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DOTA 2: Como a SG ressurgiu e se prepara para um futuro mais estável no cenário de esports

Elenco da SG E-Sports de Dota2 conta com 4dr, Costabile, Kingrd, Thiolicor e KJ Montagem

O ano de 2019 para os fãs do cenário competitivo de Dota 2 foi marcado com o fim das operações da SG E-sports, um dos maiores times de esports da categoria. Era um sinal de como a cena do MOBA da Valve não rendia frutos no cenário brasileiro, devido a diversos fatores.

Entretanto, em 19 de dezembro, a SG marcou seu retorno com uma nova ideia de negócios aliada com um “time dos sonhos”: 4dr, Costabile, Kingrd, Thiolicor e KJ – jogadores mais do que experientes no cenário e que anseiam ter destaque internacional.

“Estamos muito felizes. Já faz uns seis meses que a gente está trabalhando nesse retorno” diz Pedro Maciel, CEO da SG em entrevista exclusiva para o ESPN Esports Brasil. Segundo ele, dessa vez, o clube está trabalhando para ter mais exposição, mais interação com a torcida e, claro, mais títulos.

Os primeiros passos para isso foram dados: a equipe está em uma mansão nas cercanias de Fortaleza (CE) para ter acesso a treinos com times da Europa e dos EUA com um ping mais baixo. E o retorno já está dando frutos: no último dia 20 de janeiro, a SG entrou em campo no OGA Dota Pro Circuit South America, venceu sua primeira partida contra a NoPing por 2 a 1 e voltará aos palcos em 30 de janeiro para sua segunda partida no torneio.

O RETORNO

Pedro relembrou o duro ano que foi 2019 e os motivos pelos quais a SG deixou temporariamente a busca pelo Aegis. “O investimento não brilhava tanto aos olhos. Conseguir ter retorno era algo muito desafiador, principalmente no nível sul-americano. Acabou que a gente fez essa parada para analisar o que tinha que ser feito”.

“Com o anúncio da Valve [do retorno do Dota Pro Circuit], chamou a nossa atenção. Falamos ‘pô agora vale a pena’”, conta o CEO. O DPC iria passar por uma reformulação completa em 2020, porém, com a chegada da pandemia, todo o cenário de Dota 2 teve um grande baque e diversas equipes deixaram o cenário como a FURIA e a Cloud 9.

Com o calendário reformulado e um novo sistema de campeonatos e premiações, o DPC volta em 2021 dando esperanças para que as equipes voltem a investir no cenário e foi justamente isso o que chamou a atenção de Pedro e seus sócios na SG. “O anúncio da Valve chamou nossa atenção. A gente até brinca aqui que ‘até o time do Goiás, aquele time do meio de tabela, vai poder se sustentar’. Isso brilhou nossos olhos e decidimos voltar, mas olhar para mais coisas. O que mais a gente pode extrair dessa oportunidade no mercado de esportes eletrônicos, principalmente no Dota - que onde a gente é mais forte - e como podemos explorá-lo para conseguir ter mais retorno”.

“A gente está desenvolvendo várias dessas frentes. Nossa principal vertical é o Dota 2 e temos um time muito profissional, morando em uma mansão gamer, com uma estrutura bem legal”, conta Pedro.

Entre as frentes, a SG deu uma olhada para o que o cenário de outras categorias já vem fazendo. Criou um canal no YouTube, os jogadores estão fazendo mais streams e a equipe está fazendo mais trabalhos nas redes sociais para ampliar o engajamento com a comunidade.

Pedro reconhece que o cenário de Dota é pouco profissional. “As organizações não prezam em passar confiança para os investidores, não honram com seus compromissos. Às vezes o que uma organização faz, respinga em todas as outras. A SG deixou uma marca de sua responsabilidade de honrar com seus compromissos. Só pra você ter ideia, teve jogador que já jogou o TI que chegou pra gente e disse ‘Se vocês me oferecerem X dólares e outra equipe me oferecer o dobro, eu prefiro jogar com vocês’. Isso é geral na comunidade. Todos os jogadores sentem. Isso nos ajudou muito e foi super benéfico pra gente”.

Pedro fala que esses investimentos iniciais foram importantes para que a SG não passe mais as dificuldades que teve no passado e que agora consolida a sustentabilidade que é necessária para se manter nos próximos anos.

