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Wild Rift: 'Foi um mix que deu muito certo', diz Sight sobre elenco da Só Agradece

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"Foi bem complicado", conta Sight sobre adaptação após acidente (2:49)

Jogador teve que se adaptar após perder parte do dedão (2:49)

O cenário de Wild Rift mal começou a dar seus primeiros passos para se estabelecer como uma potência no mercado de esports mobile no Brasil, mas já vem atraindo diversos jogadores de outros títulos para, como Valorant, abrir novas portas e caminhos para o sucesso. Sight, que hoje atua como suporte pela Só Agradece - organização do influenciador Baiano -, é um desses que busca alcançar a glória.

Integrando esta que hoje se consolida uma das equipes mais bem sucedidas nos campeonatos brasileiros, o jogador que antes buscava colocar seu nome no topo do cenário de Arena of Valor encontrou a oportunidade perfeita para se destacar. Em um movimento premeditado, deixou de lado o jogo no qual se dedicou a anos após ver que o futuro do mesmo não seria tão brilhante assim para arriscar no jogo mobile gerido pela Riot Games.

“Assim que vi o anúncio do Wild Rift eu já estava preparado e já imaginava que seria um boom, todo mundo estava treinando no Arena of Valor mas se preparando para o Wild Rift. Algo que aconteceu que nos influenciou a pensar dessa forma foi que, depois do anúncio do WR, a Tencent anunciou que ia ‘dar uma maneirada’ no competitivo do Arena of Valor e que não ia investir tanto. Não sei se foi para dar foco no celuLoL, mas já tava todo mundo esperando migrar pra lá”, conta em entrevista exclusiva ao ESPN Esports Brasil.

A decisão foi tomada, os meses que antecederam o lançamento do jogo foram dedicados à preparação para a chegada dele; mas a vida tinha outros planos. Pouco antes do lançamento de Wild Rift no servidor Europeu, que foi lar para muitos brasileiros ansiosos pela chegada do jogo ao Brasil, Sight sofreu um acidente que poderia mudar o rumo de sua carreira.

Durante o acidente, o jogador acabou perdendo parte de seu dedão da mão - principal dedo usado pelos profissionais mobile. A perda que em muitos casos poderia minar as esperanças de muitos jogadores, apesar de atrasar um pouco sua chegada ao título, não foi o suficiente para parar Sight.

“Foi uma situação bem complicada. Eu estava esperando o lançamento [na Europa] pra começar a jogar, quando aconteceu eu fiquei alguns dias sem conseguir entrar porque estava com a mão debilitada, toda comprometida e enfaixada. Foram uns três meses até conseguir clicar no celular direito, 99% das pessoas usam o dedão para jogar - é a forma mais fácil - e eu tive que adaptar o dedo indicador. Mas está dando certo”, conta.

Hoje, o profissional se reinventou, se adaptou à sua nova realidade e ajudou a Só Agradece a selecionar os nomes que levariam a equipe ao patamar no qual se encontra nos dias de hoje, como a equipe que mais encontrou sucesso no cenário brasileiro até o momento.

JUNTANDO AS MELHORES PEÇAS

A receita para o sucesso não foi muito bem o que se esperava. Ao invés de optar por nomes que antes já estavam juntos e que poderiam fazer uma transição mais tranquila, o projeto foi construído a partir de uma ideia arriscada, mas minuciosa, de juntar nomes experientes dos mais diversos cenários, para que todas as experiências nos outros títulos pudessem se somar.

“Quando começamos a montar o time fui um dos primeiros a conversar com o Baiano e pensamos bastante na seleção do elenco. Tentamos buscar os melhores jogadores de cada função dentro do jogo e não sei se foi sorte, mas fomos precisos de selecionar jogadores experientes de vários outros jogos, não pegamos de apenas um jogo, então pegamos bagagem de vários outros jogos. Foi um mix que deu muito certo”, fala Sight sobre o processo de construção da equipe.

O jogador ainda aproveitou para falar um pouco sobre seu parceiro de rota, Maynah e sobre sua importância na equipe. “Vou até citar o Maynah, que é um cara que veio do cenário competitivo de LoL do PC. Ele veio com uma experiência e mente blindada que é surreal o que ele faz aqui dentro”.

Adicionando um pouco de tempero para a receita que já mostrava bons resultados, segundo Sight, todo o suporte oferecido pela organização facilita para que os bons resultados apareçam. Mas não para por aí.

Além de todas as engrenagens já citadas que hoje fazem a Só Agradece se tornar tão dominante nos campeonatos, a organização também conta com uma comissão técnica experiente que vem da versão de PC do jogo e que pode agregar muito no aprendizado dos jogadores, não só com na elaboração de estratégias dentro de jogo mas principalmente no período de adaptação ao novo título: Djoko e Danagorn.

“Não tenho nem palavras para descrever o quão importante ele foi [na adaptação ao novo título]. Apesar de ser a versão mobile de League of Legends, o conhecimento da versão de PC encaixa em quase tudo no celular. Então a bagagem dele é fundamental para continuarmos evoluindo e se destacando; não só o Djoko, mas também o Danagorn que está de analista e tem uma bagagem muito boa”, observa sobre o quanto ambos ajudam a equipe.

A consolidação da equipe dentro do Top 3 brasileiro e a força apresentada pelo mesmo, que segundo o jogador é composto por sua equipe, TSM e Vivo Keyd - exatamente nesta ordem -, anima os brasileiros em relação ao mundial de Wild Rift já anunciado para acontecer neste ano.

APROVEITANDO O PROCESSO

Apesar de considerar regiões da Ásia como as melhores do mundo, Sight acredita fortemente que não existe “um abismo de diferença de nível para nós. O Brasil também tem um cenário muito forte e estou ansioso para esse primeiro mundial porque, independente de ser nós e quero muito que seja, acho que o Brasil vai bater de frente e tem chance sim de trazer título mundial”.

Mas mantém os pés no chão, sabe que ainda é muito cedo para falar sobre força de cenários uma vez que um campeonato internacional ainda não aconteceu. Campeonato esse que, como para tantas outras, é o objetivo da equipe. Mas não principal.

Para o jogador que arriscou ao sair de outro título, se adaptou a uma nova realidade, inovou para manter-se no topo e hoje se mostra dominante nos torneios, o mais importante dentro desse objetivo (e em partes a parte principal) é aproveitar o processo da melhor forma que puderem.

“O principal objetivo com certeza é o mundial, mas eu tenho consciência que a questão não é o campeonato em si, chegar lá e ganhar ou não. É um processo. O objetivo é fazer com que esse processo seja bom, que a gente evolua e aprenda a cada dia. Estou muito feliz aqui na Só Agradece, acho que a organização é incrível e as pessoas também. Então é ter um processo que a gente evolua cada vez mais e seja feliz treinando, para chegar lá e ganhar”, conclui.

Chegar lá para poder provar que todo esse processo valeu a pena é que será o mais difícil. Ao longo dos meses de agosto e setembro, a modalidade receberá o Wild Tour que contará com quatro classificatórias, onde as equipes participantes juntarão pontos de circuito que darão vaga às oito melhores na final brasileira - na qual a grande vencedora receberá a oportunidade de representar o Brasil no campeonato mundial.