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LoL: LCS e LEC seguem estratégias diferentes na janela de transferências

Enquanto a LEC aposta em talentos nacionais, times da LCS dobram número de imports e esperam sinergia. Shannon Cottrell/Riot Games

*Este texto foi originalmente publicado no ESPN Esports

Antes da temporada 2020 de League of Legends, as equipes da liga norte-americana LCS e da europeia LEC passaram por mudanças significativas. Na América do Norte, novos jogadores ocupam 32 espaços na liga de 10 times. Na Europa, que também possui 10 equipes, 24 novos rostos farão estreia.

Muitas mudanças precipitadas foram feitas na América do Norte após uma atuação decepcionante no Campeonato Mundial de League of Legends, em outubro, que teve todos os três classificados da LCS eliminados na fase de grupos do torneio.

A Cloud9 vendeu quatro jogadores para a Evil Geniuses, uma das três novas equipes a ingressaram na liga em 2020 através da compra de vagas em 2019. A Team Liquid se separou do multicampeão doméstico Xmithie; e a Team SoloMid, depois de não se classificar para o Mundial por dois anos consecutivos, mudou de planos outra vez.

Ao todo, a América do Norte investiu pesadamente em talentos importados e jogadores veteranos no cenário.

Em contrapartida, várias equipes europeias como Misfits, Team Vitality e MAD Lions (anteriormente Splyce) procuraram jogadores que competiam em ligas regionais da Europa [espécie de segunda divisão da LEC]. Com o bom ano da G2 Esports, limitado apenas por um vice campeonato no Mundial, muitas equipes européias acharam melhor se espelhar na G2, esperando que os jovens jogadores em que estão investindo se transformem em futuros astros.

E assim, desenvolveu-se uma narrativa: uma região decepcionada, que procurava recuperar-se gastando mais com veteranos, contra outra que, após seu ano de maior sucesso na história moderna do jogo, continua investindo nos jovens talentos que trouxeram a Europa a uma série de vitórias durante os dois últimos anos.

Aqui está uma visão sobre como a pré-temporada/free agency em ambas as regiões se desenrolou, e como essas escolhas provavelmente se desenvolverão após o início das temporadas da LCS e LEC, em 24 de janeiro.

NÚMERO DE JOGADORES QUE NÃO JOGARAM NA LIGA EM 2019

LCS: 20% (10 de 50 jogadores)

LEC: 28% (14 de 50 jogadores)

Tanto a LCS quanto a LEC receberão uma boa quantidade de rostos novos na temporada 2020, mas a diferença está nos detalhes.

Desses jogadores, apenas três na América do Norte não competiram em uma região major antes de 2020: ryoma, novo mid laner da 100 Thieves; Johnsun, atirador da Dignitas; e Closer, caçador da Golden Guardians. Os outros sete são importados de outras regiões, cada um com alguma experiência profissional anterior, ou jogadores retornando à liga que já competiram antes.

Na Europa, 11 dos 14 novos jogadores da LEC não competiram em uma região major antes de 2020. Muitos deles estão na Misfits, MAD Lions ou Vitality, mas outros não, como o suporte australiano Destiny, da Origen, ou o também suporte LIMIT, da SK Gaming.

Os três restantes dos 13 são: a importação sul-coreana do atirador Bvoy, na Misfits; o jungler Gillius, da Schalke 04, e o ADC veterano FORG1VEN, que retornou à LEC pelo Schalke 04 após cumprir serviço militar obrigatório na Grécia.

JOGADORES NOVATOS EM CADA LIGA

LCS: 1

LEC: 10

Nota: Jogadores internacionais, como Ry0ma e Destiny, embora normalmente contados como novatos pela Riot Games, não contam devido à qualificação e competição em eventos internacionais como o Mid-Season Invitational e o Mundial de League of Legends.

Existem 50 jogadores em cada uma dessas ligas. Na LCS, apenas um desses 50 é novato: Johnsun, que estreará pela Dignitas em 24 de janeiro. Nesta offseason, a América do Norte optou por veteranos e importações ao invés de jovens talentos, ou, em outros casos, os times trocaram jogadores entre si. A Evil Geniuses adquiriu três jogadores da Cloud9, enquanto a Immortals trouxe de volta Altec e importou Eika e sOAZ da Europa. A terceira nova franquia da região, Dignitas, também procurou veteranos, como Froggen e Aphromoo.

