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PlaYlist X2: O evento onde YoDa, música e LoLzinho se encontraram

YoDa ao lado do DJ Zanon, um dos músicos que participou do PlaYlist X2 Júlio Dias

Como foi acompanhar, ao vivo e presencialmente, o evento que reuniu os melhores jogadores ao lado de boa música e descontração


Domingo (24), seis e meia da noite e lá estava eu saindo da Zona Norte de São Paulo em direção ao Teatro Oficina, lá no Bixiga, no centro. O motivo? Tinha sido convidado para participar presencialmente do evento “PlaYlist X2”, idealizado por YoDa e produzido pela SehLoiro e sua mãe (sócia executiva da empresa), Adriana Noronha. Meu primeiro evento presencial desde que entrei para o mundo dos esports oficialmente e os nervos não estavam tão calmos, confesso.

Ansiedade para, pela primeira vez, ver um evento daquela magnitude acontecer diante de meus olhos, encontrar nomes que antes eram apenas rostos que eu via através de transmissões e aproveitar um espetáculo que desde o começo havia me conquistado por conta de seu formato misturando duas coisas que gosto tanto: games e música. Parecia ser a combinação perfeita para uma ótima noite de domingo. E sinceramente? Foi.

Logo cheguei às portas do grandioso Teatro Oficina, que carrega consigo um grande propósito de explorar os limites criativos do teatro brasileiro, e que naquele domingo seria palco para um projeto ambicioso e diferente de tudo que havíamos visto até hoje, e convenhamos que, vindo do YoDa e vendo projetos passados e recentes em que o streamer investiu, isso não é uma surpresa.

Protocolo padrão em um mundo tomado pela pandemia do COVID-19: distribuição de máscaras e testes antígeno nasal em cada um dos convidados para garantir a integridade do evento e a segurança dos convidados. E foi nesse momento que, antes mesmo de passar pelas portas do Teatro, tive o primeiro vislumbre do que me esperava lá dentro.

Confesso que durante toda minha vida nunca havia ido ao Teatro Oficina ou sequer cogitado ir em algum evento lá (e a partir do momento que entrei me arrependi muito disso). Enquanto esperava minha vez para ser testado, um funcionário da “SehLoiro”, empresa que tem o bordão do streamer, abriu a porta brevemente e foi quando pude ver toda aquela estrutura metálica característica do espaço.

A ansiedade subiu. Alguns minutos esperando e logo escutei a enfermeira responsável pelos testes falando “Lucas, seu teste deu negativo, pode pegar uma pulseira e entrar”. Abri as portas e logo em minha frente dei de cara com um corredor extenso, onde alguns funcionários da produção transitavam com equipamentos para fazer a cobertura de tudo e, logo acima de mim, YoDa e Schaeppi andavam de um lado para o outro em uma espécie de plataforma apresentando o grande evento.

Para chegar à área destinada aos convidados, era necessário dar uma volta um pouco chata. Primeiro precisava subir alguns lances de escada, atravessar todo aquele corredor através de outras plataformas para então descer mais alguns lances e encontrar com um grupo de cerca de trinta pessoas - entre elas jogadores, namoradas, apresentadores, patrocinadores e a galera da parte de produção.

Claro que, durante minha caminhada até a parte dos convidados, não poderia deixar de apreciar todo o cenário montado pela equipe do evento com diversas faixas de neon envoltas nas estruturas metálicas, dando um ar um pouco mais tecnológico e criando uma identidade que, estéticamente, agradou bastante. Além de casar muito bem com o intuito do evento e também com o gênero de música predominantemente tocado durante a noite: eletrônica.

Foi nesse momento em que cheguei ao saguão que encontrei Fabio Mergulhão, Diretor de Planejamento & Criação da SehLoiro, um cara com uma energia que acompanhava aquela que os sets dos DJs e o próprio ambiente queriam passar, uma energia mais agitada. Quando fui apresentado a ele foi quando vi o quão feliz ele estava de tudo aquilo estar saindo do papel.

Fotógrafo pioneiro no registro da Cultura da Música Eletrônica no Brasil, antes mesmo de perguntar qualquer coisa, Mergulhão começou explicar tudo sobre o evento e como ele foi planejado, falando principalmente sobre a escolha do local. “Eu e o YoDa temos essa ideia de juntar o game e a música a uns quatro anos”, comenta o diretor.

“O Teatro Oficina é um marco de criatividade, então pra gente é muito importante estar aqui dentro. Nada é feito por acaso, a gente está tendo essa construção muito cuidadosa”, completa Mergulhão. “Minha conexão com o YoDa foi por cultura, não foi por interesse ou conhecimento, foi por cultura”.

