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Técnico brasileiro da Liquid, Yaltz afirma que pode levar brasileiros para time academy

Yaltz vem comandando a equipe desde junho, presencialmente nos EUA desde agosto Riot Games

Yaltz está de volta ao Team Liquid, mas agora não só para compor a comissão técnica da equipe norte-americana de League of Legends. A responsabilidade do brasileiro, aliás, será maior: é ele quem comandará o Liquid Academy, o time de base do clube que conquistou as quatro últimas etapas da LCS.

"Uma oportunidade incrível de crescimento e aprendizagem". É desta forma que Yaltz resume o que está sentindo em poder, novamente, trabalhar junto ao Liquid, em entrevista ao ESPN Esports Brasil.

A América do Norte é a quarta região no histórico de Yaltz. Exercer a função fora do País sempre foi o objetivo do treinador, como o mesmo conta: "Fui para muitas regiões porque queria ter a experiência de viver em outros lugares, conhecer novas culturas e outras pessoas. Ter experiência fora do Brasil o máximo possível".

Com passagens também por Brasil e América Latina, quando esta ainda era dividida nos servidores norte e sul, Yaltz afirma que "sempre foi meu objetivo final estar nas melhores regiões. EUA e Europa sempre foram meu objetivos. Meu retorno ao Liquid prova que tenho nível suficiente para isso. Tive que me provar muito para chegar aqui e foi isso que motivou a organização a me trazer".

Na visão de Yaltz, a nova oportunidade dada pelo Liquid abrirá para ele uma grande porta no cenário internacional: "Por mais que já tenha trabalhado em algumas equipes grandes, essa é a verdadeira oportunidade de me provar, de ser reconhecido e mostrar que sou bom naquilo que estou fazendo".

"A reuniões que já tive com o Steve [CEO do Liquid] foram uma das coisas que mais impactaram no meu retorno. É bem diferente a forma de trabalhar, de entender os processos. Você tem que ser uma pessoa muito proativa, saber encontrar soluções e ter boas ideias. O clube possui pessoas incríveis com os quais consigo absorver e aprender muitas coisas, ao mesmo tempo que posso contribuir com uma visão diferente. E eles também enxergam dessa forma. Eu vejo como uma troca: consigo ter um nível legal para ajudar e aprendo bastante", aponta.

Yaltz conta que a nova oportunidade de trabalhar com o Liquid surgiu quando o clube abriu uma vaga, anunciada no próprio website: “Eles postaram no Twitter. Eu vi, me inscrevi e passei por todo o processo de seleção”. O brasileiro deixa claro que a primeira passagem não influenciou no retorno. “Obviamente eu já conhecia algumas pessoas que já trabalhavam no time, mas o fato de eu ter passado pela equipe antes não influenciou. Tive que passar pelo mesmo processo que todos”.

Segundo o brasileiro, “demorou para eles me responderem [que fui escolhido] porque avaliaram muitas outras pessoas nessa seleção”. Também de acordo com Yaltz, mesmo já no cargo, Liquid o testou porque eles queriam ter “certeza de que eu era o melhor candidato antes de fazerem um visto. Eles queriam mais informações sobre mim e, por conta disso, fiquei um tempo relativamente grande trabalhando com eles remotamente, tanto que quando cheguei aqui a etapa do Academy já tinha acabado. Quando eles tiveram certeza de que eu era a melhor escolha, me trouxeram para cá com contrato normal de funcionário. Desde o meio de agosto”.

Apesar de ter sido contratado para comandar o Liquid Academy, Yaltz fala que também auxilia a comissão técnica da equipe principal quando necessário - o que já vem acontecendo. "Basicamente eu tenho ajudado bastante a staff, cobrindo algumas funções e coordenando o trabalho dos analistas para mandar para os técnicos da equipe principal. Inclusive, trabalhei com eles durante o Mundial, fazendo algumas coisas específicas".

Sobre o tempo que defenderá Team Liquid e ficará nos Estados Unidos, Yaltz revela que, "fico aqui, no mínimo, até o fim de 2020. Não devo voltar para o Brasil".

DIFERENÇA ENTRE AS REGIÕES

"A primeira coisa que percebi é a questão de estrutura", responde Yaltz ao ser questionado sobre as diferenças que percebeu entre América do Norte e Brasil. O treinador aponta que "nenhum time brasileiro que eu já tive contato chega perto [do Liquid], inclusive os melhores". O brasileiro fala que o clube norte-americano "funciona como uma empresa normal, com pelo menos 50 funcionários que trabalham diretamente com o time e, isso, faz muita diferença porque mostra que todas as funções e tudo o que você precisa está sendo muito bem dividido".

Yaltz não sabe precisar se a oportunidade que está tendo no Liquid mostra que brasileiros possuem, sim, potencial de exercer funções em grandes organizações. O brasileiro lembra da primeira passagem, que aconteceu de julho de 2017 até janeiro de 2018 e "abriu a minha mente e me ensinou o que eu precisava saber e fazer".

