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CBLoL: "Seria muito legal fechar com chave de ouro", diz Maestro sobre final antes das franquias

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Maestro comenta retomada no CBLoL e sétima final da INTZ (2:21)

Técnico da INTZ fala sobre manter a escalação da última etapa e psicológico para final (2:21)

A final da Segunda Etapa do CBLoL 2020 acontecerá neste sábado (5) em um clássico entre paiN e INTZ, dois dos times de League of Legends mais tradicionais e vencedores do Brasil. O ESPN Esports Brasil conversou com o técnico intrépido Maestro sobre a série decisiva e suas implicações na última temporada antes das franquias.

A INTZ operou um grande salto da última etapa para a atual. Quase rebaixado e garantindo a sua vaga através de uma vitória na Série de Promoção, o time se reergueu e garantiu com folga a classificação para as semifinais, em que venceram a KaBuM e cravaram seu espaço na sétima final de CBLoL da organização.

“Eu entendo que o torcedor esteja um pouco confuso em relação aos resultados do primeiro e do segundo split, porque parece que é a mesma lineup. No primeiro, tínhamos jogadores mais experientes e tentamos mesclar tudo para fazer uma condição em que quem estivesse jogando melhor iria para o palco”, conta Maestro.

“Mas percebemos que mudanças e experiência não é ‘quanto mais, melhor’. Esse foi o maior erro que a gente teve no último split: o excesso. Estávamos indo bem, mantivemos o elenco, trouxemos mais ainda e achamos que seria melhor, mas não foi. O aprendizado foi importante para não passarmos do limite da experiência e da expectativa. No segundo, focamos mais em menos pessoas. Esse foi o principal fator que mudou”, relata o treinador.

PREPARAÇÃO

Sobre a construção de drafts e estratégias para séries importantes, Maestro volta a falar de sacrifícios. “Quando a gente fala sobre sacrifícios em prol de se tornar campeão, a gente fala de jogar nas suas forças, (...) mas ao mesmo tempo você tem que se forçar além do seu conforto para vencer. Vencer é um custo muito maior do que as pessoas acham. Sair da sua zona de conforto, dos seus anos de carreira fazendo aquilo e se adaptar mais uma vez”, diz.

“A gente trouxe uma condição sobre a campanha dos Lakers, em que eles venceram os primeiros campeonatos e depois pararam de vencer. O grande erro de um time campeão é achar que vai fazer a mesma coisa e ganhar sempre. Um time campeão tem que ser mutável, adaptável. Um time que ganha três anos seguidos foi diferente em cada um dos anos para vencer. É uma filosofia que abordamos aqui, e é mérito dos jogadores acreditar nessa filosofia e conseguir fazer isso”, crava o técnico intrépido.

Maestro comentou o fator “reset mental”, ponto muito ressaltado na conquista do último título de CBLoL pela INTZ, em 2019. Ele afirma que alguns de seus jogadores, como Tay e Micao, são muito bons neste aspecto, o que faz com que seu trabalho seja facilitado ao lado da comissão técnica.

“O importante é eles saberem que, independente do que deu errado na partida, você tem a chance de fazer diferente. Se você ficar mastigando tudo que você fez de errado no jogo, você não vai conseguir se concentrar no agora”, esclarece.

PANDEMIA

Em 2020, o CBLoL foi atípico por conta da pandemia, tendo sua Segunda Etapa sido realizada sem jogos presenciais até o momento. O treinador afirma que a nova maneira de trabalho remota foi um novo desafio, pois a leitura dos aspectos humanos dos jogadores é dificultada.

“Eu sinto falta da dinâmica em que unimos todos em uma sala para conversar ou fazer uma meditação, mas a gente teve que fazer algumas coisas limitadas, porém com a mesma ideia”, relata. Maestro diz ainda que os sacrifícios feitos pelos membros da organização para poder chegar a um comum objetivo também são colocados em pauta e combinados entre todos.

“Nós temos tanta proximidade um com o outro que a gente consegue se cobrar mais sem que seja algo pessoal”, conta, definindo a sintonia do grupo como vantagem. “A gente consegue brigar e cobrar sem que isso fique machucado mais para frente”, diz o técnico.

PAINTZ

O técnico da INTZ comenta que o clássico PAINTZ na última final do CBLoL antes das franquias não é especial apenas para os fãs, mas também para ele, que esteve na torcida na edição icônica de 2015, em que a paiN foi campeã. Ele conta que o clima na INTZ é de comemoração por mais uma final, mas que a garra prossegue, e o time “não está a fim de entregar essa taça”. “Seria muito legal fechar com chave de ouro antes das franquias”, acrescenta.

Maestro falou ainda sobre o não-favoritismo que persegue a INTZ nas finais que disputa. “Desde que eu entrei na INTZ, não me lembro de nenhuma vez em que a gente não foi underdog. Talvez as pessoas não compreendam a nossa qualidade, não sabem como somos como time. Talvez isso seja um trunfo, ou só seja difícil de identificar”, arrisca.

“E outro motivo é que, fatalmente, quando você joga contra o brTT, você é o underdog”, afirma. “Não tem como, o Micao sabe disso, estar na final contra ele é ter a torcida sempre a favor dele. Ele conquistou a fanbase e tudo o que ele podia, e é natural”, diz o treinador.

Reconhecendo a rivalidade entre brTT e Micao, Maestro afirma que, apesar dos dois atiradores terem trajetórias similares em número de conquistas, eles desempenham papéis diferentes dentro e fora de jogo.

O técnico projeta a grande final de maneira analítica. Ele compara a paiN de 2020 com o Flamengo de 2021 pela capacidade de vencer todas as rotas e conseguir vantagens explosivas em teamfights, e ressalta as possibilidades da INTZ jogar em seus pontos fortes e usar a criatividade para superar as estratégias adversárias.

“Alguns jogos da semifinal não servem de parâmetro para vencer a paiN. Eles não vão dar as chances que a KaBuM deu pra a gente”, analisa. “Precisamos ter muito cuidado. Esse time é tão forte que, por algum motivo a gente desviar de nossas forças, vamos perder o jogo. Precisamos estar alinhados e saber o que vamos fazer”, finaliza.