantir uma vitória por 1 a 0 sobre o Southampton. O City já era campeão naquele momento, mas o gol do brasileiro garantiu que o time de Guardiola se tornasse o primeiro da história a chegar a 100 pontos em uma temporada de primeira divisão, dando a eles o apelido de Centurions.

Temporada 2018/19

O City conquistou a tríplice coroa nacional em 2018/19 ao vencer a Premier League, a FA Cup e a Copa da Liga, enquanto Gabriel Jesus melhorou sua produção mais uma vez marcando 21 gols e dando sete assistências em 47 jogos em todas as competições. Embora usado como lateral-esquerdo em algumas ocasiões, o brasileiro jogou sobretudo na ponta do ataque do City e teve uma média de um gol a cada 107,3 minutos que passou em campo como resultado.

Jesus também diversificou significativamente seus métodos de marcar gols, marcando quatro gols com o pé esquerdo, 11 com o direito e seis com a cabeça. Seu hat-trick contra o Shakhtar Donetsk na fase de grupos da Champions League também é importante por ser onde, com dois pênaltis, aconteceu o único gol que Jesus marcou pelo City a mais de 16 metros de distância. Quando você golaço há quase 20 metros de distância, aos 92 minutos, fica a dúvida do por que ele não marcou gols assim mais vezes.

Temporada 2019/20

A temporada seguinte à tríplice coroa foi a mais positiva da carreira de Jesus no City, graças, pelo menos em parte, a uma sequência de lesões que regularmente mantinham Sergio Agüero fora de campo. Gabriel Jesus marcou 23 gols em 53 jogos pelo City - seu melhor número para o clube - e também deu 11 assistências.

Enquanto o City teve que se contentar com a Copa da Liga como seu único título após terminar como vice-campeão atrás do Liverpool na Premier League afetada pela COVID-19, o atacante brasileiro alcançou vários recordes na carreira em termos estatísticos.

Além de seu melhor ano em gols e assistências, Jesus teve mais toques na área por jogo (5,7) e uma melhor taxa de conclusão de passes (85,9%) do que em qualquer outro momento de sua passagem pelo City, e também viu sua média de dribles concluídos aumento de classificação para 1,3 por jogo - significando o início de uma mudança sutil em seu estilo de jogo.

Gabriel também se tornou o segundo jogador na história da Champions League a marcar nas duas partidas de uma eliminatória por um clube inglês contra o Real Madrid, depois que Ruud van Nistelrooy fez o mesmo pelo Manchester United em 2003/04.

Temporada 2020/21

Lesões leves, um teste positivo para COVID-19 e uma suspensão foram a combinação para reduzir a quantidade de tempo que Jesus passou em campo ao longo de 2020/21, com suas estatísticas sofrendo baixas. O atacante fez apenas 42 partidas pelo City em todas as competições (abaixo dos 53 da temporada anterior), marcou 14 gols e deu quatro assistências - seu menor número em qualquer uma de suas cinco temporadas completas no Etihad.

Exatamente metade dos 14 gols de Jesus foram marcados à queima-roupa na área - cinco com o pé esquerdo, sete com o direito e dois com a cabeça. Para aumentar ainda mais os problemas, a média de toques na área do atacante caiu quase 20%, de 5,7 por jogo em 2019/20 para 4,7 por jogo em 2020/21.

No lado positivo, o total de 14 gols do brasileiro foram marcados a partir de uma classificação de apenas 14,2, sua taxa de conclusão de passes permaneceu estável (84,6%) e ele também completou com sucesso mais dribles em média (1,6 por 90 minutos) do que em qualquer outra temporada no Etihad. Ou seja, ele carregava e movimentava a bola de forma mais eficiente na construção de ataques, mas ao custo de estar no lugar certo na hora certa para fazer gols. O fato de os meio-campistas Ilkay Gundogan (17 gols), Phil Foden (16), Raheem Sterling (14) e Riyad Mahrez (14) terem se destacado como os artilheiros do clube em 2020/21 sugere uma equipe menos centralizada na hora de marcar os gols.

Temporada 2021/22

O City mais uma vez teve seus gols bem distribuídos em 2021/22, com Mahrez sendo o artilheiro do clube em todas as competições com 24 gols, seguido por Kevin De Bruyne (19) e Sterling (17). Jesus fez o menor número de partidas pelo City (41) em comparação com qualquer uma de suas cinco temporadas completas no Etihad e também teve seu menor número de gols (13), embora tenha conseguido dar mais assistências (11).

Dos 13 gols do atacante, apenas um veio de pé esquerdo e outro de cabeça, com todos os 13 marcados em até 16 metros do gol. No entanto, apenas quatro foram marcados a 5 metros de distância, representando o menor número de gols a curta distância desde seus primeiros meses no City em 2016/17.

A menor participação de Gabriel Jesus terá naturalmente um efeito negativo em sua produtividade em termos de contribuições para gols, mas talvez seja importante destacar que ele teve um aumento no número de toques na área (5,8 por jogo - um recorde na carreira), conclusão de passes (85,1%) e minutos por assistência (233,7 - novamente, um recorde na carreira).

O que esperar de Jesus no Arsenal?

Na temporada passada, o Arsenal liberou Pierre-Emerick Aubameyang do clube em uma transferência sem custos para o Barcelona em fevereiro, Aubameyang tendo sido destituído da capitania do clube e ficando fora da equipe dois meses antes, enquanto Alexandre Lacazette saiu de graça em um despedida mais digna quando seu próprio contrato expirou no final da campanha.

Dado que o artilheiro dos Gunners em todas as competições em 2021/22 foi Bukayo Saka, de 19 anos (12 gols), e que apenas três jogadores do elenco de Mikel Arteta atingiram com sucesso dois dígitos em gols, os Gunners sem dúvida esperam que Gabriel Jesus possa voltar a ser o goleador implacável de anos atrás.

Se o brasileiro pode recuperar essas características e se readaptar à vida como um batedor de pênaltis capaz de marcar mais de 20 gols por temporada, ainda não se sabe. Talvez uma mistura de ambos também não seja nada ruim, especialmente porque os Gunners não muitos goleadores experientes e testados na Premier League.

Eddie Nketiah, que subiu da base do clube, foi recompensado por seu desempenho no final da temporada - quando marcou cinco gols nos últimos sete jogos - com um novo contrato, mas o jogador de 23 anos ainda está longe de seu auge. E, com Fábio Vieira se juntando aos meias-atacantes e atacantes à disposição de Arteta, ter alguém de confiança na área para finalizar será fundamental para as esperanças do Arsenal de terminar entre os quatro primeiros na próxima temporada. Sem pressão, Gabriel.