"Não tenho certeza. A primeira vez que trabalhei com o Liquid foi de forma remota e eu senti uma diferença grande do que estava acostumado no Brasil. Acho que o fato de eu já ter tido esse contato, de ter feito entrevistas com várias equipes da LCS me ajudou. Obviamente existem pessoas com qualidade no Brasil, mas vai mais do quanto elas vão se dedicar para conseguir chegar no nível de trabalhar no exterior", opina.

O comandante do Liquid Academy aponta que "mesmo nos menores times das principais regiões existe uma divisão e complexicidade no trabalho bem maior do que é visto no Brasil. Isso tem a ver com investimento. Lá, possuem mais pessoas trabalhando com o elenco, muito mais estrutura e isso influencia na qualidade do trabalho. No Brasil eu vejo que tem pessoas com bom nível, mas que não são usadas corretamente. As equipes não precisam de muito para serem consideradas boas no Brasil.

OPORTUNIDADE PARA JOGADORES BRASILEIROS?

Yaltz não descarta levar jogadores brasileiros para integrar o elenco do Liquid Academy. "Tenho algumas pessoas em mente que valeriam trazer pra cá. Por eu ter passado por um tempo na seleção, por várias entrevistas e reuniões, a organização percebeu que pode confiar nas coisas que falo. Então, me deram bastante liberdade para tocar as coisas, quais são as melhores opções e tudo mais".

O treinador, contudo, fala que será uma "decisão em conjunto" e aponta que a contratação de brasileiros "depende mais das organizações brasileiras do que da Liquid em si, nesse momento. A gente tem interesse em alguns jogadores específicos, obviamente não trazendo vários jogadores ao mesmo tempo. Depende de como vai ser a janela de transferência e como vão ficar os contratos dos jogadores; quais se tornarão free agent".

Mas de forma lúcida, a fim de não criar expectativas desnecessárias, Yaltz aponta que será bastante criterioso ao analisar o cenário brasileiro em busca de talentos para o Liquid Academy. Isso porque, de acordo com o treinador "as organizações dificilmente querem fazer um visto para qualquer região que não seja Coréia ou Europa, principalmente para uma região pequena como o Brasil".

O brasileiro se utiliza como exemplo para explicar o assunto: "Apenas tiraram meu visto porque além de passar em todo processo seletivo, eu fiquei praticamente dois meses em período de testes antes de efetivamente começarem o processo do visto"

E O RAKIN?

Antes de Yaltz ser contratado o Liquid já contava com outro brasileiro no time de base. Estamos falando de Rakin, o qual não está descartado nos planos do treinador, conforme o mesmo fala ao ESPN Esports Brasil.

"Tivemos a possibilidade de usá-lo na última etapa, mas acho que depende mais dele, do que ele preferir. Tem a possibilidade [dele jogar], mas depende mais do que ele está interessado no momento"

"Consideramos o Rakin, que tem um bom nível e fala inglês fluentemente, o que também ajudaria com a comunidade brasileira. É legal porque você pode juntar um jogador de nível alto e que possui uma grande base de fãs. Mas isso depende bastante de quais são os planos dele, o que ele acha melhor", afirma.

Yaltz deixa claro que "provavelmente teremos interesse em algum momento" de utilizar o Rakin e "a gente vai conversar com ele, para dar essa oportunidade. Mas é uma coisa que quando tivermos vontade de usá-lo, quando precisarmos dele, vai depender mais dele. Não é uma coisa que, necessariamente, vai acontecer. Não sei se é o objetivo dele no momento, se ele quer vir para os EUA, se ele quer jogar competitivamente ou só quer ser streamer. Depende do objetivo dele, não é algo qe dê para dar alguma garantia".

Já sob o comando de Yaltz, o Liquid Academy fechou a segunda etapa da LCS Academy dividindo a quinta colocação com o Echo Fox Academy. A equipe chegou até o mata-mata, do qual foi eliminado nas quartas de final para o time de base do Team SoloMid (TSM).

O brasileiro fala que o objetivo da equipe para 2020, "obviamente, é ser um dos melhores e chegar nas finais da LCS Academy. Então, vamos montar um elenco para chegar o mais próximo disso e também existem ideias de colocar alguns jogadores para jogar no time principal, fazer alguns testes".

EFETIVAÇÃO

O brasileiro mantém os pés no chão quando o assunto é ser efetivado para a comissão técnica da equipe principal. "O fato de eu estar trabalhando com eles agora é porque realmente consigo contribuir e o Mundial era uma época em que você precisa de mais ajuda. Os times [Academy e principal] são bem próximos, então dá para ajudar sempre que preciso, mas acredito que ainda é muito cedo", explica

"Não é uma coisa que posso te falar que vá acontecer, de que eu vou estar de fato no palco da LCS. O fato de já estar trabalhando próximo deles é bem o que eu quero. Não quero, necessariamente, chegar na LCS sem estar 100%. É, sim, um objetivo no futuro, mas eu acho que preciso aprender mais com o cenário e com o Liquid. Contribuo da melhor forma possível, mas não estou pronto para substituir ninguém na comissão técnica principal. O objetivo é: ajudar eles e aprender o máximo possível para um dia chegar lá". finaliza