“A gente montou um projeto muito bem estruturado, visando não depender somente dos resultados do time, e com isso acabamos chamando atenção de alguns investidores. A gente realmente está com o Dota e quer trazer retorno vindo dali, mas a gente também trouxe um projeto junto de streamers, montamos uma estrutura para fazer essa comunidade de streamers na qual vamos ajudá-los a crescer, montando um networking e ao mesmo tempo a gente aumenta nosso escopo de oportunidades para nossos parceiros. Temos uma mídia forte com os jogadores e com essa comunidade de streamers, e a gente tem ainda mais oportunidades para quem quer divulgar suas marcas com a SG”, conta o empresário.

Os investimentos e os planos para o futuro permitiram que a SG siga aprimorando seus negócios, conta Pedro. “Acho que isso traz uma segurança para quem está vindo trabalhar com a gente. Não vamos precisar vencer um Major para continuar funcionando até o fim do ano. Isso é uma coisa muito legal que podemos oferecer para todo mundo que está aqui e consequentemente nos deixou mais tranquilos para montar essa estrutura”.

Pedro fez questão de deixar claro que a SG evoluiu em sua mentalidade empresarial. Segundo ele, a equipe busca parceiros para ajudar a fortalecer a equipe em todos os aspectos, indo desde os uniformes até os bastidores de tecnologia e vantagens para os programas de sócio torcedor.

O grupo SG, a empresa, agora conta com um corpo de acionistas que envolvem pessoas do cenário de esports e do ramo de tecnologia. Segundo Pedro, “Isso trouxe boas pessoas para construir um projeto ainda mais robusto, mais chamativo que vai nos ajudar a chegar ainda mais longe”.

Visando manter a competitividade da SG em Dota 2, a equipe estabeleceu sua base em Fortaleza e Pedro diz que esse foi o ponto principal: a escolha do local onde a equipe se encontra. Porém, também é necessário lembrar que a capital cearense tem um custo operacional muito menor se comparada com outras capitais do eixo sul-sudeste, onde se encontram as principais equipes de esports do Brasil.

“O ponto principal para a gente ficar aqui é a conexão. O ping aqui nos ajuda a jogar contra equipes do NA e Europa e nos coloca em nível mundial. Queremos disputar com eles, até porque a gente vê que o Brasil e a América do Sul não têm um Dota tão qualificado quanto eles. Consequentemente temos um custo operacional mais baixo, apesar de que em algum momento a gente vai ter que fazer um deslocamento maior por estarmos em uma mansão, então o custo não é tão baixo. Mas sim, o custo é inferior do que se a gente estivesse com a mesma operação em São Paulo ou Rio”.

EQUIPE DOS SONHOS

A equipe da SG conta com alguns dos principais nomes brasileiros do Dota 2. Kingrd (que já teve sua história contada nas páginas do ESPN Esports Brasil) 4dr, Costabile, Thiolicor e KJ que veio ocupar o lugar do norte-americano FLee. “Existia um problema com o FLee em relação à conexão, por ele estar no NA. Tem a comunicação também, já que ele só falava em inglês e isso prejudicava um pouco o time”.

Pedro fala que, “com o investimento que a gente tinha e o que a gente buscava, esse time era perfeito. A gente queria um time prioritariamente brasileiro para representar melhor o nosso país e a nossa comunidade e, além disso, o fato de eles já estarem juntos jogando há algum tempo, faz com que eles tenham uma sinergia já testada. Isso tudo chamou nossa atenção”.

Na prática isso se reverteu em um bom resultado. A SG foi convidada para participar do OGA DPC South America e busca somar pontos para disputar o The Internatinal 10, que nesse ano terá uma premiação de R$ 200 milhões, superando Libertadores e Copa do Brasil.

Além dos jogadores, Pedro revela que a equipe conta com um vasto elenco nos bastidores, com psicólogos, comissão tecnica e outros fatores. Porém, o que ele mais elogia é o fato de que os jogadores estão muito unidos e sempre se resolvem.

O time segue em frente na disputa, mas Pedro diz que ainda tem muitos planos para o futuro. Segundo ele, a SG mudou “da água pro vinho” e que a maior mudança não foram os jogadores, mas sim a administração do clube para se manter. “Estamos prestando mais atenção nas métricas, no retorno, na qualidade dos produtos oferecidos e serviços que a gente está oferecendo. Estamos buscando parcerias que tragam valor para nossa torcida e para nossos fãs”.