Em eventos especial no autódromo de Interlagos, Antony Curti conversou com Kazunori Yamauchi, criador da série Gran Turismo.
Como parte do evento realizado na manhá da última quinta-feira (03) em Interlagos, alguns jornalistas tiveram a oportunidade de participar de uma coletiva com Kazunori Yamauchi, criador da série Gran Turismo e diretor da franquia até os dias atuais.
“Kaz”, como é chamado pela comunidade, tem o mesmo amor pelos carros que sempre demonstrou desde os anos 1990, quando idealizou o “projeto Gran Turismo”. Era perceptível, quando falava de alguns aspectos técnicos ou carros clássicos no evento na capital paulista, como seus olhos brilhavam nas respostas. É um sinal claro de que o mesmo amor e devoção de Yamauchi ainda estão presentes depois de tantas edições da série para consoles da Sony.
A mudança de Gran Turismo 7 em relação ao seu antecessor, Gran Turismo Sport, é uma ênfase maior na cultura dos carros como um todo - e não apenas no automobilismo: “Gran Turismo 7 se relaciona melhor não apenas com o automobilismo, mas com a cultura, com a indústria e com os amantes de carros de uma forma geral”, disse Yamauchi.
Como muito bem-posto por vários veículos nesta semana de lançamento, Gran Turismo 7 é uma declaracão de amor aos carros. Com a popularização dos aplicativos de transportes e outras mudanças na sociedade como um todo, as gerações mais jovens não nutrem a mesma paixão por esses brinquedos com motores como as mais velhas. Mesmo entre os millennials, grupo etário do qual faço parte, já vejo amigos que não têm a mesma ânsia de ter um carro, lavá-lo aos finais de semana e sentir o prazer de dirigir. Para os mais jovens, as gerações z e alpha, o sentimento parece ainda maior.
Um jogo como Gran Turismo 7, portanto, tenta mudar esse senso entre os mais jovens – dado que essas gerações já nasceram com um controle na mão, praticamente. Não que seja uma missão do jogo, mas é algo que indiretamente ele pode ter impacto na sociedade.
“Há 25 anos, quando apresentamos o primeiro Gran Turismo, a cultura de carros era ainda muito popular, havia muita gente falando sobre o assunto. Só que os tempos mudaram, por isso projetamos Gran Turismo 7 de maneira que, mesmo que você não esteja tão familiarizado com carros ou corridas, ainda assim conseguiremos transmitir o fascínio dos carros por meio do design”, disse Kaz.
De fato, é o que sentimos já nas primeiras horas de jogo. Pelo modo “Café”, que tem uma pegada bastante “Professor Carvalho em Pokémon”, somos instruídos a nos apaixonar pela cultura dos carros e pela importância deles na história recente da humanidade
25 ANOS DEPOIS, A EQUIPE É MAIOR, MAS O AMOR É O MESMO
Tive a oportunidade de fazer três perguntas a Yamauchi na coletiva de Interlados. Na primeira, perguntei há quanto tempo o jogo estava sendo desenvolvido, dado que o PlayStation 4 foi o único console da Sony a não receber um Gran Turismo da série principal. Kazunori respondeu que o “trabalho começou de fato em 2017”, o que nos leva a crer que durante o lançamento de Gran Turismo Sport, o trabalho na sétima versão da série principal já havia começado.
Na sequência, perguntei, dada a quantidade de anos no desenvolvimento, como o ciclo de Gran Turismo 7 lembra o do primeiro jogo da série, que levou cinco anos para ficar pronto: “acredito que a grande diferença é que no Gran Turismo 1 teve 15 pessoas na equipe e para o Gran Turismo 7, foram mais de 300 pessoas no projeto. Basicamente a diferença foi ter mais pessoas, mas acho que a atmosfera familiar que criamos na Polyphony Digital perdurou por todos esses anos”, disse.
Yamauchi fez questão de agradecer a comunidade, tão fiel durante esses anos, pelo fato de que a Polyphony (por mais que tenha aumentado de tamanho), ainda carrega a essência da equipe original dos anos 1990. “Basicamente a diferença foi ter mais pessoas, mas acho que a atmosfera familiar que criamos na Polyphony Digital perdurou por todos esses anos. O time é muito maior após mais de duas décadas de trabalho, mas o núcleo de pessoas que tocam o projeto são as mesmas. A razão para que tenhamos conseguido foi por todo o apoio dos fãs ao longo dos anos, algo que me deixa muito feliz”, completou.
Uma vez li que o carro favorito de Kaz é o Ford GT. Em minha uma pergunta, mais objetiva para sentir justamente a essência do que é Gran Turismo, perguntei o que faz do carro seu favorito?
“Eu devo ter falado disso em algum lugar antes, mas na era desses carros, como a Ferrari 330 P4, o designer de carros também projetava os carros de corrida. Por isso, eles resultaram nessa fantástica combinação de beleza e velocidade. Primeiro você tem que ter em mente que esses designers foram separados conforme o tempo passou. Naquela época em particular, os designers de exterior realmente projetavam os carros de corrida, por isso o resultado foi esse equilíbrio incrível, e é isso que eu amo o Ford GT. Além disso, esses carros foram desenhados totalmente para competição, mas são lindos não importa o ângulo que você os vê. Eu realmente amo carros assim”, respondeu Kaz.
Gran Turismo 7 e os demais jogos da série não são apenas simuladores da pilotagem. Eles envolvem muito mais do que isso: catequizam amor aos carros em tudo que envolve-os. Dos decalques à possibilidade de trocar a pintura e fazer o veículo ser uma extensão da nossa própria personalidade. O amor do criador da série e ainda diretor a essas peças de metal com motores mostram que eles não são apenas objetos que te levam do ponto A ao ponto B. São arte.
Gran Turismo 7 já está disponível com versões para PlayStation 4 e PlayStation 5.
