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Crítica | Segundo ato de Arcane pisa no freio para expandir a sua história

Segundo ato abre caminho para o final de Arcane Divulgação/Riot Games

Trama dá mais espaço para que Caitlyn, Jayce, Jinx e Vi sejam melhor construídos e encaminha a história para o apogeu do terceiro ato.


Mais uma semana, mais uma leva de episódios de Arcane, série produzida em parceria entre a Riot Games e Netflix que conta a história de Piltover e Zaun, e de personagens importantes para essas cidades: Vi, Jinx, Jayce, Viktor e Heimerdinger. Tudo isso de uma maneira bastante interessante tanto para quem nunca viu a série, até para os fãs de League of Legends - com direito a muitos easter eggs.

A série está sendo apresentada ao público em forma de Atos e o primeiro deles foi bem marcante, principalmente pela massiva campanha de lançamento, que aconteceu no mesmo dia do encerramento do Mundial de League of Legends. Logo em sua semana de estreia, conseguiu arrancar elogios da crítica, se tornando a série com a melhor estreia da Netflix no IMDB.

Após um início bombástico em seu primeiro ato, Arcane volta uma semana depois para continuar o desenvolvimento de seus personagens-chave e dar espaço para outros que só tínhamos visto por cima.

A Riot imprimiu um ritmo rápido no primeiro ato, mostrando a infância de Vi e Jinx, a descoberta da magia Hextec de Jayce e Victor, mas com muita atenção da divisão entre as castas de Piltover, com o lixão de Zaun e a rivalidade entre esses dois povos. Agora no segundo ato, com as apresentações já feitas, é necessário desenvolver os personagens para dar uma perspectiva de algo grandioso que vai acontecer no terceiro. E foi isso o que foi mostrado.

Nota-se que alguns anos se passaram entre a queda de Jinx e a ascensão de Jayce, o tempo não é citado explicitamente, porém podemos perceber que Piltover está seguindo em seu caminho para a prosperidade e a Subferia se afunda no decaimento.

No alto, Jayce se tornou um dos principais inventores com a ajuda de Viktor (que se mantém às sombras) e o apoio da conselheira Mel Medarda, apesar de sempre ser repreendido por Heimerdinger. Sua relação com Mel, acaba evoluindo para um romance, abordado de uma forma bastante convincente e adulta.

O ápice foi uma noite de sexo ardente reforçando o discurso de que a Riot está trabalhando nesta série sem medo de apresentar temas fortes para seu público, majoritariamente jovem, de uma forma responsável e madura para o desenvolvimento de seus personagens.

Caitlyn, por outro lado, é uma defensora com seu olhar perspicaz e investigativo, porém, protegida pelo nome de sua família e é quem tem o maior destaque neste arco. Ela acaba se deparando com uma nova ameaça, os Fogolumes, mas a trama não se aprofunda neles e sim nos protagonistas.

Por sua personalidade forte, Cait acaba se embrenhando em uma busca na qual ela se defronta com o extremo oposto da cidade do progresso. Desde o fim do quarto episódio, no qual ela encabeça sua jornada, até o final do sexto capítulo, quando já encontra-se entrincheirada na Subferia, descobre que o mundo é muito mais cinzento do que pode ser imaginado lá do alto.

Cait vê o extremo oposto da vida que leva em Piltover, um choque de realidade na qual ela vê restaurantes que servem comidas nojentas, casas de meretrício e a violência que existe em cada esquina e também acaba descobrindo que até mesmo existe uma latrina ainda mais fétida do que os esgotos de Zaun (que por sua vez é o esgoto de Piltover), entendendo que sempre dá para ficar pior e acabando com a visão supérflua que a aristocracia lá de cima tem da civilização de lá de baixo.

Inicialmente movida pelo objetivo maior de proteger a Cidade do Progresso dos terríveis ataques provindos de um grupo terrorista de Zaun, Caitlyn, com ajuda de Vi, se descobre como mulher, sem abandonar seu instinto de justiça e enxergando a pobreza que sustenta a boa vida dos nobres da aristocracia. Ela tem o potencial para ser a peça central do arco final de Arcane e de transformar a trama da série em algo menos maniqueísta.

O MUNDO DÁ VOLTAS

Ao mesmo tempo em que Caitlyn se transforma em uma grande protagonista, vemos duas tramas iniciadas no primeiro ato se desenvolvendo um pouco mais para dar corpo à série, começando com o laço entre Vi e Jinx. Enquanto Vi acredita que Jinx conseguiu se virar nas vielas da Subferia, Jinx acredita que sua irmã foi embora para nunca mais voltar e se surpreende ao ver Vi bem na sua frente com um olhar fraterno. Porém, a loucura já se espalhou tanto em sua personalidade que talvez essa mente esteja fragmentada demais para voltar a ser a inocente Powder que ficou sob os cuidados de Silco.

O tema de Jinx mostra a péssima influência de Silco em sua vida, amplificando ainda mais seus traumas e usando-a como a mais letal arma contra a opressão provinda de Piltover. Silco, ao tirar Vander da jogada, se tornou a pessoa mais influente da Subferia, aprofundando ainda mais a cidade na lama do crime e da decadência. Ele é um mafioso no mais amplo sentido da palavra ao corromper todos na base do medo e da força bruta na qual até mesmo o xerife da Cidade do Progresso tem medo de encará-lo.

Também vemos Viktor se adoecendo e piorando de condição, com sua luta em desenvolver a Hextec indo além do que vimos com Jayce. Ele é o motor incansável que fez com que a ideia de Jayce se tornasse realidade e talvez a mente que realmente brilha para que a pesquisa não seja abandonada. Enquanto Jayce se debruça com Mel, Viktor está literalmente sangrando para criar o Núcleo Hextec, vendo sua vida esvair para acabar não com seu sofrimento, mas com o de todos de Zaun.

É mostrado um pouco de seu passado e a ligação com Singed, no entanto, só é dado um pouco de contexto e a questão de como Viktor vai conseguir se curar dessa doença que aos poucos vai tomando conta de seu corpo fica no ar.

O caminho para o ato final está se tornando claro: o confronto de Piltover contra Silco vai acontecer e Vi, Viktor e Jayce vão trazer os primeiros equipamentos dessa nova tecnologia. Mas como isso será costurado talvez deixe o terceiro ato com o mesmo sentimento de urgência que vimos no primeiro.

Contudo, com tantas ramificações que nos foram apresentadas neste segundo ato, fizeram a trama andar e para isso o ritmo ficou sim ficou um pouco mais lento, porém sem deixar a ação de lado. As cenas de briga mais uma vez foram incrivelmente dirigidas, usando e abusando de ângulos de câmera que apenas as animações conseguem trazer e com visuais tão estonteantes quanto o que vimos anteriormente. Só que, o impacto visual já havia sido causado e não é mais o motivo central para acompanhar a série.

Essa é a importância dos episódios 4, 5 e 6: fazer a história caminhar para o apogeu. E esse ponto final certamente será uma grande batalha contra Silco, o único vilão propriamente dito. São muitas pontas soltas e isso é importante para Arcane, mesmo que nem todas sejam amarradas, afinal, o universo de League of Legends não está fechado. É uma história em constante mudança e que merece não ficar presa em apenas 9 episódios.