<
>

Campeã da BGS, Goddess fala que Keyd não entrou pressionada na decisão por polêmica na semifinal

Vivo Keyd foi quem fechou a BGS Esports 2019 comemorando o título Giulia Bianchini/ESPN Esports Brasil

Envolvida involuntariamente na polêmica eliminação da paiN Gaming, a Vivo Keyd entrou na decisão do torneio feminino de Counter-Strike: Global Offensive promovido pela BGS Esports sendo cobrada por parte da comunidade, que falava em obrigação de título por conta do episódio. Mas essa pressão sequer passou das arquibancadas. Foi o que afirmou Goddess em entrevista ao ESPN Esports Brasil.

“Não colocou pressão alguma. Estávamos bem tranquilas”, afirmou a Guerreira após a vitória sobre a Team oNe, de virada, por 3 a 1. Segundo a jogadora, a equipe “não quis se meter na polêmica” causada pela punição dada pelo comitê organizador a paiN.

“Teve gente até questionando sobre o que aconteceu depois do jogo [contra a paiN]. Mas a gente não tinha nada o que fazer, só jogar. Estávamos bem tranquilas. A pressão estava para elas, na verdade. Por serem bicampeãs, elas tinham a missão de ganhar essa semifinal. Para a gente foi bem tranquilo. Entramos com a cabeça no jogo e deu tudo certo”, comentou.

O título aconteceu poucos dias após a Keyd fechar a seletiva brasileira do GirlGamer Festival em terceiro lugar, torneio este que, de acordo com Goddess, ensinou o time a “ter mais calma e uma comunicação melhor”. Na ocasião, as Guerreiras perderam para a INTZ nas semifinais, mas ficaram com a “medalha de bronze” após vitória sobre a paiN.

“Cometemos erros básicos, coisas que não estávamos preparadas. Mas é mérito da INTZ, elas jogaram demais. Serviu de aprendizado e o que a gente pensou [depois da derrota] foi ‘bom, agora a gente precisa ganhar a BGS”, apontou

Ainda de acordo com Goddess, a Keyd entrou no confronto diante a paiN com um espírito diferente: “No dia seguinte [à derrota], inclusive, disputamos o terceiro lugar contra a paiN e as vencemos novamente. Voltamos para esse duelo falando que a gente tinha que ganhar para se redimir de alguma forma”.

CENÁRIO NIVELADO E EVOLUÍDO

Se até então a paiN Gaming imperava quase que absolutamente nos torneios femininos disputados no Brasil, a equipe sequer chegou nas finais dos dois últimos presenciais. Fato este que, na visão de Goddess, mostra que o cenário está mais nivelado.

“O ponto é exatamente esse: todos os times estão nivelados. Obviamente elas ganhavam tudo, são muito treinadas, experientes e boas. Mas todo mundo começou a treinar e falar: ‘meu, a gente precisa correr atrás’. Todo mundo está correndo atrás e treinando. Tanto que hoje é aquilo: pode ganhar, perder. Não tem nada muito certo”.

Nivelamento este que aconteceu graças a evolução que o cenário feminino sofreu nos últimos meses, de acordo com Goddess. “Melhorou muito. Evoluiu muito o nível as organizações estão investindo. Hoje você tem Keyd, paiN, INTZ, Team oNe, ou seja, várias organizações que ajudam as meninas dando infraestrutura, bootcamp”.

A jogadora da Keyd apontou também que, atualmente, já tem equipes que “estão em gaming office o tempo todo. Isso é muito bom. O nível aumentou e não é mais um ou dois times que ganham com placares elásticos. Está todo mundo brigando e é no detalhe a vitória”.

Goddess ainda falou sobre o aumento de torneios presenciais para as equipes femininas: “Antes a gente tinha anualmente uma LAN e campeonatos mensais com premiações baixas. Agora eles aumentaram esses campeonatos para trimestrais com premiações altas. Estávamos agora na BGS, antes teve o GirlGamer Festival”.

“O GirlGamer Festival foi um exemplo de que antes não existiam torneios com um classificatório latino-americano. A gente assistia o torneio, mas era EUA e Europa. Agora eles trouxeram pra cá e isso é muito bom porque a gente tem mais chance de ir para fora.Coisa que antes a gente não tinha”.

A participação da equipe feminina do Black Dragons no Campeonato Brasileiro de Counter-Strike (CBCS) também ajudou na evolução do cenário, na opinião de Goddess: “Favorece porque as meninas têm chance de evoluir, de estar treinando com times mais fortes. Com certeza vão tirar muito aprendizado disso, uma experiência muito boa. Para gente também é muito bom, muito legal ver um time feminino disputando só contra times masculinos. Elas vão conseguir evoluir e todo mundo vai evoluindo junto, mesmo jogando só com mulher ou só com homem”.

Além de agradecer todos aqueles que apoiam a Vivo Keyd, Goddess finalizou dando um recado para as meninas que sonham competir no Counter-Strike: “É só vocês se dedicarem que vai dar tudo certo. Por mais que demore, é para se dedicar, para montar um time e treinar porque vai dar tudo certo”.