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Opinião: Classificação de Valorant mostra inteligência e ambição da Riot em seu jogo de tiro

O gamer até que tem motivos para lidar melhor com a quarentena devido ao COVID-19, pois quase que diariamente estamos recebendo informações sobre Valorant, o novo jogo da Riot Games. Já havíamos visto algumas amostras de gameplays no início do ano e agora somos apresentados a mais detalhes do game que incorpora a base do Counter-Strike: Global Offensive com algumas “firulas” de outros jogos, como Team Fortress e Overwatch.

Entretanto, uma das poucas coisas que se comentam é a classificação etária. Antes de começar a escrever este texto, inclusive, questionei a Riot se 14 anos poderia ser uma faixa provisória. Mas, realmente, é mesmo a classificação final de Valorant.

Isso se soma ao fato de o jogo não possuir possuir sprites de sangue, nomenclaturas agressivas e ter ainda um visual mais cartunesco - o que só demonstra como a Riot se preocupa muito com a aceitação do game em países mais conservadores em relação a violência, como China, Coréia do Sul e Alemanha.

Ou seja, a empresa está bem atenta ao próximo passo que o gênero FPS precisa dar: o de ser aceito como entretenimento pleno e se afastando de um ambiente de violência escancarada.

Tomarei o CSGO como objeto de curta análise. O mod de Half Life foi lançado em 1999 e deve ter tido seu desenvolvimento iniciado justamente no mesmo ano, uma vez que Half-Life havia sido lançado em novembro de 1998, nos Estados Unidos.

Na época, os estadunidenses, presididos por Bill Clinton, estavam em guerra contra o terrorismo, e a Al-Qaeda já tinha assumido responsabilidade em diversos atos terroristas. Entre eles, o atentado com carro-bomba ao World Trade Center, em 1993, que feriu 1.042 pessoas e matou seis. Assim como os ataques às embaixadas norte-americanas no Quênia e na Tanzânia, em 1998, que também foram coordenados pela Al-Qaeda.

Contexto histórico feito para evidenciar como o tema estava presente na vida dos americanos e, consequentemente, dos desenvolvedores do mod. Por isso os termos como terroristas, contra-terroristas, além de mecânicas de bomba e refém estão presentes no CSGO. São referências que remetem àquela época. Não que se tenha parado de falar de terrorismo, mas basta notar que filmes com crítica social levam mais Oscars e fazem mais bilheteria que os de guerra.

Comentário cult à parte, o contexto social hoje é totalmente diferente de quando o CSGO foi criado. Na época, inclusive, poucos imaginavam que torneios envolvendo games estariam na TV. E justamente por estarem na TV hoje em dia e terem a necessidade de atingir um público maior, os FPS competitivos precisam dar um passo adiante: “sacrificar” uma audiência que ainda deseja viver a testosterona dos anos 90.

Parece besteira, mas esse foi um dos motivos do CSGO só ter chegado a China - o maior mercado de esports do mundo - em 2018. E, ainda assim, com modificações significativas, como a coloração do sangue ser preta, os símbolos da União Soviética terem sido retirados e até mesmo as caveiras foram substituídas.

Mesmo em países mais liberais em relação à violência tendo em vista aspectos culturais, como o Brasil, contudo, a programação precisa atender a classificação indicativa. Com isso, seria muito complicado colocar um torneio de CSGO no meio da tarde. Por outro lado, uma partida de Valorant poderia tranquilamente ser transmitida pelo menos uma hora antes de o sol se pôr - assim como Fortnite!

Aliás, um dos fatores que ajudou o game da Epic a atingir um público massivo é o visual mais ilustrativo e “low violence”, possibilitando que pessoas de qualquer idade possam jogar - o que diminui a tensão entre pais e filhos, além de estimular até mesmo os pais a fazerem squad com suas crianças.

Em 2020, o mercado de FPS terá apenas Valorant como shooter mais amigável para a família. Digo isso levando em conta que Overwatch é um ”Hero shooter” e não um shooter. Dessa forma, as perspectivas de negócio e base de Valorant são muito, mas muito altas.

Free-to-Play e democrático, o jogo mostra que a experiência acumulada da Riot foi devidamente aplicada para tentar atender a inúmeros players do mercado de games e esports. Isso tudo não só vai colocar o Valorant como um grande agente do FPS gratuito, como pode dar a ele um lugar de destaque no cenário de esports em um todo.

Mas, calma… O game não vai obliterar o CSGO. O Counter-Strike é imorrível e vai continuar reinando como jogo de tiro. Valorant, na realidade, vai é chegar como um aliado espalhando ainda mais a palavra dos shooters competitivos.