Classificado há meses como melhor seleção da América do Sul, Brasil conhecerá na próxima sexta-feira, 1º de abril, os adversários na primeira fase do Mundial, que começa em novembro
Passada – com sobras – a tarefa de colocar o Brasil na Copa do Mundo, Tite inicia a partir de agora o seu penúltimo grande estágio à frente da seleção: definir os 23 convocados que representarão o país no Qatar, a partir de novembro, na busca pelo sonhado hexacampeonato mundial.
Para o torneio que marcará seu adeus à seleção após mais de seis anos no cargo, Tite mantém o discurso de que o elenco está aberto até a jogadores que sequer foram convocados por ele. Mas a realidade, claro, mostra que a maioria das vagas da lista tem donos garantidos.
No comando da seleção desde 2016, Tite consolidou uma base que serve de esqueleto na maioria de suas listas, o que não deve ser diferente para a Copa. E, assim, é possível apontar quem já esteja com passaporte carimbado e aqueles que ainda disputam as vagas restantes no grupo. A ESPN apurou o status de cada jogador dentro do grupo e mostra abaixo o panorama atual.
Importante ressaltar que o cenário abaixo é com a lista de 23 jogadores, situação que pode mudar caso a Fifa aceite a sugestão das seleções e aumente o número para 26. Assim, Tite teria a oportunidade de levar outros três atletas. É certo, no entanto, que não será chamado um quarto goleiro. Assim, Éverson, do Atlético-MG, e Santos, do Athletico-PR, disputam um lugar em caso de um eventual corte.
GARANTIDOS
É possível afirmar, sem medo de errar, que 17 jogadores estão confirmados no grupo da seleção que vai ao Qatar em novembro. São eles:
os goleiros Alisson (Liverpool), Ederson (Manchester City) e Weverton (Palmeiras)
os laterais Danilo e Alex Sandro (ambos da Juventus) e Daniel Alves (Barcelona)
os zagueiros Thiago Silva (Chelsea), Marquinhos (PSG) e Éder Militão (Real Madrid)
os volantes Casemiro (Real Madrid), Fred (Manchester United) e Fabinho (Liverpool)
os meias Lucas Paquetá (Lyon) e Philippe Coutinho (Aston Villa)
os atacantes Neymar (PSG), Raphinha (Leeds United) e Vinicius Jr. (Real Madrid)
Salvo algum imprevisto negativo, como uma lesão grave que impossibilitaria a participação na Copa, eles estarão no grupo em condições normais.
Dois nomes ganharam projeção nos últimos meses e por isso só não irão ao Mundial se uma catástrofe acontecer: Raphinha e Vinicius Jr.
No caso de Raphinha, hoje titular da seleção, o que poderia atrapalhar sua convocação é uma troca de clube no meio do ano. O atacante é pretendido por Barcelona e Bayern de Munique, por exemplo, em uma transferência que pode fazê-lo ter menos minutos do que possui hoje no Leeds.
Como Vini Jr., a tendência é de crescimento. O camisa 20 vive sua melhor temporada no Real Madrid e, aparentemente, nem uma transferência de Kylian Mbappé mexeria nesse status. O ex-flamenguista tem boas chances, inclusive, de chegar à Copa como titular.
VAGAS ABERTAS
Pela lógica das listas, são seis posições que estão abertas na lista de Tite: última vaga no miolo de zaga, lateral esquerda, meio-campista e outras três no ataque, entre jogadores de referência e extremos.
A lateral direita poderia estar mais aberta se o concorrente principal de Daniel Alves, Emerson Royal, estivesse em alta. O jovem revelado na Ponte Preta vive fase irregular no Tottenham e ainda perdeu pontos com Tite após expulsão tola contra o Equador.
Na zaga, o favoritismo era todo de Lucas Veríssimo, mas uma grave lesão no joelho durante uma partida do Benfica impediu sua consolidação no grupo. Agora, a bola da vez é Gabriel Magalhães, cada vez mais titular do Arsenal, enquanto Felipe, do Atlético de Madrid, corre por fora.
A briga mais ferrenha está mesmo na lateral esquerda, em que Renan Lodi (Atlético de Madrid), Guilherme Arana (Atlético-MG) e Alex Telles (Manchester United) duelam praticamente em pé de igualdade. Lodi foi deixado de lado nas últimas listas por não ter o esquema de vacinação completo contra COVID, o que deu mais espaço a Arana e Telles, mas a briga provavelmente irá até o fim.
No meio-campo, é possível dizer que Bruno Guimarães (Newcastle), ainda mais pelo excelente jogo contra a Bolívia, tem natural vantagem sobre Gerson (Olympique de Marselha) para a vaga de "sombra" de Fred, ainda que não seja possível descartar os nomes de Arthur (Juventus), grande surpresa da última convocação, e nem de Douglas Luiz (Aston Villa), que chegou a ser titular ao lado de Casemiro.
Mas, em termos de dor de cabeça, é o ataque que mais nós dá em Tite antes da lista final, não só pela qualidade dos concorrentes, mas também pelo número de opções para as três vagas restantes.
A tendência é que a briga não saia de Gabriel Jesus (Manchester City), Matheus Cunha (Atlético de Madrid), Antony (Ajax), Richarlison (Everton) e Roberto Firmino (Liverpool), o que automaticamente já faria com que dois ficassem fora da relação.
Um ponto interessante na discussão é que a comissão técnica entende que Richarlison é atacante centralizado (camisa 9) e também capaz de fazer as funções de lado. Jesus também tem versatilidade a seu favor, mas partindo como atacante de lado que pode jogar centralizado.
Tite ainda olha com carinho para Rodrygo (Real Madrid) e Gabriel Martinelli (Arsenal), chamados inclusive para os jogos contra Chile e Bolívia. Everton Ribeiro e Gabigol, do Flamengo, parecem ter perdido terreno, mas ainda correm por fora na concorrida disputa, que será decidida nos mínimos detalhes.
"Pela grande disputa por vagas no ataque, o momento dos jogadores na época da convocação será muito importante", afirma um integrante da comissão de Tite ouvido pela reportagem.
