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Lenda do Vasco, Roberto Dinamite morre aos 68 anos

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Homenageado pelo Vasco aos 68 anos, Roberto Dinamite celebrou estátua e agradeceu torcida: 'Muito honrado e feliz' (1:34)

Ídolo do Vasco morreu neste domingo (8) aos 68 anos, no Rio de Janeiro (1:34)

Ex-jogador ídolo do Vasco morreu neste domingo (8) aos 68 anos, no Rio de Janeiro


Lutando contra um câncer no intestino desde 2021, a lenda do Vasco da Gama Roberto Dinamite não resistiu à grave doença e morreu neste domingo, 8 de janeiro de 2023, no Rio de Janeiro. Ele deixa quatro filhos, dois de seu primeiro casamento, com Jurema, que faleceu em 1984, e dois do segundo, com Liliane. E o futebol brasileiro e mundial amplia seu luto apenas dez dias após a partida de Pelé.

Em janeiro de 2022, o ex-atacante informou, em uma publicação nas redes sociais, que daria início ao tratamento de quimioterapia após a descoberta de "alguns tumores".

"O Vasco da Gama comunica com inestimável pesar o falecimento do maior ídolo da história do clube, Carlos Roberto de Oliveira, o Dinamite, aos 68 anos em decorrência a um câncer no intestino", lamentou o clube em nota oficial.

Na véspera do Natal de 2021, Dinamite já havia passado por uma cirurgia por conta da obstrução de uma parte do intestino e recebeu alta em 31 de dezembro do mesmo ano.

Em meados de maio de 2022, passou por uma nova cirurgia para a retirada de um tumor. À época, o procedimento só foi divulgado pelo ex-jogador dias depois, e ele comemorou. "Fiz mais uma cirurgia para retirada de um tumor, a cirurgia foi um sucesso, mais uma etapa dessa jornada que se Deus quiser será vitoriosa", escreveu.

Ainda não há informações sobre onde e quando serão velório e enterro, mas é provável que o primeiro seja em São Januário, casa do Vasco e local em que Dinamite é o maior artilheiro, com 184 gols. Mas esta é só uma pequena parte da grandiosa história do eterno ídolo vascaíno.

Calu primeiro; Dinamite, depois

Carlos Roberto de Oliveira, o Dinamite, nasceu no dia 13 de abril de 1954, às 4h25, no bairro São Bento, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro. À época, ainda não era conhecido pelo apelido que o consagrou no mundo do futebol. Era chamado de Calu. A intimidade com a bola, porém, começou desde pequeno.

Aos 12 anos, já era titular - e artilheiro - do principal time do bairro, o Esporte Clube São Bento. Sua grande referência era Jairzinho, tricampeão com o Brasil na Copa do Mundo de 1970, no México. E um ano antes daquele Mundial, foi convidado por Gradim, um dos olheiros do Vasco que garimpava jovens talentos pelo subúrbio do Rio, para treinar nas categorias de base do clube.

E só foi preciso um mês para que ele já fizesse parte do juvenil do Vasco, anotando mais de 46 gols em pouco mais de um ano.

Estreia como profissional e apelido de Dinamite

Depois de se destacar no juvenil do Vasco, Roberto chamou atenção de Mário Travaglini, técnico do time principal na época, e foi relacionado para a disputa do Campeonato Brasileiro de 1971.

No dia 14 de novembro de 1971, ainda com 17 anos, fez sua estreia como profissional pelo Cruzmaltino, contra o Bahia. Na ocasião, já sob o comando de outro técnico, Admildo Chirol, foi colocado em campo na vaga do meio-campista Pastoril, na volta do intervalo. Apesar da derrota por 1 a 0, o jovem Calu já começava a chamar atenção dos brasileiros.

Mesmo com o revés, o Vasco se classificou para a disputa da segunda fase do torneio, na qual os cariocas enfrentariam Atlético-MG (que seria campeão), Internacional e Santos, que à época ainda tinha o Rei Pelé no time.

