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Rise Academia é um projeto focado na inclusão, acessibilidade e libras nos esports

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De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), 10 milhões de brasileiros possuem algum grau de deficiência auditiva e encontram dificuldade para se comunicar com ouvintes e falantes da língua portuguesa. Neste grupo, 70% dos surdos brasileiros tem dificuldade em compreender o português, com uma experiência de comunicação pautada toda no visual, tornando-os dependentes de Libras (Língua Brasileira de Sinais) para se comunicar e obter informações. Igualdade e acessibilidade são direitos de todos e a Rise Academia quer disseminá-los no cenário dos esports.

A Rise Academia foi idealizada por Keila Alcântara (Intérprete e Tradutora de Libras) e Guilherme Cepeda (CEO da Gamer Squad). Trata-se de um projeto para difundir conteúdo em libras e expandir a mensagem sobre inclusão e acessibilidade nos esportes eletrônicos.

Inicialmente exclusivo para os times da Gamer Squad, o Rise Academia foi aberto para todos no cenário competitivo, a fim de educar sobre acessibilidades de modo geral. “Traremos notícias sobre inclusão, sobre acessibilidade… vamos mostrar onde as pessoas podem encontrar cursos, palestras e conteúdo em libras ou braile, por exemplo”, comenta Keila. “As pessoas têm um pouco de medo de perguntar algumas coisas quando estão com dúvida sobre o assunto e a ideia é que a Rise seja o lugar onde possam encontrar as respostas sem nenhuma restrição”.

Atualmente, a Rise Academia está em fase de planejamento e reunião de dados de pessoas interessadas em fazer parte do projeto. A proposta é promover aulas de libras acessíveis para ouvintes e surdos que não saibam libras e/ou que acompanham esports; fazem parte do escopo conteúdos acessíveis através de notícias, palestras e encontros, inclusão de pessoas com deficiência de modo geral e aumento da visibilidade para a causa.

VAMOS TRANSFORMAR O CENÁRIO NUM LUGAR MAIS INCLUSIVO

Por que os esports? Unir duas paixões em prol de uma causa justa fez com Keila e Guilherme entrassem neste projeto com todo o coração. A comunidade de esports sempre foi muito distante no que diz respeito às pessoas que fogem do “padrão gamer”, como pessoas com deficiência, negros e mulheres, por exemplo. Felizmente essa é uma realidade que vem mudando e o cenário já não é mais o mesmo, ele tem se tornado cada vez mais acessível e inclusivo, mesmo que devagar.

São pequenos passos e iniciativas como a Rise Academia que o cenário realmente precisa, pessoas dispostas a ensinar e compartilhar o conhecimento que eles possuem para que uma causa ganhe mais espaço e para que todos possam aprender a aceitar todas as diferenças.

“É um projeto mais voltado para o cenário de esports, mas não é 100% focado nele, sabe? Se uma pessoa que não for do cenário quiser entrar, será bem-vinda também. A gente vai ser mais flexível para a área de games justamente por causa da Liga dos Surdos e porque sabemos que existe toda uma questão linguística e muitos dos jogos não tem sinais específicos. Então, queremos trabalhar para acender a língua dentro do esports”, revela Keila.

Guilherme reforça que “a ideia é aplicar no cenário de esports, mas não ser limitado a ele. Sabemos que, no cenário, existem muitas pessoas interessadas em aprender, mesmo aqueles que já trabalham com isso, mas não tem o conhecimento necessário do vocabulário dos esports, como os campeões de League of Legends, por exemplo”.

Para os criadores do projeto, conhecer as pessoas pelo formulário disponibilizado pela Rise Academia para coletar dados é muito interessante. “Eu acho que isso vai ser muito rico, sabe? Tem muita gente diferente… de todas as áreas, tem gente que trabalha com casting, com mídia social, arte... Tem até gente que já sabia libras, mas que é de fora da Liga dos Surdos e a gente não conhecida. É muito legal”, afirma Keila. “No cenário, temos poucas pessoas ouvintes que sabem de fato libras. Acho que o projeto promete ser bem desafiador e bem enriquecedor também”, completa.

A Rise Academia é um projeto feito em parceria com a Gamer Squad, organização de esports. Atualmente, eles contam com elencos de League of Legends, incluindo uma mista, uma feminina e uma de surdos.

Se você tem interesse em aprender libras na Rise Academia e consumir conteúdo sobre acessibilidade e inclusão nos esports, preencha este formulário para participar. Fique ligado também no Twitter do projeto.

Julia Macalossi é apaixonada por games e esports e colunista no ESPN Esports Brasil. Siga-a no Twitter e Instagram.