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Opinião: Por segurança, ESL One Rio não deveria ser realizada em 2020

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Cold e fnx também comentaram o sentimento de rever a torcida do MIBR, enquanto torcedores falaram sobre como é encontrar ídolos (4:05)

Contra fatos e números, não existem opiniões. Hoje o Brasil é o segundo país com mais casos de COVID-19 no mundo e, infelizmente, o segundo em número de óbitos. São mais de um milhão e meio de casos e sessenta e cinco mil mortos.

O primeiro da lista é os Estados Unidos com pouco mais de três milhões de casos e o dobro de mortes. Já o terceiro é a Índia, que possui metade do nosso número de casos e menos de um terço dos nossos números de óbitos.

Já dentro das nossas fronteiras, São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará lideram a curva de infectados e pacientes seguidos de mortes. E mesmo com um fraco controle sobre a epidemia, São Paulo e Rio de Janeiro já ensaiam reabrir comércios, bares, academias, botecos, cabeleireiros etc.

Não é preciso de bola de cristal para dizer que a reabertura das duas maiores cidades do Brasil é precoce. E justamente uma delas, o Rio de Janeiro, irá receber o “Mundial” de Counter-Strike: Global Offensive entre os dias 9 e 22 de novembro. Ou seja, justamente em quatro meses.

Pode parecer distante, mas a quarentena já dura mais de exatamente quatro meses, e até o momento a situação nacional e a do estado do Rio não são positivas. Inclusive, a imagem do Brasil durante este período não é positiva. Há um mês, textos pipocam em diferentes veículos estrangeiros contando como nosso país vem perdendo a luta contra a doença, como as decisões de enfrentamento a ela se tornaram mais políticas do que sanitárias e até mesmo Donald Thrump - presidente do país com mais infectados e mais mortes por COVID19, e um dos principais aliados do atual governo brasileiro - apontou nosso país como um desastre no combate a doença.

De acordo com Paulo Eduardo Brandão, professor da faculdade de Medicina, Veterinária e Zootecnia da USP e virologista que pesquisa o coronavírus há mais de 20 anos, a situação parece estar distante de mudar. “Esta é a primeira onda da pandemia, caracterizada por uma doença surpreendentemente complexa e grave, que não mostra consistência em estar regredindo no Brasil, mas, pelo contrário, mostra-se em ascensão”, explicou em entrevista exclusiva ao ESPN Esports Brasil.

“Meses se passarão até alguma queda significativa na sua ocorrência, o que é totalmente dependente da adoção das ações recomendadas pela Organização Mundial de Saúde. O risco pandêmico será permanente provavelmente por alguns anos em ondas anuais”, projetou.

Paulo ainda apontou que a realização de eventos internacionais representam riscos evidentes, como aumento do número de casos e a geração de novas linhagens de vírus devido ao contato entre infectados.

Talvez, prevendo esse cenário desastroso, outros eventos importantes para o público brasileiro já se preparam para uma versão digital. A CCXP, maior evento em público geek do mundo, já anunciou que sua edição deste ano será totalmente digital. A BGS informou que o evento foi adiado e que irá acontecer apenas em 2021 e, finalmente, até mesmo o ENEM foi alterado para janeiro de 2021.

Indo mais a fundo dentro do calendário de esports, o The International – maior torneio de Dota do Mundo – que em 2020 seria realizado em Globen, na Suécia, foi adiado. Segundo postagem realizada em 30 de abril no blog do DOTA2, é provável que o evento ocorra só em 2021.

Já o mundial de League of Legends, anunciado para acontecer em Shangai – China – ainda tem data mantida pela Riot, porém, depois do cancelamento do Mid Season Invitational – torneio internacional de meio de ano da empresa – a expectativa é que a Riot cancele a competição ou procure uma solução totalmente online como feito no próprio Mid Season Cup, jogado pelos times da Coreia do Sul e China.

A precaução por todos estes organizadores de eventos precisa ser demonstrada, novamente, pelos organizadores da ESL One e pela segurança dos maiores jogadores de CSGO do mundo. O evento precisa ser realizado apenas no ano que vem!

A solução pode estar em Cologne

Outro torneio internacional e de grande importância para o cenário de CSGO é a ESL One: Cologne, que acontece entre 21 e 31 de agosto. A competição é organizada pela ESL, mesma empresa responsável pelo Major brasileiro, e parece que a solução da realização de um Mundial de CSGO ainda em 2020 pode estar nesse torneio.

Fontes ligadas a HLTV apontam que a empresa estuda realizar a ESL One: Cologne, de duas formas. A primeira dividindo a competição em duas grandes divisões online (uma para Américas e outra para Europa) ou realizar a competição presencialmente em seus estúdios na cidade alemã - e sem público é claro.

