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Muito além do nome: John Madden e sua importância para o mundo dos videogames

John Madden morreu nessa terça-feira (28), mas sei legado para o futebol americano, NFL e os videogames é gigante.


O maior game de futebol da atualidade é FIFA. Do hóquei sobre o gelo é NHL. MLB tem seu MLB The Show, assim como a Fórmula 1 tem F1 e a NBA tem NBA 2K. O futebol americano, não. Seu nome até possui NFL, mas quem popularizou o esporte nos videogames não foi uma entidade, mas uma lenda: Madden.

O mundo da NFL está luto com a notícia da morte de John Madden, ocorrida na noite dessa terça-feira (19). O treinador campeão de Super Bowl, membro do Hall da Fama da NFL e comentarista de TV por mais de duas décadas morreu aos 85 anos, mas seu legado no esporte é tão grande, que até o nome da franquia de videogame oficial da liga recebe seu nome até hoje, Madden NFL.

Madden nunca pisou em um campo da NFL como atleta profissional, mas foi um técnico vencedor, um comentarista dos mais amados e aquele que “lutou” para que o game que a EA queria lançar na década de 1980 fosse uma simulação do esporte.

UMA VIDA PELA NFL

John Earl Madden nasceu em 10 de abril de 1936 em Austin, Minnesota. Foi a 244º escolha do Draft de 1958 pelo Philadelphia Eagles, mas nunca participou de uma partida oficial, já que um problema crônico seu joelho (que o acompanhou em sua carreira no futebol americano universitário) o impediu de atuar.

Sem espaço dentro de campo, voltou para futebol americano universitário agora como técnico e fez uma carreira de sucesso. Foi contratado em 1967 pelo dono do Oakland Raiders, Al Davis, para fazer parte da comissão técnica do time. Em 1969, aos 32 anos, se tornou o treinador principal do time e teve números expressivos: 103 vitórias, 32 derrotas e 7 empates em temporada regular, além, da conquista do Super Bowl XI sobre o Minnesota Vikings.

Uma vez aposentado, seguiu sendo muito influente no esporte ao se tornar comentarista na TV. Entre 1979 e 2008 foi uma das principais vozes nas transmissões televisivas. Passou pelas quatro grandes emissoras dos EUA (CBS, Foz Sports, ABC e NBC) com um estilo único e marcado por bordões e o uso telestrator, tecnologia que permitiu à John explicar jogadas e elementos importantes da transmissão ao ilustrar na tela com linhas e desenhos.

MUNDO VIRTUAL

Em 1986, a EA Sports tinha o projeto de levar o futebol americano para os videogames. Então, o projeto foi apresentado a Madden em uma viagem de trem (John tina pavor de aviões). Desde o início, Madden via a franquia de videogame como uma ferramenta de ensino do esporte para os mais jovens. Para ele, o game seria uma forma de ensinar e desenvolver o futebol americano, além de testar jogadas antes de levá-las ao campo de jogo.

Uma vez que concordou em fazer parte, incluindo emprestar seu nome, rosto e voz ao longo dos anos, participou ativamente da produção do game ao compartilhar seu conhecimento profundo do esporte. Lutou para que o game fosse alinhado com a realidade e que tivesse a simulação como foco. O pessoal de desenvolvimento do game original queria, por exemplo, times com 7 jogadores em campo por conta de limitação técnica, algo rebatido por John (os times do futebol americano são compostos por 11 atletas em campo): "se não for 11 contra 11, não é futebol americano de verdade".

O aspecto de transmissão para as partidas do game também foi algo atribuído à Madden, assim como a maneira como a maneira como o playbook, a lista de jogadas de um time, fosse apresentada aos jogadores. Nascia Madden NFL, cujo primeiro game lançado em 1988 pela EA Sports para PC.

Com os anos, Madden seria uma “figurinha carimbada” em publicidade, menus e dentro do jogo. “Ask Madden” se tornou uma das marcas da franquia, um atalho para quando estamos em apuros. A jogada sugerida pelo game, dentre todas as que formavam o playbook, era um pedido uma ajuda ao treinador que acabou como uma das homenagens à Madden.

A MALDIÇÃO DE MADDEN

John tinha o orgulho de batizar a franquia oficial da principal liga de futebol americano do globo, as viu seu nome em algo inusitado, a famigerada “maldição de Madden”. Não, o treinador não amaldiçoou ninguém, mas uma espécie de má sorte passou a acompanhar aqueles que eram destaques nas capas anuais da franquia.

A partir de 1988, com o início da franquia, John Madden foi a estrela das capas dos jogos por 11 edições consecutivas. Até que a EA revolveu colocar grandes nomes da liga em destaque e franquia teve Garrison Hearst , Running back do San Francisco 49ers na capa de Madden NFL 99.

A novidade agitou os fãs, principalmente os torcedores do time do homenageado na capa, mas acabou gerando a mítica maldição. A partir de 99, os selecionados foram coincidentemente afetados por problemas dentro e fora de campo.

Hearst quebrou o tornozelo em uma partida de playoff contra o Atlanta Falcons, ficando de fora da NFL por duas temporadas. Eddie George (Madden NFL 2001) nunca mais jogou bem em sua carreira, Michael Vick (Madden NFL 2004) se machucou ainda na pré-temporada, Troy Polamalu (Madden NFL 10) se machucou duas vezes na mesma temporada e muitos outros.

Calvin Johnson (Madden NFL 13) foi o considerado o primeiro a não “sofrer” com a tal maldição, mas seu desempenho foi aquém naquela temporada. Richard Sherman (Madden NFL 15) esteve no Super Bowl (XLIX) da mesma temporada de sua capa, mas foi derrotado pelo New England Patriots.

Hoje, temos exemplos de jogadores que não sofreram com os efeitos, como Tom Brady e Patrick Mahomes, mas a “maldição de Madden” ainda é algo lembrado a cada novo anúncio

MADDEN NA CAPA DE MADDEN

Assim que a morte de Madden foi anunciada, os fãs da franquia passaram a homenagear o treinador. Uma das formas mais recorrentes é o desejo de ver John na capa da franquia que ajudou a construir. Até o momento, a EA não se manifestou, mas voltar a ver Madden na capa de um Madden (mesmo que em uma edição especial) seria mais do que merecido.