Participei de um evento promovido pela Sony em Interlagos para uma experiência de velocidade real e em Gran Turismo 7.
Para participar de um evento promovido pela Sony no Autódromo de Interlagos (São Paulo) na manhã dessa quinta-feira (03) era necessário ter bastante coragem. Eu tive. A ideia era dar uma volta em carros de verdade, com pilotos profissionais, e, na sequência, repetir o mesmo trajeto no mesmo carro, só que de forma virtual em Gran Turismo 7 – game de velocidade cujo slogan é Simulador Real de Pilotagem (tradução livre de Real Driving Simulator).
A experiência de pilotagem vai muito além da física do carro, tão corretamente reproduzida em simuladores.
A aposta da Sony no evento de hoje foi mostrar justamente isso. Gran Turismo 7, tal como seus predecessores, foca nos detalhes: “estamos trabalhando no jogo desde 2017”, respondeu-me na coletiva via Zoom o arquiteto e criador da franquia, Kazunori Yamauchi. Creditado como diretor nos créditos do jogo, é nítida a paixão de Yamauchi pelos detalhes tais como era evidente no Gran Turismo original da década de 1990.
Há alguns anos que Gran Turismo e seu concorrente, Forza, são mais adequadamente colocados na prateleira de Simcade (jogo que possui uma jogabilidade desafiadora, mas que não é tão realista como um simulador) e não nos simuladores (gênero mais voltado para entusiastas, como iRacing). Isso não quer dizer, toda via, que o slogan seja deturpado como você verá adiante.
Os carros que estavam disponíveis no evento, e que foram pilotados por Bia Figueiredo e Tony Kanaan, tinham decalques do PlayStation. Os mesmos decalques, bem como outros tantos criados pela comunidade e pelo próprio jogador, estão disponíveis no game. A paisagem de Interlagos, com direito a prédios e a grande caixa d´água, idem. Marcas de pneu depois do “Mergulho” ou na freada da “Junção”? Tudo lá de forma virtual.
TIRANDO A FORÇA G, TUDO ESTÁ ALÍ
Se há uma coisa que absolutamente nenhum simulador consegue replicar – a menos que tenha ajuda mecânica e olhe lá – é a questão da força G. Estivemos no primeiro grupo a poder desfrutar uma volta com um dos carros ali presentes e escolhi o Audi R8, com um amarelo que fazia jus ao espírito de corrida que permeia cada bloco de concreto de Interlagos.
Já perdi as contas de quantas e quantas voltas (virtuais) já dei no circuito. A primeira vez a gente não esquece e tampouco poderia ser o caso: foi no longínquo ano de 1996, na segunda edição (da hoje finada) serie Grand Prix. De lá para cá, vieram outras tantas, sendo as mais recentes justamente no Gran Turismo Sport na noite de ontem em minha casa.
No mundo real, dar essas mesmas voltas em Interlagos foi como andar numa montanha russa - ao menos eu sabia os pontos que Bia iria acelerar ou frear (ou quase). Mesmo como passageiro, a experiência foi imersiva a ponto de não perceber que as duas voltas e mais passaram “voando”.
Depois, ainda um pouco extasiado com a adrenalina ainda no sangue, sentei no simulador montado pela Sony para o evento. Nada muito complexo: imagine aqueles cockpits antigos de Daytona USA que você via em em shoppings. Pensei: “depois de duas voltas tão intensas, sentindo o barulho do motor por todos os sentidos numa sinestesia maluca, o videogame não seria a mesma coisa”.
Claro que não foi a mesma coisa, não vou mentir para vocês. A ausência da força G – a gravidade, no caso – faz com que seja algo diferente, mas depois de três voltas no cockpit, meu cérebro começou a me enganar. Digamos que eu tenha entrado naquele estado de fluxo tão gostoso que quem joga qualquer game de corrida em simuladores já tenha sentido. Brigava com o volante de forma parecida com aquela que acabara de ver Bia Figueiredo fazendo na tomada do “Pinheirinho”.
Não era a mesma coisa, mas, como disse, minha mente foi enganada por alguns instantes. É o suficiente para entender que a aposta da Sony no evento fez todo o sentido. Depois de voltar ao normal, comecei a perceber que várias coisas presentes no horizonte da Interlagos virtual estavam da mesma forma na Interlagos de verdade, ali fora do box.
Gran Turismo 7 é uma mistura de Pokémon, em seu aspecto colecionável, com carros. Poder ver um carro na rua e senti-lo à distância de alguns créditos virtuais é um instrumento incomensurável. Por tudo isso, ser um Real Driving Simulator ainda faz jus ao sentido original que Yamauchi arquitetou enquanto dormia nos escritórios da Poliphony há 25 anos para entregar ao público seu sonho perfeccionista. Dirigir é mais do que física do carro, mas sentir-se um só com ele. Hoje, mais uma vez, Gran Turismo me fez sentir isso.
Gran Turismo 7 já está disponível com versões para PlayStation 4 e PlayStation 5.