A ESL One: Cologne é um dos maiores torneios do cenário de CSGO e, assim como o Major, contará com 24 times espalhados ao redor do mundo. Dessa forma a realização do torneio de forma presencial em Colônia pode ser um ensaio para que o Major deste ano seja realizado no mesmo local com parâmetros de segurança sanitários já testados - dando mais segurança as organizações e principalmente, aos jogadores.

De acordo com um executivo de uma das equipes que jogam o qualificatório para o Major, o qual vamos manter no anonimato, “na situação atual - da perspectiva organizacional - existiria preocupação com os jogadores até mesmo se a competição acontecesse nos Estados Unidos. Porém, os jogadores querem competir. Se eles fossem perguntados, tenho certeza que diriam que algo como uma versão do Major em estúdio seria uma opção”.

Inclusive a realização da competição nos estúdios da Alemanha - 16º país no ranking de casos registrados e 50º no ranking de novos casos - pode descomplicar as questões de tráfego, visto que, mesmo com a reabertura das fronteiras por aqui, muitos países podem colocar o Brasil em uma zona restrita de viagens devido a forma como temos gerenciado a situação desde o início.

Outro ponto muito relevante é a quantidade de times provenientes de cada um dos continentes. No total a Europa possui onze vagas, e a CEI (Comunidade dos Estados Independentes, que abrange onze repúblicas que formavam a União soviética, como Bielorússia, Ucrânia e até a própria Rússia) possui cinco, ou seja, dos vinte e quatro times que irão jogar a competição, dezesseis residem próximo a Cologne.

Tá tudo bem, 2021 ainda tá aí

Muitos podem achar esse texto, assim como a realização do Major no Rio em 2020, precipitado, mas a competição ainda deveria acontecer em 2021. Primeiro devido ao compromisso da ESL com os fãs brasileiros, demonstrado em muitas outras ocasiões, e, segundo, pelas relações contratuais e comerciais da empresa.

No dia 12 de novembro de 2019, a primeira leva de ingressos para o evento - com valores entre R$ 350 e R$ 500 - se esgotaram em apenas uma hora. O cancelamento total do evento pode acarretar em uma série de processos legais.

Segundo André Muszkat, sócio da CSMV advogados e especialista em Direito do consumidor, “as regras que regulam os eventuais cancelamentos ou remarcações de eventos em razão da pandemia foram dispostas na MP n.º 948/2020 (prorrogada em junho por mais 60 dias). Assim, tratando-se de fatos extraordinários, em razão da pandemia, as partes devem agir sempre de boa fé e buscar o reequilíbrio da relação mantida”.

“Pelas regras expostas na mencionada MP, as opções dos consumidores são as seguintes: (i) caso o evento seja remarcado, seu ingresso será válido para a nova data, caso tenha interesse em comparecer; e (ii) se o consumidor não conseguir ou não tiver interesse em comparecer na nova data do evento, poderá a organizadora do evento disponibilizar algum outro produto ou serviço ao consumidor a fim de abater o preço do ingresso ou restituir este valor no prazo de um ano a contar do encerramento do estado de calamidade em razão da pandemia.”

A ESL One: Rio seria o primeiro Major realizado no Brasil. A promessa de manutenção do evento, mesmo que em 2021, ainda manteria o sonho de muitos dos pagantes de assistir à competição em solo verde e amarelo, assim como também a esperança dos torcedores em ver a MIBR jogando a competição no Brasil - já que as atuais chances da equipe em se classificar para o torneio em 2020 são baixas.

Inclusive, tive a oportunidade de conversar com o Gustavo Araújo Soares, jovem de 14 anos e que mora em Ribeirão Preto, sobre o assunto. E o relato dele vai de encontro com o que eu acho que grande parte dos Brasileirinhos pensam sobre um possível adiamento do torneio para 2021. “Iremos (eles e seus amigos) independentemente da data. Só que como é uma viagem longa e o risco de contágio seria mais alto se fosse este ano preferiríamos que fosse alterado para 2021. Afinal, creio que será mais seguro e poderemos aproveitar o festival que é um Major. Melhor fazer bem feito depois do que meia boca agora.”

A grande força do Brasil no cenário de CSGO é a sua torcida. São os Brasileirinhos, os inúmeros Gustavos que vão sair de suas casas pra torcer e comemorar, e que querem aproveitar ao máximo a maior competição do jogo que amam sendo realizada no Brasil pela primeira vez.

Tenho certeza que nenhum organizador, jogador ou qualquer envolvido com o evento quer colocar a si e aos fãs em risco, até porque… Qual a graça e o motivo de se fazer um espetáculo internacional por aqui sem a presença - com a segurança total - dos Brasileirinhos? Nenhuma!