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Ayrton Senna: assessor relembra acidente que matou o tricampeão da Fórmula 1 há 25 anos

O dia 1º de maio de 1994 marcou para sempre a memória de milhões de pessoas no Brasil e no mundo.

Naquele domingo, durante o GP de San Marino no circuito de Ímola, Ayrton Senna da Silva - tricampeão da Fórmula 1 - morreu de forma trágica após bater com sua Williams na curva Tamburello.

O ídolo das pistas faleceu aos 34 anos deixando uma legião de fãs e admiradores, além de um legado imensurável dentro e fora das pistas.

Charles Marzanasco Filho, assessor de imprensa do piloto no Brasil, não tinha ideia da gravidade do acidente quando assistia pela TV.

"Eu estava assistindo à corrida em casa e realmente foi uma loucura. Primeiro porque a gente não sabia de fato se ele tinha falecido ou não. De qualquer forma, fui para meu escritório, porque estava esperando o material pós-corrida, e quando cheguei lá ainda não tinha informação sobre o estado de saúde dele. Pouco depois, soube que ele tinha falecido", contou o jornalista ao ESPN.com.br.

"Foi uma coisa realmente chocante para mim na época... Logo depois a família Senna pediu para eu ser o porta-voz da família, me desloquei para o prédio, e foram dias bem terríveis..."

Marzanasco começou a trabalhar com Senna em 1986 e o ajudava com demandas no Brasil - de eventos a entrevistas coletivas em aeroporto até voltas em Interlagos para jornalistas com o tricampeão no volante.

Nada, porém, como aquele dia há 25 anos.

"Foi um trabalho muito difícil, mas de uma certa forma, para mim, acabou sendo... não digo um alívio, mas ajudou muito na parte emocional. Porque eu fui obrigado, naquele momento, a fazer um trabalho em que me fazia esquecer que o Senna tinha morrido. Eu tinha que executar aquele serviço. Eu, de fato, me sentia muito mal quando chegava em casa: ali eu me dava conta de que ele tinha morrido", relembra.

"Antes eu ficava com a impressão de que ia buscá-lo no aeroporto, ia ter uma coletiva ali mesmo. Nunca esqueço que quando cheguei em casa no domingo que ele faleceu, cansado, liguei a TV e vi o Maracanã inteiro cantando 'Senna, Senna!'. Ali foi uma choradeira danada".

O assessor era muito próximo a Milton da Silva, pai de Ayrton. Era nele em que Charles Marzanasco mais pensou durante os dias seguintes à tragédia.

"No dia do velório na Assembleia Legislativa, jornalistas me pedindo informações, eu lembro que fui entrar onde estavam pilotos e as pessoas mais ligadas à família, cheguei perto do seu Milton e já cheguei chorando. Me dava aflição em pensar como ele estava sofrendo. Cheguei perto dele, me apresentou àquelas pessoas, falou que eu era assessor de imprensa – e eu chorando – e disse: 'Ele está fazendo um grande trabalho com o que pedimos'. Daí chorei ainda mais", afirmou.

O jornalista, depois, trabalhou na fabricante Audi - que Ayrton Senna ajudou a trazer ao Brasil - ao do irmão do piloto, Leonardo, até 2018.

Para ele, o brasileiro é o maior piloto da história: "A imagem do Senna vai ser sempre muito positiva, em todos os aspectos. Sempre que ia para as corridas, Ayrton não era considerado um piloto muito inteligente - como eram considerados Prost, Piquet e Fittipaldi -, não tinha os melhores carros (Toleman, Lotus...), mas fazia poles, ganhava corridas".

"Senna fazia aquilo com arrojo, sempre queria as vitórias, não tinha aquilo de ‘vou segurar em terceiro’. Ou vencia ou acontecia qualquer coisa, e quando ele fazia alguma coisa errada, parecia futebol, muitos ficavam louco da vida com ele. Senna despertava paixão nas pessoas: você adorava ou não", decreta.