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LoL: Jogadores da LCS analisam o legado de Sneaky com a Cloud9

Zach "Sneaky" Scuderi caminha em um dos sete mundiais de League of Legends que disputou Divulgação/Riot Games

Pela primeira vez desde o split de primavera de 2013, a abertura do LCS não traz um dos rostos mais reconhecidos do League of Legends da América do Norte: Zachary "Sneaky" Scuderi.

Desde seu comportamento descontraído até suas respostas sarcásticas em entrevistas, o primeiro final de semana da LCS em 2020 não foi o mesmo sem o antigo atirador da Cloud9. A equipe anunciou nesta intertemporada que Sneaky deixaria a única organização que ele defendeu profissionalmente para se concentrar como streamer.

Enquanto a C9, vários ex-colegas de equipe e rivais iniciaram sua temporada neste fim de semana, Sneaky segue sua nova carreira em tempo integral na Twitch.

Desde que anunciou seu período sabático da cena profissional e se concentrou no mundo do streaming, Sneaky segue desenvolvendo seu próprio canal, atualmente com uma média de cerca de 10.000 espectadores por transmissão. Além transmitir, o jovem de 25 anos é um dos cosplayers mais conhecidos da internet atualmente; ele foi indicado em 2019 para o cosplayer do ano no Esports Awards em Arlington, Texas.

Em termos de ganhos monetários e liberdade pessoal, a escolha em focar em streaming é interessante para Sneaky, pois o jogador cultivou um dos públicos mais leais do LCS por sua carreira. Ele tem seu próprio Patreon, juntamente com seu público na Twitch, onde hospeda todas as suas aparições de cosplayer.

Ainda assim, alguns de seus ex-colegas de equipe não acham que a saída de Sneaky do C9 seja definitiva.

"Acho que ainda há uma chance de Sneaky voltar", disse Will “Meteos” Hartman à ESPN, um dos melhores amigos de Sneaky na liga e ex-companheiro de equipe na C9. "Também fiz pausas ao longo da minha carreira. Houve splits em que não joguei, mas não tenho certeza. Espero - ao menos espero - que Sneaky volte. O local para onde me mudei é próximo de onde ele mora agora, então eu vou poderei vê-lo".

Nenhum jogador na América do Norte - ou nenhum jogador no mundo - era como Sneaky. Embora não tenha vencido o prêmio de MVP ou ao menos tenha sido um dos principais candidatos em qualquer temporada em que jogou, a consistência do atirador sempre foi seu cartão de visita. Seja na partida da semana 5 contra o pior time da liga ou no quinto jogo das quartas de final do Mundial de League of Legends, segundo informações de seus companheiros, Sneaky era o mesmo. Ele sofreu derrotas em situações de alto risco melhor do que a maioria das pessoas jogando um jogo casual como Banco Imobiliário.

Em uma liga em que a norma era pular de sua cadeira na vitória ou desmoronar na derrota, Sneaky era um caso à parte, nunca deixando os holofotes chegarem a ele.

Ex-colegas de equipe e rivais no fim de semana de abertura da LCS fizeram questão de esclarecer que sua natureza estoica não era por causa da apatia. Não pense que Sneaky não gostasse de competir. Seu amor pelo jogo profissional e seu desejo de vencer são as principais razões pelas quais alguns de seus ex-colegas acreditam que ele voltará mais cedo ou mais tarde. Pelo contrário, Sneaky sabia que tinha que ser o elemento que traria a calma quando sua equipe mais precisasse.

Quando a situação era negativa e tudo desmoronando ao seu redor, Sneaky fez questão de colocar tudo em perspectiva. Uma pequena piada para fazer todos rirem ou comentário sarcástico para afastar a mente dos problemas da equipe. Quando a pancada vinha, Sneaky percebia o absurdo da situação e passava a ter ciência de que tudo era apenas videogame no final. Se a Cloud9 vencesse, seria bom. Se perdessem, eles iam jantar e aprender com sua derrota para garantir que isso não acontecesse novamente.

Sneaky se classificou para o mundial de League of Legends em cada um de seus sete anos como profissional. Seu melhor resultado foi em 2018, quando a Cloud9, à beira da eliminação na fase de grupos, sobreviveu ao que era considerado na época o grupo mais forte da história dos mundiais para chegar às quartas de final. Lá, Sneaky e C9 fizeram o impensável, ao varrer a equipe sul-coreana da Afreeca Freecs e chegar às semifinais, onde foram eliminadas.

