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CSGO: 'Estamos no caminho certo', diz Righi sobre momento da Team oNe

Righi atua como treinador da Team oNe desde janeiro deste ano Leonardo Dalmina

Contando com nomes como Maluk3, prt, pesa, malbs e xns, a equipe de CS:GO da Team oNe encontra-se atualmente em solo internacional como uma das equipes brasileiras que busca se destacar no cenário global. Sem muito sucesso nos últimos anos e com uma mudança recente no elenco com a saída de Skullz, a visão do futuro, pelo menos para o treinador Righi, é esperançosa.

6 de fevereiro de 2018: essa foi a data que marcou a saída do primeiro elenco de Golden Boys em direção ao cenário norte-americano. Desde então, os jogadores que passaram por lá fizeram de tudo para colocar o nome da organização brasileira no topo do cenário competitivo de Counter-Strike. Com outro elenco na época, a equipe que hoje se apresenta nos servidores começou a montar sua base ainda no último ano.

Recebendo o promissor jogador guatemalteco Malbs para substituir a perda de um dos principais nomes da equipe, trk, a Team oNe passou por um período de adaptação com ele ainda no começo pela diferença de idioma.

Pequenos sucessos foram conquistados apenas no final de 2020, agora com Malbs mais acostumado ao ambiente e à comunicação do time, mas não durou muito ao voltar a sofrer após a saída de b4rtin - um dos nomes mais consistentes e em boa fase da equipe na época - para a GODSENT.

“Acho que faltou manutenção do elenco, sempre teve um jogador que foi contratado por uma organização com maior poder aquisitivo. Agora no começo do ano fomos para a Europa com o skullz e cass1n, e por lá tivemos alguns problemas. É muito difícil ir para um bootcamp para a Europa com o time sem estar pronto, já é difícil ir com o time pronto imagina com ele tendo que se conhecer”, conta Righi sobre os períodos de mudança no elenco da Team oNe em entrevista exclusiva ao ESPN Esports Brasil.

Desclassificada da IEM Cologne ainda na fase de entrada e agora com um elenco sem mudanças nos últimos quatro meses, o resultado negativo não é tão ruim quanto parece, principalmente por se tratar de uma equipe que não está junta a tanto tempo. Na verdade, no pouco tempo em que estiveram juntos conseguiram mostrar uma evolução dentro de jogo. Amadureceram.

É como o próprio Righi disse: “É muito difícil passar por muita mudança e manter o nível alto ou estar sempre no topo, depende muito de manutenção de equipe”. Agora sem mudanças (e buscando manter-se assim até o final do ano), a equipe começa a se preparar para seu próximo desafio: a ESL Pro League Season 14, em Malta.

O AMADURECIMENTO

O processo de maturação da equipe aconteceu após a Pro League 13, em março deste ano. Lidando com todo tipo de pressão e com um momento sombrio vindo de resultados ruins, apesar de deixar o campeonato em 23º lugar, enxergaram uma luz no fim do túnel.

“[O momento da equipe] levou ao extremo todos os integrantes do time, mas por mais que tenha sido muito difícil, tivemos uma Pro League que acendeu a luz e vimos que temos potencial. Além de termos percebido que as derrotas não eram por falta de qualidade ou entender rotação de mapa, por exemplo, mas sim por erros individuais que não eram difíceis de corrigir”, observa o treinador.

Em seguida, foi necessário encontrar um nome para completar a equipe desfalcada após o afastamento de Skullz por problemas pessoais e também o empréstimo de cass1n à Bears Esports, que deixou a equipe ao ver o formato de elencos com seis jogadores ser desmantelado pela própria desenvolvedora do jogo.

O nome mais óbvio foi o de xns, ex-companheiro de Righi no Santos eSports, e também um jogador com um estilo de jogo agressivo ideal para os Golden Boys no momento. A lua de mel entre equipe e o jogador não foi das melhores, tendo em vista que xns agora estava em um cenário diferente e teria muito a aprender.

E quem melhor para ensinar um jogador recém chegado ao cenário internacional, e também toda a equipe que precisava de ajuda, se não um "professor"?

“Fallen estava com a gente no México, ele nos deu alguns insights e um caminho para seguirmos e treinar. Éramos um time muito tático e muito bom nisso, só que às vezes a tática ao mesmo tempo que é boa é ruim, porque pode não dar certo e tínhamos muita dificuldade de não jogar desse jeito, tínhamos dificuldade de jogar um round mais trabalhado e trabalhar mais a comunicação”, comenta Righi.

