Há dez anos, Palmeiras iniciava o Campeonato Brasileiro sem grandes perspectivas e acabou amargando o segundo rebaixamento na história
O Palmeiras vive um dos melhores períodos de toda a sua história. Sob o comando do português Abel Ferreira desde novembro de 2020, o Verdão tem empilhado taças. Dentre elas, foram duas conquistas consecutivas de Conmebol Libertadores, além de Copa do Brasil, Estadual e Recopa Sul-Americana.
Se hoje a vida do torcedor palmeirense é mais tranquila e vitoriosa, há dez anos o cenário era completamente diferente.
Em 2012, ano do segundo rebaixamento do Palmeiras para a Série B do Campeonato Brasileiro, o clube vivia uma situação financeira muito mais preocupante, tinha um elenco tecnicamente limitado e depositava boa parte de suas expectativas na figura do técnico Luiz Felipe Scolari.
Em meio ao turbulento ano, o torcedor do Verdão teve um grande alento. A conquista da Copa do Brasil de 2012 foi um marco na história do clube, que não levantava um caneco de competições nacionais desde a Copa dos Campeões, em 2000. Eram mais de dez anos de um longo jejum.
O problema é que a conquista perdeu boa parte do brilho por conta do rebaixamento da equipe à Série B meses depois. Com uma campanha pífia, de apenas nove vitórias, sete empates e incríveis 22 derrotas, o Verdão teve a queda confirmada antes mesmo da última rodada.
Mas, como um time rebaixado, com graves problemas financeiros, sem perspectiva de futuro e que brigaria para não cair mais uma vez, em 2014, conseguiu se recuperar de maneira meteórica e se transformar em uma das equipes mais vitoriosas e poderosas do Brasil e da América do Sul?
O ESPN.com.br traz abaixo alguns pontos que ajudam a explicar a reviravolta do Palmeiras e como o Verdão saiu de uma crise sem precedentes em sua história para o cenário atual.
Salvação no Campeonato Brasileiro de 2014 e mudança de chave
É importante ressaltar que apesar do rebaixamento para a Série B em 2012 e o retorno imediato à Série A em 2013, o Palmeiras teve 2014, ano do centenário da instituição, como um dos piores de toda a história. Na época, o então presidente Paulo Nobre administrava um clube com gravíssimos problemas financeiros e que chegou na última rodada do Brasileirão daquele ano com boas chances de retornar à segunda divisão.
Uma nova queda naquele momento seria uma catástrofe para o Palmeiras, principalmente para as finanças do clube, que sofreriam um impacto ainda maior em um cenário que já era bastante desanimador. Mas, graças a uma combinação de resultados, o Verdão se safou no 16° lugar e, a partir dali, iniciou uma transformação completa.
Chegada de um executivo de futebol e transformação nas receitas com a Crefisa
O início da temporada 2015 foi um marco na história do clube. Se nos anos anteriores, o presidente Paulo Nobre precisou fazer aportes financeiros do próprio bolso ao clube, naquele momento, as finanças receberiam um grande aliado. Foi naquele período que o Verdão anunciou a parceria com a Crefisa, patrocínio que perdura até hoje na instituição.
Além da chegada da patrocinadora, o Palmeiras teria, enfim, o seu estádio de volta. De meados de 2010 até o final de 2014, o antigo Estádio Palestra Itália se transformou em Allianz Parque. A possibilidade de ter a sua casa de volta fez com que o Verdão impulsionasse o Avanti, programa de sócio-torcedor do clube, que chegou a superar a marca de 100 mil associados no primeiro semestre daquele ano.
Apesar de respirar fundo na parte financeira, ainda faltava ao Palmeiras expertise para o futebol e a figura de Alexandre Mattos, diretor-executivo, foi fundamental ao clube naquele período. O Verdão foi ao mercado a toque de caixa e contratou nada menos do que 25 atletas para aquele ano, uma vez que o elenco precisava de uma grande reformulação.
Todo este ‘combo’ fez o Palmeiras mais do que dobrar sua receita em relação a anos anteriores. A nível de comparação, em 2013, o Verdão havia arrecadado R$ 181 milhões, e, em 2015, o valor tinha sido de R$ 351 milhões.
Manutenção do projeto esportivo e sucesso no futebol
Com a recuperação econômica, a consolidação de um novo projeto esportivo, impulsionado pelos bons resultados em campo, o Palmeiras só caminhou para frente a partir deste período.
Os números de receitas totais ajudam a comprovar a tese de sucesso do projeto, que se iniciou com Paulo Nobre, presidente entre 2013 e 2016, seguiu com seu sucessor Mauricio Galiotte, mandatário de 2017 a 2021, e hoje está nas mãos de Leila Pereira, que assumiu a presidência do clube no início de 2022.
Na última temporada, o Palmeiras fechou o ano com uma arrecadação total de R$ 947,6 milhões, além de ter um superávit de R$ 123,4 milhões. É válido ressaltar que a saúde financeira do clube se manteve estável mesmo durante o período agudo da pandemia da COVID-19.
E para o futuro?
A expectativa é que em 2022 os números cresçam ainda mais. Em campo, a temporada 2022 tem sido um sucesso. Em um período de quatro meses, o Verdão conquistou os títulos da Recopa Sul-Americana e do Campeonato Paulista, além de ter ido à decisão do Mundial de Clubes, competição na qual foi derrotado, na prorrogação, para o Chelsea, por 2 a 1.
Às vésperas da estreia no Campeonato Brasileiro, que acontecerá diante do Ceará, neste sábado, às 21h, no Allianz Parque, o Palmeiras vive um momento de tranquilidade em campo e de sobriedade na parte financeira. Ao contrário dos últimos anos, o clube adotou uma política cautelosa nos gastos, principalmente com o intuito de se manter equilibrado e competitivo todos os anos.
Com dois títulos garantidos em 2022 e com a renovação de contrato do técnico Abel Ferreira até 2024, o Palmeiras mira agora as próximas competições que estão por vir e tem tudo para contar uma história bem diferente dez anos após seu último rebaixamento.
