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Pro players de Fifa 20 destrincham o meta em torneios de alto nível

O FUT Champions Cup IV foi o último grande torneio do Global Series, o circuito competitivo de Fifa 20, realizado presencialmente antes da paralisação motivada pela pandemia do COVID-19. O torneio, realizado na França e vencido pelo brasileiro Henrique “Zezinho”, se destacou pelo estilo usado pelos competidores e quem vem dominando as partidas de alto nível: o meta da posse de bola.

Meta é um conjunto de características usadas em comum por um determinado período de tempo em esportes eletrônicos. No caso do FUT IV, o meta da posse de bola mostrou que os jogadores tendem a trocar passes a maior parte do tempo, esperando o melhor momento para invadir a grande área adversária.

O ESPN Esports Brasil convocou alguns dos maiores nomes do cenário nacional de Fifa 20 para saber a importância desta tática e o que é necessário para colocá-la em ação. Também perguntamos por que, atualmente, há tão poucos chutes de longa distância nas partidas.

Falam sobre o assunto Pedro Resende, da Ellevens, Rafael "rafifa13" Fortes, da NSE, Miguel “Spiderkong” Bilhar, da Roma, Stephanie “Teca” Luana, da Future FC, e Henrique "Zezinho" Lempke, do Benfica.

POSSE DE BOLA

Para começar, Zezinho fala sobre o meta no Global Series: “nos torneios é importante ter a posse, pois a tática de retranca estava muito forte. O melhor jeito de atacar é não forçar passes e, assim que o oponente errar na marcação, avançar o time e tentar o gol”.

SpiderKong não gosta muito do meta atual: “infelizmente ter a posse o tempo todo é importante. Acho que uns ate exageram um pouco, mas a verdade é que ninguém gosta de se arriscar. Irrita o fato de que defender é fácil demais, já que o jogo é extremamente automático. O pessoal acaba tendo muita posse porque as defesas são muito fechadas sem que haja muito esforço para mantê-las”.

Rafifa13 também aponta a “defesa automática” como algo que gerou o meta atual: “mais importantes que a posse de bola é dificultar a ação da defesa adversária. Hoje, não é difícil se defender, portanto valorizar a posse de bola e trabalhar seu ataque na melhor maneira é fundamental. Os jogadores profissionais buscam fazer os gol com a maior probabilidade possível”.

Pedro Resende destaca que não há espaço para erros: “a posse de bola te da uma margem de erro menor na partida e quando se enfrenta um pro player de alto nível, quanto menos você errar, maiores serão as suas chances de vencer”. É a mesma opinião de Teca: “em Fifa 20, a posse de bola é fundamental, pois enquanto você a mantém, a chances de levar o gol são extremamente reduzidas”.

NADA DE ARRISCAR

Quem não gosta de ver um chute de fora da área encontrar o ângulo do gol adversário? Em um meta que a posse de bola gera passes até a conclusão, geralmente dentro da grande área, vemos cada vez menos em torneios de Fifa 20. Será um consequência do meta? Com a palavra, os pro players.

Rafifa: “no circuito profissional não há espaço para se forçar ou desperdiçar jogadas, por isso não é comum usar chutes de fora da área. Primeiro, porque é fácil fechar as linhas dos chutes na frente da grande área com sua marcação. Segundo, que buscamos os chutes de dentro da área, com maior chance de acerto”.

Pedro (“marcação está bem eficaz e anula bem o chute de fora”) e Zezinho e também destaca a marcação como um obstáculo: “os chutes de fora da área ainda são efetivos, o problema é que a defesa é tão automática que a Inteligência Artificial bloqueia 99% deles, portanto não vale o risco”.

Por fim, Teca destaca algo importante e que pode decidir uma partida: “está mais difícil fazer gols de fora da área, já muitos jogadores estão deixando de arriscar graças aos riscos de levar um contra ataque”.