A abordagem da LEC parece muito diferente, mas a Misfits, MAD Lions e Vitality distorceram esse número ao trazer estreantes, em parte seguindo o exemplo da G2. Mesmo nos últimos anos, equipes com talentos novatos como a Rogue tiveram desempenho acima das expectativas na LEC.

Com uma grande variedade de jogadores nas ligas regionais, a pool de talentos da Europa conta com mais jogadores jovens do que a maioria.

JOGADORES QUE NÃO COMPETIRAM NA LIGA ANTES DAS FRANQUIAS

LCS: 42% (21 de 50 jogadores)

LEC: 50% (25 de 50 jogadores)

Embora os números sejam comparáveis, eles ficam a favor da Europa no que se refere aos jovens talentos.

Na América do Norte, 22% (11 de 50 jogadores) não competiram em uma região major antes de ingressar na LCS. Alguns desses jogadores são importações da Austrália e da Turquia, ambas regiões competitivas menores no ecossistema global de League of Legends.

Em contrapartida, a Europa concentrou-se outra vez em jovens talentos domésticos. Alguns jogadores da Fnatic, Schalke 04, Origen, Rogue, Excel, Misfits, SK Gaming, MAD Lions e Vitality não competiram na LCS EU, nome da liga antes da franquia. Impressionantes 46% da liga (23 de 50 jogadores) não competiram em uma região major antes da LEC. Alguns desses jogadores já tiveram sucesso em suas jovens carreiras, como o mid laner Nemesis, da Fnatic, que participou do Mundial em sua temporada de estreia, em 2019.

IMPORTS NA LCS E NA LEC

LCS: 50% (25 de 50 jogadores)

  • Europeus: 26% (13 de 50 jogadores)

  • Sul-coreanos: 16% (8 de 50 jogadores)

  • Australianos: 4% (2 de 50 jogadores)

  • Turcos: 4% (2 de 50 jogadores)

LEC: 10% (5 de 50 jogadores)

  • Sul-coreanos: 8% (4 de 50 jogadores)

  • Australianos: 2% (1 de 50 jogadores)

Com a saída em massa de jogadores da Coreia do Sul no final de 2014 e os desejos tanto da América do Norte quanto da Europa de se tornarem regiões competitivas, vários coreanos foram importados em ambas as regiões naquele ano e nos seguintes.

No entanto, isso mudou nos últimos dois anos. As franquias permitiram que as equipes assumissem mais riscos, e o desempenho da Europa aumentou ano após ano nas competições internacionais. Mais de um quarto dos players da LCS atualmente são europeus, e as 13 importações da América do Norte superam o total de estrangeiros na LEC.

A maior mudança de tendência na pré-temporada foi a contratação de jogadores de regiões menores, principalmente da Austrália, mas também da Turquia. Talentos como ry0ma, Destiny e Closer reforçaram a 100 Thieves, Origen e Golden Guardians, respectivamente, e jogadores como o AD da Golden Guardians, FBI, e o principal jogador da TSM, Broken Blade, mantiveram seus postos durante uma janela de transferências tumultuada para a América do Norte.

Todos os jogadores sul-coreanos na Europa — o top e o mid laner da Excel, Expect e Mickey, o suporte da Schalke, Dreams e o jungler Trick, da SK — também competiram na LEC em 2019, não sendo novidade na liga. Eles retornarão ao final deste mês.

JOGADORES QUE COMPETEM NAS DUAS LCS DESDE 2013

LCS: 14% (7 de 50 jogadores)

LEC: nenhum

A Riot Games estreou as LCS da América do Norte e da Europa em fevereiro de 2013, e alguns desses jogadores prosseguem atuando nos EUA. Enquanto isso, muitos veteranos europeus passaram a assumir funções administrativas ou de comissão técnicas, ou deixaram o jogo por completo.

Os sete concorrentes na América do Norte que também competiram no LCS na primavera de 2013 incluem Xmithie, Froggen, Aphromoo, sOAZ, Bjergsen, WildTurtle e Doublelift. Alguns desses jogadores continuaram a ter sucesso, apesar de altos e baixos na carreira, incluindo os campeões da LCS 2019, Doublelift e Xmithie. Outros, como Aphromoo e WildTurtle, permaneceram no campeonato em times medíocres ou, às vezes, ruins.