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Corinthians: Taunsa fez clube sonhar com Cavani e Suárez, mas é desconhecida entre barões do agronegócio

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Sede da Taunsa em Araçatuba, onde parceira do Corinthians diz que começou, tem sinais de abandono; VEJA imagens (2:05)

Reportagem da ESPN foi até local da sede da patrocinadora do clube paulista (2:05)

Parceira do Corinthians, Taunsa não é conhecida pelos empresários do setor do agronegócio na região de Araçatuba, onde iniciou suas atividades


Nenhum dos chamados barões do agronegócio da região noroeste do estado de São Paulo conhece ou já ouviu falar do Grupo Taunsa, a parceira do Corinthians que chegou a fazer o clube sonhar com a contratação dos atacantes uruguaios Edinson Cavani e Luis Suárez no início deste ano.

Os poucos que ouviram falar da empresa a relacionaram somente ao noticiário da última semana, quando veio à tona que a Taunsa não fez ao Corinthians o repasse de parte dos valores referentes ao pagamento do volante Paulinho. O clube paulista manteve os salários do jogador em dia e atribuiu o problema a uma questão de "fluxo de caixa" da empresa.

O desconhecimento da empresa entre grandes empresários foi o que constatou a reportagem da ESPN na última semana, quando visitou Araçatuba, cidade apontada como berço da empresa - que, na verdade, foi criada em Campinas, a cerca de 400 km dali - e sua sede administrativa desde 2017.

Foram abordadas 30 pessoas, ligadas à vida social, financeira e estrutural da região, como funcionários públicos, motoristas profissionais, pessoas do comércio e também influentes na vida política e no esporte local. Todos disseram não conhecer a empresa.

“Se ela é tão forte no agronegócio como se autodenomina, talvez os empresários do setor possam te ajudar”, disse um dos funcionários da prefeitura à reportagem.

Mas nem mesmo no Sindicato Rural da Alta Noroeste (Siran), o órgão mais relevante no assunto em toda a região noroeste do Estado, e que fica próximo ao centro de Araçatuba, a Taunsa é conhecida.

Ao repercutir o nome da empresa entre os barões do agronegócio o resultado foi o mesmo.

Um deles ficou admirado ao ouvir a descrição do objeto social na ficha cadastral da empresa (onde deve constar todas as atividades da empresa) e disse: “Fazem tudo isso e não são conhecidos por ninguém aqui?”.

A descrição diz, entre outras coisas, que a Taunsa tem como foco ser representante comercial e agente do comércio de máquinas, equipamentos, embarcações e aeronaves; também comércio de matérias primas agrícolas e animais vivos; comércio atacadista de cereais e leguminosas, farinhas, amidos etc; representantes e comerciais e agentes do comércio de peças e acessórios para veículos, entre outros.

“Oferecer produtos de qualidade superando a expectativa de nossos clientes e parceiros estabelecendo relações duradouras pautadas na ética e responsabilidade sócio ambiental, promover e reconhecer o crescimento do nosso capital humano”, informa a empresa como sendo essa sua missão.

“Ser referência no mercado agrícola nacional e internacional, integrando crescimento financeiro com redução do impacto ambiental e desenvolvimento social”, diz, como visão no mercado do agronegócio.

O site da empresa também diz que ela tem hoje capacidade para armazenar 270 mil toneladas de grãos por safra, o que especialistas do ramo disseram a reportagem que equivale a "4,5 milhões de sacos de grãos". A produção brasileira de soja deve totalizar neste ano 130 milhões, segundo a consultoria Datagro, informou o portal "Canal Rural".

Alguns empresários do agronegócio questionaram se a Taunsa era mesmo de Araçatuba, uma vez que disseram jamais ter ouvido falar da empresa na cidade ou mesmo por produtores da região.

O presidente do Siran, Thomaz Rocco, enfatizou. “Ela não é conhecida por nós. O que significa dizer que o Siran, o órgão mais representativo do setor, nunca ouviu falar dessa empresa”.

O desconhecimento se estende até para as mídias que acompanham o setor.