"Sneaky era um companheiro de equipe muito positivo, principalmente quando as coisas não estavam indo bem", disse Nicolaj "Jensen" Jensen, o meio do Team Liquid. "Ele realmente lutou pelos direitos dos jogadores e foi uma peça essencial da Cloud9. Eu não sei como a C9 vai se sair sem ele, mas é estranho - realmente estranho - que ele não esteja mais lá".

Não importa se a equipe irá florescer ou afundar: a C9 não será a mesma equipe. E, embora isso não seja necessariamente algo ruim - a reinvenção é fundamental para uma equipe em qualquer esporte - ela deixa em aberto um hiato de identidade que precisam preencher.

Existe apenas um Sneaky, e embora o atual esquadrão da C9 tenha seus próprios piadistas, a equipe de 2020 precisa encontrar sua própria maneira de lidar com conflitos e jogar junto. No lugar de Sneaky, a equipe agiu por agressivamente na intertemporada para contar com o bicampeão europeu Jesper "Zven" Svenningsen e da estrela franco-canadense Philippe "Vulcan" Laflamme.

O Cloud9 saiu invicta do primeiro fim de semana da era pós-Sneaky, marcando 2 a 0 na rodada de abertura. A ausência de Sneaky, no entanto, não será testada tão rapidamente; uma equipe não é testada até que comece a enfrentar adversidades, e o mesmo vale para a atual formação C9. Quando a C9 começa a perder um jogo aqui ou ali, ou tenha uma queda, teremos o teste de quão longe este elenco pode chegar.

Por enquanto, é um começo forte, com Zven tendo causado uma forte primeira impressão com a camisa da C9, mas apenas o tempo dirá qual será a identidade da franquia. O veredicto ainda está em aberto se Sneaky regressar ao cenário profissional.

"Eu espero que Sneaky retorne", disse Jason "WildTurtle" Tran, da FlyQuest. "Gosto muito de jogar a LCS com ele após todos esses anos. Ele tem sido um dos caras com quem joguei no início e é sempre bom ver um rosto familiar se saindo bem na LCS".

Não há muitos jogadores da primeira geração da LCS na liga atualmente. Embora a América do Norte seja a região mais conhecida por seus jogadores veteranos permanecerem por mais tempo do que em outras ligas, o número de competidores que jogaram no ano de abertura da LCS, 2013, está diminuindo. À medida que o jogo evolui e mais dinheiro é canalizado para a cena norte-americana, os jogadores mais velhos, alguns chegando aos 30 anos - considerados antigos nos esports - estão fazendo de tudo o que podem para sobreviver a novatos e nomes importados a preços altos do outro lado do oceano.

No momento, Sneaky, pela primeira vez em sete anos, está gostando de ser seu próprio chefe, pois largou longas horas de treino e um cansativo cronograma que permite apenas algumas semanas de descanso durante toda o ano. Ele pode fazer cosplay o quanto quiser. Ele pode transmitir o quanto quiser. Os fãs que ele cultivou ao longo de sua carreira estarão em sintonia, independentemente de ser o jogador número 1 na LCS ou se ele é apenas ele mesmo, um piadista de 20 anos, gritando sem se importar com o mundo.

As pessoas próximas a ele, no entanto, se perguntam se o streaming será suficiente para saciar o apetite de Sneaky.

"Conheço Sneaky há muito tempo", disse Jensen. "Sei que ele tem um grande desejo, e quer competir. Espero que ele volte".

Se for o fim do caminho para Sneaky, ele se tornará um ícone dos esports norte-americanos, ao competir por sete temporadas e nunca ter deixado de se qualificar para o maior torneio de League of Legends. No entanto, no caso de um retorno, o público estará esperando, e os fãs voltarão a gritar seu nome, sem se importar com o uniforme que o jogador vestir.

Seja no time número 1 do mundo ou no pior time da América do Norte, Sneaky sempre será Sneaky, rindo no palco e se certificando de que seus colegas de equipe saibam que uma derrota não é o fim do mundo.

E isso, muito mais do que seus sete campeonatos mundiais, é o que faz dele uma lenda.