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Ibañez fazia móveis planejados; hoje, é homem de confiança de Mourinho e pode ser campeão europeu

Roger Ibañez é titular da Roma, que fará a final da Conference League contra o Feyenoord.


Zagueiro da Roma, Roger Ibañez tem a chance de vencer a Conference League na final contra o Feyenoord, nesta quarta-feira (25), às 16h (de Brasília), com transmissão ao vivo pela ESPN no Star+. Até virar profissional, o defensor nascido em Canela (RS) - filho de uma uruguaia e um brasileiro - conciliou o futebol e os estudos com o trabalho na marcenaria do pai, que fazia móveis planejados.

"A gente ia nas casas das pessoas, tirava as medidas, fazia orçamentos e depois executava. Eu entendo bastante até hoje disso porque aprendi muito com ele", disse ao ESPN.com.br.

Nas horas vagas, ele jogava futebol com os amigos, até entrar na base do GAO-RS (Grêmio Atlético Osoriense), aos 16 anos. Depois disso, foi levado por um empresário ao PRS-RS, onde disputou alguns torneios. O defensor passou três meses na equipe profissional do Sergipe na disputa do Estadual e da Copa do Nordeste.

Após as mudanças de cidade, Ibañez deixou a antiga profissão de lado e viu a carreira de jogador decolar.

De volta ao PRS, ele jogou a terceira divisão Gaúcha antes de ser aprovado em um teste ao Fluminense para jogar na base, em 2017.

"Cheguei como volante, mas o treinador pediu para fazer um coletivo de zagueiro. Ele me disse que era muito fácil entrar se fosse na zaga e deu tudo certo. Minha vida mudou de uma hora para outra em dois anos".

Depois de um mês, o zagueiro passou a treinar com os profissionais e atuar pela equipe sub-20. No começo de 2018, viajou junto com o elenco profissional para os EUA e estreou no empate por 1 a 1 contra o PSV, da Holanda, pela Florida Cup.

Em seguida, o defensor jogou em uma partida oficial pela primeira vez, no clássico contra o Botafogo, válido pelo Carioca, que terminou empatado em 0 a 0.

"Ainda fiz um gol, mas o juiz infelizmente anulou", comentou.

Ibañez rapidamente virou titular absoluto do Fluminense com o treinador Abel Braga e passou a ser um dos destaques da equipe.

"Eu tenho uma admiração muito grande pelo clube e pela torcida, que é muito bonita. Foi um tempo curto, mas levo até hoje no coração e tento acompanhar alguns jogos".

Afirmação na Itália

No começo de 2019, o zagueiro foi vendido para a Atalanta, da Itália, por cerca de 4 milhões euros.

"Foi tudo muito rápido porque estava concentrado para jogar jogar e o meu empresário me ligou. Fui pego de surpresa porque viajei para a Itália dois dias depois".

"Passei três meses de adaptação e tive que fazer aulas de italiano. Fiquei um ano inteiro e joguei muito pouco".

Na equipe italiana, o defensor teve pouco espaço. Ele entrou no final do segundo tempo na vitória por 2 a 1 contra o Genoa e depois atuou mais 20 minutos no triunfo por 3 a 0 contra o Shakhtar pela fase de grupos da Uefa Champions League.

"Foi um sentimento explicável e a realização de um sonho em jogar a Liga dos Campeões. Pude aproveitar bem porque vencemos e nos classificamos às oitavas".

No começo de 2020, o jogador foi emprestado para a Roma, que era comandada pelo técnico Fonseca e conseguiu ter uma sequência de jogos.

"Falei aos meus empresários que não queria mais voltar para lá. Queria jogar mais vezes e tinham alguns clubes interessados. Estava quase fechado com o Bologna, mas quase na última hora veio a Roma e achei perfeito. Vim por empréstimo, joguei bastante e fui comprado no fim da temporada. O Paulo disse já me conhecia do Fluminense".

Na última temporada, o defensor atuou 40 vezes e se consolidou um dos pilares da equipe, que foi semifinalista da Liga Europa, sendo derrotada pelo Manchester United.

Presente em várias convocações da seleção olímpica, o zagueiro não foi liberado pela Roma para os Jogos de Tóquio, em 2021.

"Foi a realização de um sonho vestir a camisa do Brasil. Fiquei feliz por eles terem sido campeões. Acredito que ainda possa pintar uma vaga na seleção principal. A gente trabalha e precisa estar pronto para em algum momento vir uma oportunidade", contou.

Mesmo com a chegada do técnico José Mourinho no ano passado, o brasileiro não perdeu a titularidade.

"Todo mundo diz o 'Special One', é um cara muito especial. Ele é diferente e aonde ele chega você sente que é um cara vitorioso que almeja a vitória. É um cara que conversa bastante com cada atleta e consegue conquistar".

"É um cara que trabalha muito com o mental no dia e isso acaba ganhando o plantel de uma maneira que ajuda. Conversar com ele no dia a dia é bem engraçado, gosta de piada e de brincar, mas quando está no momento de não ter brincadeira ele é bem severo".

Agora, o defensor espera quebrar um jejum de títulos da Roma que dura desde 2008, com a conquista da Copa da Itália. O último título europeu da equipe foi 1961, quando faturou a Taça das Cidades com Feiras - precursora da Copa da Uefa.