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Como Milan e Inter de Milão tiveram mais donos do que títulos nos últimos anos no futebol italiano

Rivais fazem o Derby della Madonnina nesta terça-feira, pela primeira partida da semifinal da Copa da Itália


O assunto SAF (Sociedade Anônima do Futebol) virou moda no Brasil, após clubes como Cruzeiro, Botafogo e Vasco virarem empresas e negociarem parte de suas ações para novos donos em troca de investimentos pesados no futebol profissional.

Mas um time ter um proprietário é algo que, na Europa, é bem comum. E, para cada caso de sucesso, há também os projetos que não vingam tanto. Milan e Inter de Milão, infelizmente para suas grandes torcidas na Itália, pertencem mais ao segundo grupo nos últimos anos.

Nesta terça-feira (1º), os rivais fazem mais um Derby della Madonnina para começar a decidir quem avança à final da Copa da Itália. A primeira partida, marcada para 17h (de Brasília) e com transmissão pela ESPN no Star+, coloca frente a frente clubes imensos e tradicionais, mas que, de 2013 para cá, carregam um dado curioso: tiveram mais donos do que troféus.

Milan e Inter, é bom que se diga, marcaram época no passado com dirigentes pesados nos bastidores. Silvio Berlusconi foi dono do time rubro-negro por 31 anos e levantou 29 títulos, enquanto Massimo Moratti foi o responsável por recolocar os nerazzurri em evidência na Itália e na Europa.

Mas, desde que ambos deixaram o poder, os clubes não conseguiram mais o mesmo desempenho. Juntos, Milan e Inter somam três títulos desde 2013 (um Campeonato Italiano, em 2020/21, e duas edições da Supercopa da Itália, em 2016 e 2021), ao mesmo tempo que tiveram quatro donos diferentes desde que Berlusconi e Moratti abriram mão do poder.

A Inter foi a primeira a ser vendida. Em outubro de 2013, um grupo de empresários da Indonésia comprou 70% das ações do clube por 300 milhões de euros, o equivalente a R$ 883 milhões na época. Assim, coube a Erick Thohir assumir a cadeira de Moratti na presidência.

O mandato do magnata durou exatos cinco anos, quando, em outubro de 2018, Steven Zhang assumiu a presidência da Inter. Três meses depois, o grupo LionRock Capital, de Hong Kong, adquiriu as ações que eram dos empresários da Indonésia e passou a controlar o clube.

A Inter, que não ganhava um título desde 2011, voltou a ser campeã italiana na temporada passada, em time estrelado por Romelu Lukaku e Antonio Conte, mas logo passou por um desmanche. Atualmente, o clube segue vivo em todas as competições, na expectativa de levantar o terceiro troféu em meses.

O processo pelo qual passou o Milan foi semelhante até. Em abril de 2017, Berlusconi anunciou a venda de 99,93% do Milan ao consórcio chinês Rossoneri Sport Investment Lux, pelo preço de 740 milhões de euros (R$ 2,47 bilhões).

Li Yonghong assumiu a presidência do clube, que buscava, com esse movimento de mercado, retomar o protagonismo do futebol italiano. Mas o plano não deu certo, a ponto de a passagem do dirigente durar até meados do ano seguinte apenas e acabar de maneira polêmica.

Sem conseguir arcar com uma dívida de 300 milhões de euros com o grupo Elliott Management, o magnata chinês simplesmente passou o controle do clube à empresa americana, que nomeou Paolo Scaroni como novo presidente – está no cargo até hoje.

A troca nos bastidores estabilizou a situação financeira do Milan, o que permitiu ao clube voltar a disputar a Champions League nesta temporada e brigar pelo título italiano com a Inter e também o Napoli. A expectativa é encerrar a seca de conquistas, que já tem seis anos completos.

A busca por mais um título passa obrigatoriamente pelo clássico de logo mais. Um dérbi histórico, de tradição imensa e que também mostra que nem sempre um novo dono endinheirado é solução para os problemas...