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Nove em cada dez pacotes do FUT em Fifa são abertos com Fifa Coins, diz EA

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Em entrevista ao site Eurogamer publicada nesta sexta-feira (08), Chris Bruzzo, diretor de experiência de jogo da Electronic Arts, falou sobre a presença dos loot boxes em Fifa, a relação deles com os mais jovens e como há mais pessoas gastando Fifa Coins do que Fifa Points no game de futebol.

A conversa com o jornalista Wesley Yin-Poole teve o Ultimate Team como tema principal e sua monetização. No FUT, montamos esquadrões com cards de jogadores de grandes ligas do futebol mundial. Alguns cards são mais fáceis de se conseguir, mas os mais raros dependem de mais esforço e, principalmente, investimento por parte dos jogadores na copa de pacotes.

Usando Fifa Coins, moeda virtual acumulada sem custo, ou Fifa Points (adquirido com dinheiro real), os famigerados loot boxes fazem parte de Fifa, mas sua existência está na mira de entidades governamentais, que já veem a modalidade como aposta ou jogo de azar.

Na conversa com Wesley, Chris Bruzzo diz que o Ultimate Team “reflete o mundo real do futebol no game”, incluindo a inúmeras formas de decidir o que fazer com um clubes, que estratégias usar e com quais jogadores contar.

Ao ser questionado se os loot boxes afetam a jogabilidade, Bruzzo disse que é como no mundo real, que buscamos os melhores jogadores para turbinar nosso time. O site Eurogamer rebate que não há loot boxes para os times reais, que compram os atletas se puderem pagar. No game, as pessoas gastam, mas só há uma chance de conseguir graças as probabilidades presentes nos pacotes, que geram recompensas de acordo com a raridade do card.

Bruzzo diz que que maioria dos jogadores preferem usar as moedas conquistadas no jogo, do que gastar com dinheiro real: "deixe-me ser muito claro neste ponto: nove em cada dez pacotes FUT abertos em Fifa são abertos com Fifa Coins. As moedas são ganhas ao jogar. Isso não é dinheiro real”.

"No futebol da vida real, usamos recursos para criar a melhor equipe possível. No nosso jogo, usamos os Fifa Coins ou Fifa Points - e nove em cada 10 pacotes são abertos com Fifa Coins ganhos pelos jogadores que estão jogando o jogo", completou.

O diretor da EA ainda comentou sobre a possibilidade dos jogadores gastarem dinheiro real se eles quiserem, mas o foco é “priorizar as habilidades dos jogadores no jogo. Mesmo gastando e tendo os melhores jogadores, um mau jogador vai sempre perder para alguém que saiba jogar melhor o Fifa. Outro aspecto realmente importante é que 78% dos jogadores de Fifa 21 nunca gastaram nada", comentou Buzzo.

Wesley Yin-Poole, o entrevistador, reforça que a maioria prefere não gastar, mas a opção de investir dinheiro segue e interfere na jogabilidade ao se “pagar para ganhar”.

Bruzzo insiste que é uma questão de escolha, que a EA tem tornando o processo mais transparente ao divulgar as porcentagens de probabilidade de adquirir cards raros, além da opção de preview para saber o que o pacote renderá antes de se comprado. O diretor da EA insiste que “mesmo com um time melhor, você pode perder, já que depende da habilidade”.

Wesley levanta um exemplo de que pode encarar um jogador de mesma habilidade no modo online, mas sem saber se o oponente gastou Fifa Coins ou Fifa Points. Chris lembra pela terceira vez que 9 de 10 pacotes do FUT são abertos com Fifa Coins e que, mesmo contra o décimo jogador que usou dinheiro para comprar o pacote, no jogo é uma questão de habilidade.

Sobre o loot box ser considerado um jogo de azar, Bruzzo diz que “não há um consenso e que a EA ouve as reclamações e que trabalha para resolvê-los”. Ele diz que é “contra a pessoa passar muito tempo jogando Fifa ou gastando muito no jogo, que a EA não quer que haja qualquer tipo de comportamento fora do normal”.

Bruzzo reforça que a EA é contra crianças gastarem dinheiro em Fifa, algo bastante discutido por instituições do Reino Unido por se tratar algo negativo para os mais jovens.

Wesley lembra que crianças gastam, mas Bruzo responde que a porcentagem é muito pequena se olharmos todas as contas de jogadores no FUT. Ele diz que a EA trabalha com a Sony e Microsoft para controle de gastos dos mais jovens. Diz também que foi um erro a publicação de propaganda em veículos infantis de Fifa Points e que pede desculpas.

Sobre a possibilidade de remover os Fifa Points da franquia, Bruzzo comenta que é tudo uma questão de escolha e quem gasta escolhe gastar. Ele destaca que “precisamos dessas receitas para continuar a pagar nossos desenvolvedores para que eles pode continuar a agregar mais valor e tornar o jogo mais divertido”.

No Brasil, a Electronic Arts e outras empresas estão sendo processadas pela Associação de Proteção dos Direitos das Criança e do Adolescente (ANCED) por causa das loot boxes e outras ferramentas de monetização baseada em sorte. O processo está em tramitação no Ministério Público Federal.