O "Canal Rural", portal mais acessado e conhecido no meio, citado pelos empresários até como referência, tem apenas uma notícia da Taunsa publicada. Ela é de 15 de dezembro passado, quando a parceria com o Corinthians foi tornada pública pelo dono da empresa, o empresário Cleidson Augusto Cruz, ao lado do presidente corintiano, Duílio Monteiro Alves.

Também em dezembro, já como parceiro do Corinthians, Cleidson falou com o jornal "Valor" e revelou plano de investimento de R$ 5,7 bilhões nos próximos seis anos para "tentar se tornar uma das três maiores exportadoras de soja do Brasil até 2028".

Para tentar entender os motivos por trás do desconhecimento sobre a empresa em Araçatuba, a reportagem entrou em contato com a Taunsa pelo telefone disponibilizado no site oficial da empresa na manhã da segunda-feira (28). A orientação passada foi que os questionamentos deveriam ser repassados à porta-voz por e-mail - Wanderlea Cruz Teixeira.

Não houve resposta até às 16h, quando a reportagem tentou novos contatos por telefone. Foi enviada apenas uma resposta indicando outro e-mail para contato. Novamente não houve resposta nem mesmo nas tentativas feitas por telefone.

A ESPN também tentou ouvir a ARJ Holding, grupo de Dubai, dos Emirados Árabes, que tem a Taunsa como uma de suas subsidiárias, através do contatos disponibilizados pelo grupo por telefone e e-mail. Também não houve resposta.

Na manhã desta terça-feira (29), a Taunsa, questionada sobre sua origem em Araçatuba, a sede, o antigo sócio, a produção, a relação entre os sócios e apenas duas vezes sobre o Corinthians entre 14 perguntas, enviou a seguinte resposta, através de seu departamento jurídico:

"O Grupo Taunsa sempre atuou de forma ética, tendo por pilares a responsabilidade empresarial, social e ambiental. A Taunsa não comenta detalhes de sua relação com o Corinthians, em razão da cláusula de confidencialidade do contrato. Todo e qualquer assunto envolvendo a parceria está sendo tratado diretamente com a Diretoria do Clube."

Apesar de não comentar sobre a parceria com o Corinthians, o CEO da Taunsa, Cleidson Cruz já concedeu entrevista falando abertamente que a empresa contribuiria para a chegada do tão sonhado centroavante ao time alvinegro - entre os nomes especulados, estiveram Cavani e Suárez.

"Nós, da Taunsa, estamos trabalhando para mostrar materiais do Brasil e provar que não é esse monstro que mostram lá fora. Somos uma gente fantástica, com um clube com mais de 30 milhões de apaixonados. Temos que vender isso. Você tem que criar todo um cenário, para ele analisar, comprar a ideia e ir", disse ele, em março, ao Canal do Cereto, no YouTube. "Nós, da Taunsa, estamos trabalhando para mostrar materiais do Brasil e provar que não é esse monstro que mostram lá fora."

No fim da tarde desta terça, através de suas redes sociais, a Taunsa publicou a seguinte nota oficial:

"A Taunsa, a propósito de algumas matérias publicadas recentemente por veículos de imprensa, faz questão de esclarecer alguns pontos à imensa torcida corinthiana.

1. A Taunsa está em franca atividade operacional, inclusive de exportação. No ano passado exportamos mais de R$ 250 milhões e celebramos a partida de um navio com 60.000 toneladas de farelo de soja e 20.000 toneladas de óleo de soja, exportados rumo ao Oriente Médio. Somos a única empresa 100% brasileira a exportar sozinha um navio completo de grãos. Quanto aos nossos endereços, são plenamente conhecidos por nossos clientes e fornecedores.

2. A Taunsa cumpre suas obrigações e nunca se furtou de prestar esclarecimentos quando necessário.

3. A relação entre a Taunsa e o Corinthians permanece sem sobressaltos, com a quitação da parte pendente dos compromissos prevista para muito em breve.

4. A Taunsa continua firme no seu propósito de investir no esporte como ferramenta de desenvolvimento social, mesmo diante do cenário de incertezas e percalços para o setor exportador gerado pelo recente conflito na Ucrânia. Pedimos desculpas a imensa torcida corintiana pelos ruídos causados e agradecemos a confiança em nosso trabalho.

Atenciosamente
Taunsa Group"