Antes da partida contra o Galo, foi muito bem nos treinos e ganhou vaga entre os titulares. Na véspera do compromisso, ganhou destaque no Jornal dos Sports, que escreveu em sua manchete: "Vasco escala garoto-dinamite". O apelido, genial, foi criação dos jornalistas Eliomário Valente e Aparício Pires.

E o primeiro gol como profissional foi marcado no dia 25 de novembro, contra o Inter, no Maracanã. No segundo tempo, quando o Vasco vencia por 1 a 0, Dinamite entrou na vaga de Gilson Nunes. E na primeira bola que recebeu, driblou quatro marcadores e colocou a bola no canto esquerdo do goleiro colorado. Calu ficava para trás e começava a 'Era Dinamite' no Cruzmaltino.

Lenda do Club de Regatas Vasco da Gama

A relação de Dinamite com o clube carioca sempre foi estreita. Sua primeira passagem foi de 1971 a 1979, período em que ele conquistou o principal título dos 37 que venceu com a camisa cruzmaltina: o Campeonato Brasileiro de 1974, o primeiro da história do Vasco, que à época foi o primeiro carioca a ser campeão da competição.

A disputa nacional, inclusive, o marcou. Não à toa, até os dias de hoje ele segue como o maior artilheiro da história da mesma: 190 gols em 328 jogos, com média de quase um gol por partida.

Além do Brasileiro, Dinamite também foi pentacampeão do Campeonato Carioca (1977, 1982, 1987, 1988 e 1992) - veja todas as 37 conquistas dele com o time carioca abaixo.

Pelo Vasco, anotou 708 gols em 1.110 jogos. Já na carreira como um todo, foram 784 bolas na rede, com 26 pela seleção, 3 pelo Barcelona, 11 pela Portuguesa e 36 em amistosos.

No início do ano passado, em comemoração aos 50 anos de sua estreia com a camisa do clube, ganhou uma estátua no gramado de São Januário, que acompanhou de perto e se emocionou com a homenagem.

Passagem pelo Barcelona e convite para jogar no Flamengo

Sua primeira passagem pelo Vasco só foi interrompida por conta da ida para o Barcelona, entre 1979 e 1980. Na Espanha, fez apenas 11 partidas e anotou 3 gols, sendo dois deles em sua estreia.

Pouco prestigiado pelo técnico do Barça à época, Helenio Herrera (que substituiu o colega que havia pedido a contratação do brasileiro), Dinamite não durou muito tempo no futebol espanhol. E sabendo do momento do atacante na Europa, o então presidente do Flamengo, maior rival do Vasco, Márcio Braga, conversou com Dinamite por telefone por meio da ajuda de uma rádio.

Porém, com a pressão feita pela torcida, o atacante foi avisado para não assinar com o Rubro-Negro, e o Vasco entrou na jogada para repatriá-lo com Eurico Miranda. E assim foi feito. Recontratado, ele foi recebido com uma enorme festa em São Januário.

Sua segunda passagem durou de 1980 a 1992, com passagens pela Portuguesa e Campo Grande-RJ, por empréstimo, durante o período. A carreira foi encerrada com a camisa do Cruzmaltino em 1992.

Seleção brasileira

Com passagens pelas seleções de base do Brasil, Dinamite defendeu o time principal entre 1975 e 1984, tendo a oportunidade de ir às Copas do Mundo de 1978, na Argentina, e 1982. Em 1986, no México, apesar da boa fase com o Vasco, foi esquecido pelo técnico Telê Santana, mesmo treinador que o chamou para o Mundial anterior, na Espanha, como substituto de Careca, mas não o utilizou em nenhum jogo.

Dirigente do Vasco e vida política

Em 1992, entrou na política e foi eleito vereador do Rio de Janeiro pelo PSDB. Dois anos depois, foi eleito deputado estadual, se reelegendo em 1998, 2002, 2006 e 2010. Em 2002, já no PMDB, permaneceu até o fim de seu mandato no cargo.

Dinamite também foi presidente do Vasco, sendo eleito em junho de 2008. No mesmo ano, o clube passava por uma grava crise financeira e não vinha bem no Campeonato Brasileiro, sendo rebaixado pela primeira vez à Série B em sua história no fim daquele ano, após assumir o posto que pertencia a Eurico Miranda.