Uma boa sinergia entre os jogadores e os DJs para as jogadas e drops foi o prato principal da noite - apesar do evento contar com alguns comes e bebes deliciosos. A única crítica que tenho quanto à dinâmica na verdade é uma observação de algo que pode ser trabalhado para o futuro, mas que nem de longe atrapalhou o espetáculo por não ter sido realizado nessa edição: apesar do drop ser uma parte importante do programa, acredito que nos eventos futuros eles poderiam trabalhar para conseguir incluir outros gêneros de música.

A respeito da inserção desses novos gêneros, conversei com quem sabe de música para entender como em um próximo evento isso poderia acontecer, e segundo o DJ Freakout - parceiro de Buero na disputa - não é algo tão difícil de se fazer. “Com toda a sinceridade, acho que encaixaria tudo. Esse negócio de drop é algo estrutural da música, não é só música eletrônica que tem, toda música tem um pré, drop, pós drop, um break. Então é de boa”.

Trazer outros gêneros consequentemente traria uma gama maior de espectadores, que possuem gostos musicais diferentes, e também criaria uma conexão entre aqueles que estão assistindo e ouvindo um DJ tocando seu estilo musical favorito.

Outro destaque fica por parte da equipe escolhida para realizar a transmissão, com YoDa fazendo o que faz de melhor, entreter as pessoas, Schaeppi continuando o ótimo trabalho que faz no CBLoL mas agora em uma transmissão muito mais focada no entretenimento.

Sentei em uma das cadeiras e de longe observei em um telão os jogadores e DJ’s se enfrentando dentro do Rift e a cada drop a tensão no teatro aumentava, sabendo que a qualquer momento algo poderia acontecer. Nesses momentos eu olhava para cima. De onde estava sentado, era possível ver o espaço destinado às duplas e podia ver segundos antes da transmissão a reação deles para talvez pescar no ar algum spoiler do que aconteceria dentro do jogo.

O show realmente ficou por parte dos convidados, tanto jogadores quanto DJ's trouxeram uma energia fora de jogo necessária para acompanhar a gameplay e os sets de música, com danças, gritos e brincadeiras. Sem falar do formato, com propostas extremamente criativas e originais, abraçando bem as características tanto do game quanto da música, juntando assim o melhor dos dois mundos.

Com um local adequado para acomodar o show dado por YoDa e sua equipe nessa primeira edição do X2, a falta do som tocado pelos DJ’s ecoando pelo ambiente também foi algo que tornou a experiência um pouco menos do que poderia ser. Os convidados escutavam as músicas da mesma forma que os espectadores: através da stream. Mas nem de longe isso atrapalhou o espetáculo.

Ao longo de nove horas e quarenta minutos de transmissão dos confrontos entre as diversas personalidades que participaram, o evento alcançou a marca de quase 541 mil espectadores únicos que interagiram com aproximadamente 280 mil mensagens no chat, alcançando também a marca de 72 mil espectadores como pico da transmissão.

Infelizmente, a questão da música ser tocada em todo o Teatro Oficina não foi algo que consegui perguntar à Mergulhão durante nosso papo, então não sei as razões para que tal coisa tenha acontecido, mas tive a oportunidade de perguntar sobre quais são os próximos passos que a SehLoiro quer dar com o evento e, ao que tudo indica, os planos são ainda mais ambiciosos.

“Hoje a gente lançou uma track do Zanon, que virou o tema oficial, então isso é muito legal. A ideia é agora expandir isso daqui pra ser uma experiência com público, aí o bicho pega (...) A gente tem o plano de virar híbrido, nunca vamos deixar de ser livestreaming, mas vamos virar híbrido [também acontecendo presencialmente]”, conta Fabio Mergulhão dando um pouco de spoiler sobre o próximo projeto do PlaYlist, que acontece em novembro com uma série de atrações e misturando o mood urbano, da Batalha de Rap, e tecnológico do X2.

Ao final das quase dez horas de evento, o atirador da LOUD, Duds, foi o grande vencedor ao lado do DJ Zanon em cima de Pijack e DJ Thales, levando para casa um troféu em formato da estrutura onde os jogadores estavam jogando junto de mais R$ 10 mil para a dupla dividir entre si.

"Executamos um evento que une o game e a música de forma efetiva, com enorme complexidade, muito entretenimento e embates de alto nível. Ter essa receptividade do público só nos traz alegria e nos deixa ainda mais animados pelo que vem em novembro e no próximo ano. A troca de energia e cultura nesse palco foi muito impactante. O X2 com público será incrível em 2022", afirmou YoDa.