Corinthians comemora dez anos do título inédito da Conmebol Libertadores, faturado diante do Boca Juniors
O Corinthians comemora nesta segunda-feira uma década de uma de suas maiores glorias conquistadas dentro de campo: o título da Conmebol Libertadores de 2012. Foi em um 04 de julho, dez anos atrás, que Emerson Sheik marcou dois gols no segundo tempo diante do Boca Juniors e levou à loucura os quase 38 mil torcedores presentes no Estádio do Pacaembu.
A América era corintiana pela primeira vez.
Além da taça inédita e tão sonhada, que foi erguida pelo capitão Alessandro, o time ainda viu a 'cereja do bolo' poder entrar para o seletíssimo grupo de times que foram campeões de maneira invicta. Além do Timão, só outras cinco equipes conseguiram o feito: Peñarol, Santos, Independiente, Estudiantes e o próprio Boca Juniors.
Levantar o troféu mais cobiçado do continente não seria possível sem um toque por cobertura que mudou o destino do Corinthians naquela Libertadores: o dado por Romarinho para 'matar' Orión e empatar o primeiro jogo da decisão, disputado em La Bombonera.
O que poucos torcedores se atentaram, mesmo uma década após o feito, é que aquele foi o único chute dado pelo atacante naquela edição da Libertadores.
Foi a única vez que o pé do camisa 21 tocou na bola em toda a competição.
“Falei para o Romarinho: 'Você não sabe o gol que fez. Você não tem noção do que está acontecendo''', brincou o ex-zagueiro Chicão, titular do Corinthians em Buenos Aires, durante entrevista à ESPN. “Acho que ele só tem noção agora ou quando parar de jogar”.
Narrador dos canais esportivos da Disney, João Guilherme narrou o gol e se referiu ao jogador como 'o iluminado'...
E a trajetória havia mesmo sido meteórica até aquele solitário toque na bola na Argentina. A ida de Romarinho a Buenos Aires foi embalada pela atuação mágica de dias antes, quando o atacante marcou duas vezes e comandou a vitória do Corinthians diante do Palmeiras logo no primeiro jogo como titular.
Aquele Dérbi foi apenas o terceiro jogo do então jovem de 21 anos pelo clube. Dias depois, o jogador fez sua estreia pela Libertadores.
“Eu lembro da chegada na Argentina, que foi bem marcante para mim. Foi a primeira viagem internacional, jogando fora do Brasil. E por ser uma final de Libertadores, tinha muita gente esperando lá. Os fogos no hotel tentando atrapalhar nosso sono. Ali eu senti que seria um jogo diferente de tudo o que eu já joguei”, disse Romarinho ao portal Meu Timão, em 2017.
“O Júlio Cesar, o goleiro, falou para mim no dia: 'Você vai entrar nesse jogo e fazer o gol'. Eu estava pensando que não iria entrar no jogo. Quando o Tite me chamou eu olhei para ele e disse: 'Eu mesmo?'. E ele bravo, nervoso por causa do jogo”, lembrou o atacante, com cada detalhe do lance ainda frescos na cabeça.
Romarinho foi a campo aos 37 minutos do segundo tempo, quando o experiente Danilo deixou o gramado. O toque decisivo para encobrir Orión aconteceu cerca de 180 segundos depois.
“Uma bola do Paulinho...eu lembro que corri na lateral. O Sheik fez o facão. Pensei na hora: ou eu chuto forte ou eu dou a cavadinha. Vi o goleiro caindo e tive a felicidade de fazer o gol. Lembro que a arquibancada explodiu, foi uma loucura mesmo”.
O atacante ainda tocou mais uma vez na bola quando desviou com a cabeça em uma disputa pelo alto quando o Corinthians tentava segurar a pressão do Boca Juniors, mas sem dominar ou chutar novamente até o apito final.
Heroico na Bombonera, Romarinho ficou no banco de reservas na partida da semana seguinte, no Estádio do Pacaembu, mas não entrou em campo. A história para sempre contará que a única vez que o camisa 21 tocou na bola naquela edição da Libertadores foi mesmo para calar Buenos Aires.