Em 2009, o Vasco subiu como campeão da Série B e voltou à elite do futebol brasileiro. Dois ano depois, em 2011, o clube foi campeão da Copa do Brasil, chegou às semis da Copa Sul-Americana e vice do Campeonato Brasileiro, em um 'ano mágico'.

Deixou o clube em 2014 como dirigente, com um novo rebaixamento no ano anterior. O Vasco, porém, conseguiu o acesso, com o retorno de Eurico Miranda em 2015.

Luta contra o câncer

A lenda do Cruzmaltino passou os últimos meses de vida sobretudo em casa, na companhia da família e amigos. Durante o período, recebeu as visitas de Bebeto, Zico, ídolo do arquirrival Flamengo, e até mesmo de outras personalidades, como o cantor Raimundo Fagner.

Apesar da gravidade da doença, nunca tirou o sorriso do rosto e constantemente fazia publicações nas redes sociais, sempre com o astral lá em cima.

Durante o período, teve a chance de acompanhar o acesso do Vasco à Série A do Brasileirão, depois de uma Série B para lá de disputada em 2022. Era comum ver vídeos do ex-jogador assistindo às partidas do clube que o consagrou dentro das quatro linhas, em cenas repletas de emoção.

Veja, abaixo e na íntegra, a nota do Vasco sobre a morte de Dinamite

"O Vasco da Gama comunica com inestimável pesar o falecimento do maior ídolo da história do clube, Carlos Roberto de Oliveira, o Dinamite, aos 68 anos em decorrência a um câncer no intestino.

Natural da cidade de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, Roberto Dinamite demonstrou intimidade com a bola logo na infância e chegou ao Vasco da Gama, ainda nas categorias de base, no ano de 1969. Três anos depois, o então “Calu” (como era conhecido desde as partidas que disputava ainda no seu bairro de nascença) chegou aos profissionais do Gigante. No dia 14 de novembro de 1971, em um confronto contra o Bahia pelo Campeonato Brasileiro, o jovem de dezessete anos fez, pela primeira vez, aquilo que vira a repetir em outras 1109 oportunidades.

Não demorou muito para que a torcida vascaína o visse explodir. No dia 25 de novembro, contra o Internacional, no Maracanã, Roberto venceu adversários com facilidade e marcou o seu primeiro gol como profissional pelo clube. Uma verdadeira explosão, como destacou o Jornal dos Sports, e que se repetiu por outras 707 vezes. Roberto então virou um símbolo de Vasco da Gama. Gerações foram criadas considerando uma verdadeira simbiose entre os dois.

O Roberto era Vasco. O Vasco era Roberto. Em 1974, Dinamite foi o verdadeiro ponto de arranque rumo ao primeiro título de Campeonato Brasileiro do Clube, sendo o artilheiro da competição com 16 gols marcados. Nos anos seguintes, a consagração com artilharias nacionais e estaduais. Além das convocações para as Copas do Mundo de 1978 e 1982. Na primeira oportunidade, Roberto foi o artilheiro da Seleção Brasileira no mundial.

No início da década de 80, Roberto Dinamite deixou o Vasco da Gama rumo ao Barcelona (ESP). Mas a separação durou apenas três meses e logo o artilheiro estava de volta à Colina. E não demorou muito para que ele voltasse a explodir em festa a torcida. Em um jogo contra o Corinthians, no Maracanã, Dinamite marcou cinco gols na vitória cruzmaltina por 5 a 2.

Foram mais 12 anos de Vasco da Gama, sendo nove ininterruptos, somatizando títulos; artilharia; e cultivando um amor e uma gratidão gigantesca. Até a sua aposentadoria e despedida dos gramados, em 1992.

Em 2008, Roberto Dinamite foi eleito Presidente do Vasco da Gama e reeleito em 2011. Ao longo deste período, o Clube conquistou a Copa do Brasil e a Série B do Campeonato Brasileiro.

O Maior de Todos será eterno. O seu legado é eterno. A influência em gerações que acompanham o futebol há décadas e chegou a batizar nomes de torcedores é infinita.

Obrigado por tudo, Roberto. Nós te amamos. Para sempre."