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Primeira jogadora de ePremier League quer mais mulheres no cenário competitivo de Fifa 20

Lisa Manley, jogadora profissional de Fifa Arquivo pessoal

A Inglaterra é obcecada pelo futebol. Então, não é uma surpresa que Fifa seja um dos jogos mais populares do país. Há muita gente que nem gosta de esportes em geral, mas basta perguntar a eles que clube de futebol torcem para ter uma resposta - graças a uma tradição familiar de longa data ou à cidade em que cresceram.

Sejam equipes masculinas ou femininas inglesas competindo, o país se une a elas em apoio. Em 2018, 30 mil torcedores da Inglaterra lotaram o Hyde Park e comemoraram o gol do lateral direito Kieran Trippier, com um mar de cerveja sendo jogado para o céu.

As Leoas, como são conhecidas as jogadoras da seleção fermina daquele país, conquistaram os corações da nação em 2019, após a sua classificação para as semifinais da Copa do Mundo, com um pico de 11.7 milhões de pessoas assistindo a vitória da seleção nacional feminina dos EUA.

Apesar dessa popularidade generalizada, ainda existe um equívoco comum de que nenhuma mulher joga Fifa. Pior ainda: o pensamento que não deveriam nem competir em torneios de esports.

Este é um cenário que a jogadora profissional da Fifa, Lisa Manley, quer mudar. A pro player de 20 anos jogou futebol pela AFC Wimbledon e Fulham, além de ser ex-membra da Kingston College Academy.

Também conhecida como Alex Scott Academy, é a primeira academia de futebol feminino do Reino Unido e é endossada por Alez Scott - lenda do Arsenal e da seleção inglesa.

Desde que assinou com a equipe de esports No Fuchs Given, de propriedade do lateral-esquerdo Christian Fuchs (Leicester City), Manley se tornou a primeira mulher a competir nos playoffs da ePremier League Club. Ela tentou jogar pelo Fulham no ano passado e este ano representou o Crystal Palace, mas foi eliminada pelo vencedor do evento, Kylem "Lyricz" Edwards.

Manley disse que era difícil competir contra ele, considerando que seu time do Ultimate Team valia cerca de 25 milhões de Fifa Coins - a moeda do modo mais popular do jogo -, enquanto o time dela chegava a apenas 1,4 milhão de Fifa Coins. Ela também chegou perto de competir pela Inglaterra depois de chegar às quartas-de-final das eliminatórias do eLions no ano passado.

No entanto, Manley compete há cerca de um ano e meio e agora presencia seu próprio progresso.

"Para ser justa, não achei que fosse boa o suficiente para competir, mas fui contactada por Christian [Fuchs] pelo Twitter para ingressar em seu time de esports de Fifa. Ele queria atrair mais mulheres para a Fifa e me enviou uma mensagem dizendo que “muitas pessoas estavam falando de mim", disse Manley.

"Quando entrei, consegui 14 das 30 vitórias na Weekend League, o que obviamente está bem abaixo da média, mas desde que me juntei a minha equipe marquei 24 vitórias, o que foi uma grande melhoria. Isso só acontece com a ajuda de No Fuchs Given, recebendo conselhos sobre o que estou fazendo de certo e errado. "

Infelizmente, Manley recebeu muitas críticas quando No Fuchs Given a anunciou como nova contratada, mas ela disse que muitos membros da comunidade também têm apoiado sua jornada até agora.

"Quando fui anunciada, havia muito ódio porque não estava chegando nem perto no número de vitórias de dos outros. Quando publiquei que tinha alcançado 20 vitórias, as pessoas, pela primeira vez, perguntaram como eu era profissional. Mas aí outros disseram quem ‘conhecia garotas que obtêm mais de 20 vitórias na Weekend League?’”, disse a jogadora.

"É uma algo em crescimento, assim como a Copa do Mundo Feminina. As Leoas chegaram muito longe no torneio e agora estão promovendo o jogo para as mulheres em geral, e acho que muito mais mulheres também estão jogando Fifa. Muitas pessoas na meu stream me parabenizam e dizem que não conseguem a mesma quantidade de vitórias que eu, mas também existem os haters que obtêm mais vitórias e estão irritadas por não estarem em uma equipe. Tem gente dos dois lados, mas no geral acho que é bastante positivo, porque não havia outras garotas contratadas para uma equipe quando entrei".

Enquanto no futebol há um longo e prolongado debate sobre as diferenças físicas entre os dois sexos, não existem barreiras tangíveis que impedem as mulheres de competir em torneios da Fifa com homens. No entanto, Manley reconheceu que há uma barreira mental, pois muitas mulheres são intimidadas por possíveis trolls online, o que as impedem de participar de eventos.

"Recentemente, Christian e eu decidimos que vamos criar um torneio apenas para mulheres. Há várias garotas que disseram que vão jogar, mas depois de conversar com algumas delas disseram que não teriam se juntado se também houvesse homens. Conheço uma pessoa cujo namorado a convidou para participar de um torneio com ele e outros jogadores competitivos, mas ela disse que não. É um caso de garotas achando que não são bem-vindas”.

"Há garotas que jogam. Conheço uma, em particular, que obtém 27 vitórias e está entre os 100 melhores semanalmente, como todo mundo. É algo sobre reconhecimento, poucas pessoas sabem sobre as garotas que estão jogando. Se conseguirmos apenas uma garota em cada torneio, mostrará nossa capacidade e, talvez, mais equipes escolham garotas. E esse é obviamente o primeiro passo. Acho que uma vez que as garotas realmente jogam em torneios e percebem que são muito boas e gostam disso, então talvez elas participarão de mais eventos que incluem meninos e esperamos que as coisas avancem a partir daí", completou.

Os esports estão mudando rapidamente e estamos começando a ver mais e mais mulheres competindo no nível mais competitivo. Se-yeon "Geguri" Kim é a primeira mulher a competir na Overwatch League, a ex-profissional de Hearthstone, Rumay "Hafu" Wang, foi a jogadora mais bem classificada na versão beta do Teamfight Tactics, da Riot Games, e tem Jamie "Karma" Bickford, jogadora profissional de Rocket League.

Com mais olhos no cenário de esportes de Fifa, é apenas uma questão de tempo até que mais mulheres entrem em torneios e desafiem os melhores do mundo.