“Eu cheguei na Team oNe vindo de um time que jogava assim e estava tentando implementar esse estilo de jogo e depois com o Fallen ajudando, a gente conseguiu chegar em um caminho para melhorar qualidade de treino e jogar desse jeito, conseguimos desenvolver não só nosso estilo de jogo mas também o individual dos jogadores”, completa.

Os ensinamentos de um dos maiores nomes do cenário brasileiro de CS:GO foi a combinação perfeita com uma reunião entre os integrantes da equipe durante a ESEA Premier Season 37, campeonato o qual curiosamente dependeram de resultados de outras equipes para se classificar para a fase de grupos.

Para Righi, as derrotas aconteceram por “detalhes bobos e falta de comprometimento com a vitória”, uma reunião no maior estilo “é tudo ou nada” aumentou a confiança de toda a equipe e isso foi mostrado dentro de jogo: chegaram aos playoffs passando como 4ª colocada de seu grupo e por lá varreram a chave superior para agarrar o título.

SENDO ADULTOS NO MAIOR CENÁRIO DO MUNDO

Um surto de confiança e de amadurecimento tomou conta da equipe, afinal era o primeiro título desde novembro do último ano e a evolução se mostrava a passos lentos mas constantes. Se direcionaram ao Velho Continente para estrear a equipe na IEM Cologne, primeiro presencial depois de muito tempo, contra titãs do cenário competitivo do FPS da Valve.

Chegaram confiantes, mas sem tempo. Sem tempo para se adaptar a todo o meta da região, estilo de jogo e ecossistema do cenário, até mesmo sem tempo de seus jogadores descansarem, pelo menos para sua primeira partida contra a ENCE na Pinnacle Cup por conta de atraso no voo de alguns jogadores.

“Por mais que estivéssemos muito confiantes depois da Premier, a gente meio que saiu de uma ‘Série B’ do Brasileirão para jogar uma ‘Premier League’ do nada, que é ir jogar na Europa. É muito complicado, se você não está lá um tempo antes se preparando e fazendo um bootcamp para estudar é muito difícil conseguir resultado por lá, porque o nível do Brasil e do NA para a Europa é um abismo enorme”, crava.

Apesar dos campeonatos acontecerem quase simultaneamente, usaram a Pinnacle como uma preparação para a IEM não muito bem sucedida. Caíram para a ENCE no primeiro confronto, foram derrotados ao subestimarem a Young Ninjas e por fim perderam para a AGO por W.O por conta do horário que conflitaria com seu compromisso na IEM.

Enquanto isso faziam o melhor na IEM, mas todos os ingredientes formaram uma bela receita para o caos: falta de descanso e treino, estreia da equipe em campeonato presencial e um primeiro jogo melhor de um de quase três horas por conta de problemas técnicos. Mas Righi sabe que isso não é desculpa, mantém os pés no chão e entende que faltou calma e preparação para ambas as partidas.

TRANSFORMANDO A EVOLUÇÃO EM UMA CONSTANTE

Apesar dos resultados, o treinador vê uma evolução na equipe e quer manter essa engrenagem girando para os próximos campeonatos. Visando se preparar melhor com um possível bootcamp na Europa para a Pro League 14, o resultado infeliz na IEM não reflete o nível atual da equipe.

Estão evoluindo a passos lentos, mas sincronizados. A Team oNe adulta está começando a dar suas caras através de “uma evolução na maturidade do time, evoluímos como equipe mas também como pessoas. Tá todo mundo muito focado, na mesma página e querendo a mesma coisa”.

Chegou a hora de ser um time diferente daquele que uma vez foram e sabem como fazer isso, só precisam praticar. Parte desse processo de amadurecimento se mostra ao ver a equipe mantendo sua confiança e colocando as expectativas lá no alto.

Por mais que tenha muito resultado negativo, também teve evolução. Agarraram a menor das esperanças que tiveram e tornaram ela em uma motivação maior para seguir em frente, esqueceram resultados, pressão e torcida para hoje correrem atrás de dominar o cenário norte-americano e ser o Top 2 brasileiro no cenário internacional.

“Não somos mais um time tão imediatista como era quando eu entrei, estamos sabendo lidar com derrotas e erros, acho que tudo isso vai render frutos no futuro. Hoje queremos ser o Top 2 brasileiro, amanhã queremos ser o Top 1 para semana que vem sermos o Top 10 do mundo. São etapas, se tiver que ser 3 meses ou um ano estamos com a mentalidade para isso. Acho que estamos no caminho certo”, conclui de maneira incisiva.