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Opinião: O futuro do MIBR está em uma team Academy

MIBR deveria pensar num team Academy para o futuro MIBR

Apesar de não fazer parte da cultura do Counter-Strike e até ser proibido em algumas competições, o MIBR deveria avaliar ter um “time B” no futuro. Seria uma valiosa ferramenta para a captação e lapidação de talentos que poderiam ser usados de forma imediata em futuras mudanças, amenizando assim possíveis dores de cabeça da organização como a causada pela saída de coldzera.

As categorias de base são usadas com maestria nos esportes tradicionais — o futebol é um exemplo vivo —, e gradativamente estão mostrando valor também nas modalidades eletrônicas. Os times “Academy” já são realidade em League of Legends e Overwatch, com o público presenciando constantemente nesses jogos equipes rotacionando jogadores entre “escalação B” e “escalação A” - foi assim que a Cloud9 se reinventou no ano passado e conseguiu chegar ao Mundial do MOBA da Riot Games.

Mas não precisamos ir muito longe e nem olharmos outras modalidades para ter certeza do quão eficientes podem ser os times de base. Muito do atual sucesso da Furia é consequência do bom trabalho feito pela organização com uma formação Academy. Três dos atuais jogadores da equipe vieram da antiga Furia Academy: VINI, kscerato e ableJ — time este que também revelou outros nomes que estão atuando por clubes importantes no Brasil, como o Tuurtle da Detona e o realziN da W7M.

A organização viu que a estratégia deu tão certo que resolveu voltar a investir num “time B”, abrindo recentemente uma peneira a fim de escolher a nova leva do Furia Academy. Os Furiosos, contudo, não são os únicos que contam com uma formação secundária no País. Até pouco tempo, a INTZ também possuía um time Academy, que mudou de nome recentemente para se adequar às regras do CBCS. Nesse time em questão está uma das maiores promessas do cenário: detr0it.

Então quer dizer que se, hoje, o MIBR tivesse um “time B” o substituto do coldzera seria um novo cold? Não. É claro que não. Estamos falando de um jogador único, um fenômeno raro da modalidade. Contudo, se o MIBR Academy já existisse, FalleN e companhia teriam em mãos um jogador melhor preparado para ocupar a vaga em aberto do que outro que será contratado de outro clube e levará um tempo considerável para se ambientar com o estilo de jogo da equipe.

As categorias de base do Barcelona são, há muito, o melhor modelo de como um clube deve trabalhar na construção de novos jogadores para o time principal. Em La Masia, a direção Blaugrana impõe que desde o time sub-9, por exemplo, jogue da mesma forma que a equipe principal. Desta forma, a agremiação ensina ao jogador desde cedo o estilo utilizado no profissional e molda as características que consideram primordiais para essa forma de jogar.

E é desta forma que o MIBR deve trabalhar com um time de base, se um dia a organização criar o MIBR Academy. Com uma comissão técnica capacitada e com a ajuda dos veteranos comandados por FalleN, o clube conseguiria moldar os novos jogadores da forma como imaginam ser a melhor de se jogar. Imagine brutt (Reapers) sendo o pupilo do Verdadeiro, e este passando todas as artimanhas que um awper de nível mundial precisar ter.

Os times Academy, contudo, não servem apenas como uma fábrica de novos talentos. Novamente usando o futebol como exemplo, um time de base tem grande valia para a parte financeira. Os jogadores do MIBR Academy que não fossem utilizados poderiam ser vendidos. Que organização no mundo não gostaria de contar com um jogador ou uma formação completa moldada por aqueles que já venceram o Major duas vezes? Desta forma, também solucionaria a dor de cabeça causada pela regra que proíbe duas escalações de um mesmo clube.

Esta é a melhor forma que vejo para o MIBR tratar futuras mudanças. Com um MIBR Academy, a organização não teria dificuldades para encontrar novos jogadores e evitaria contratações de nomes duvidosos — como já aconteceu no CS 1.6 com o lendário r0, que até hoje não mostrou para o que veio.