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Com brTT e Nobru, campanha reúne times e jogadores contra confederações de esports

Segunda assembleia sobre o PL 383/17 no Senado. Edilson Rodrigues/Agência Senado

Nesta terça-feira (13), alguns representantes brasileiros no cenário de esports como paiN, FURIA, Felipe “brTT” e outros, enviaram aos deputados estaduais de São Paulo uma carta com o intuito de se opor aos projetos de leis estaduais que buscam regular a prática do esporte eletrônico no Brasil. O motivo para tal, segundo aqueles que assinaram a carta, é a falta de participação de todo o ecossistema que faz o esporte eletrônico acontecer no país nas decisões e como essa falta pode fazer com que leis que causem “risco significativo ao atual bom funcionamento e crescimento futuro dos esportes eletrônicos no Brasil” sejam aprovadas.

Ainda que em nível Federal a discussão sobre os esportes eletrônicos tenha se tornado mais branda para que a mesma possa ser analisada de uma forma “mais equilibrada de sua importância e de suas características “, após uma série de audiências públicas onde o ecossistema se mostrou contrário ao que foi apresentado, o Senado Federal está reconsiderando a PLS 383/2017.

Em nível estadual, o projeto de lei 1.512/2015 foi vetado integralmente após, em janeiro de 2020, o Governo de São Paulo ouvir o ecossistema e entender as preocupações e impactos que uma regulamentação inapropriada poderia causar ao cenário.

A oposição formada por paiN, INTZ, RED Canids, FURIA, AfroGames, W7M Esports, Santos, Ebrainz, BBL, ESA, Team One, 7wPlay, LOUD, Mais Esports, Felipe brTT, Caju, Rafifa e outros nomes busca se posicionar em relação aos projetos de leis PL 399/2019 (Rio de Janeiro), PL 56/2019 (Espírito Santo), PL 2.207/2020 (Minas Gerais), PL 1707/2019 e PL 7613/2019 (Goiás) e PL 578/2019 (Distrito Federal) e demais que tenham o mesmo conteúdo, ou similar, à PLS 383/2017.

Segundo a carta, hoje o Brasil já conta com cinco estados (Ceará, Paraíba, Amapá, Bahia e Paraná) que aprovaram leis que regulam a prática dos esports sem nenhuma consulta ao ecossistema. Em carta, os participantes pontuaram questões do porquê o ecossistema se opõe aos projetos de lei mencionados:

“ ⦁ As confederações e federações existentes no Brasil que se dizem representantes dos esportes eletrônicos brasileiros não nos representam de forma alguma. Não as reconhecemos como representantes dos esportes eletrônicos no país e nos opomos ao texto dos projetos de lei que as caracterizam desta forma.

⦁ Os esportes eletrônicos brasileiros espelham a bem-sucedida organização do segmento em muitos outros países, a qual permite o seu desenvolvimento na ausência de regulamentação excessivamente onerosa.

⦁ Os esportes eletrônicos existem em virtude de direitos de propriedade intelectual que permitem às publicadoras disponibilizar jogos para milhões de pessoas e proteger seu investimento.

⦁ Contrariamente a esportes tradicionais que requerem uma padronização das diversas formas de se jogar o mesmo jogo, nos esportes eletrônicos as regras de jogo são definidas no momento da criação do jogo pelas publicadoras. Não há nos esportes eletrônicos a necessidade de entidades de administração do desporto que garantam regras comuns já que as publicadoras as garantem – e com sucesso.

⦁ Os esportes eletrônicos fomentam, sem fazer uso de dinheiro público, o próprio segmento e contribuem para a formação e descoberta de novos talentos por meio de campeonatos inclusivos que envolvem comunidades, instituições de ensino e de pesquisa.

⦁ O próprio segmento tem demonstrado pleno interesse em reforçar o papel dos esportes eletrônicos como ferramenta de transformação e socialização, focando na criação de oportunidades para jovens de todo o Brasil.

⦁ Submeter os esportes eletrônicos ao sistema nacional de esportes e assim permitir qualquer controle do segmento por confederações, federações ou outras entidades associativas poderia:

- Resultar em excessiva judicialização do segmento em virtude dos direitos de propriedade intelectual incorporados nos jogos.

- “Rebaixar” o Brasil de terceiro maior mercado para esportes eletrônicos no mundo (atrás apenas da China e dos Estados Unidos), podendo assim afastar investimentos em esportes eletrônicos do Brasil para outros países e até mesmo causar a cessação da distribuição oficial dos jogos no país.

- Encarecer os custos dos esportes eletrônicos para o consumidor na medida em que encareceria o custo de campeonatos e torneios que requerem uma interação online muito intensa e uma manutenção de servidores de alta performance.

⦁ Esportes eletrônicos não constituem um esporte tradicional”

Ainda em carta, o ecossistema pede para que as assembleias legislativas estaduais que hoje consideram projetos de lei relacionados aos esports eletrônicos, que levem em consideração o que ocorreu com os projetos do Senado Federal e no Estado de São Paulo - onde essa comunidade foi ouvida para que os mesmos sejam feitos da melhor forma.

Para finalizar, o grupo de representantes dos esports deixou-se à disposição “para compartilhar nosso conhecimento e pontos de vista de forma a contribuir para que o segmento continue a prosperar e trazer importantes dividendos econômicos e sociais para o país como um todo”. Caso a comunidade queira ajudar na causa, pode fazer isso através do link para a petição criada pelo ecossistema contra o modelo federativo nos esports.

Confira a lista de nomes do cenário de esports que assinaram a carta:

  • Leo de Biase (Sócio Fundador da BBL Esports)

  • Thomas Hamence (CEO da paiN Gaming)

  • Ricardo Chantilly (Sócio diretor da Afrogames)

  • Felipe Funari (Diretor de Esports da W7M)

  • Leonardo Di Prado (Diretor Executivo do Santos)

  • Lucas Almeida (CEO da INTZ)

  • Jaime de Padua (Co-CEO da FURIA)

  • Adalberto Vides Barbosa (CEO da eBrainz)

  • Alexandre Jorge Peres (Dono da Team oNe)

  • Felipe Rosseto Carvalho (Co-fundador e CEO da 7WPlay)

  • Eric Teixeira (Dono do Mais Esports)

  • Nyvi Estephan

  • Felipe “brTT” Gonçalves

  • Rafael “Rafifa”

  • Giuliana “Caju” Capitani

  • Nicolle “Cherrygums” Merhy

  • Tarek Homsi (CEO da Webedia)

  • Gustavo “Baiano” Henrique

  • Lucas “Cerol” dos Santos

  • Bruno “Nobru” Goes

  • Renan Philip (Sócio Fluxo Esports)

  • Yuri “Fly” Uchiyama (CEO da GamersClub)

  • Rodrigo Bertho Mathias (CEO da LnK Gaming)

  • Marina Gil Leite (Sócia Diretora da Vorax)

  • Lucas Braga (CEO da MEC Inc)

  • Flávio “Jukes” Fernandes